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Leo Feltran
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Grande
ou pequena?
"Escolas
pequenas são sementes assemelham-se ao núcleo
familiar e podem ousar mais pedagogicamente. Escolas grandes
são árvores estimulam o anonimato da
existência adulta e preparam para as adversidades da
sociedade competitiva"
Muitos
pais perguntam se o tamanho do colégio tem influência
na qualidade do ensino. Uma percepção básica
das vantagens e desvantagens de cada tipo de escola pode auxiliar
a responder a essa questão. Escolas pequenas são
sementes, escolas grandes são árvores. As pequenas
alinham-se melhor à organicidade e à afeição
características dos primeiros anos da vida. As grandes
são mais representativas das estruturas sociais, nas
quais será vivida a maturidade. Escolas pequenas tendem
a manter uma relação interpessoal mais afetiva,
informal e presente. Nelas, os experimentos pedagógicos
podem ser mais ousados, a interação com a comunidade
pode ser mais individualizada e as exceções
convivem melhor com as regras.
Escolas
grandes parecem constituir ambientes mais formais e mais impessoais.
Há uma relativa preponderância das regras sobre
as exceções e o valor do prestígio institucional
tem grande importância. Como é raro que a escola
pequena se torne famosa, e portanto referencial, ela consegue
mais atenção individual e menos prestígio
institucional, enquanto com a escola grande muitas vezes ocorre
o oposto.
Na escola
pequena, a tendência é que cada um se sinta tratado
como indivíduo, enquanto, na escola grande, a menor
individualização parece compensada pelo prestígio
e por uma ampla, e talvez promissora, rede de conexões
pessoais para uso futuro.
Outro
ponto que diferencia esses dois tipos de colégio é
o ambiente físico. O da escola pequena é menos
impactante que o da escola grande, que utiliza melhor arquitetura,
terrenos maiores e equipamentos de ponta. Finalmente, a escola
grande, podendo valer-se de economia de escala em seus custos,
pode, se quiser, oferecer serviços a preços
mais baixos.
É
claro que existem as exceções: escolas grandes
com educação personalizada, escolas pequenas
com ambientes excepcionais; escolas grandes que permanecem
caras e pequenas que conseguem manter-se menos caras. Há
ainda escolas pequenas com muito prestígio e escolas
grandes capazes de ousar pedagogicamente. Mas são exceções.
Na maioria dos casos, valem os atributos previsíveis
de cada modelo, grande ou pequeno.
Descritos
os fatores, pode-se dizer que escolas pequenas constituem
ambientes microculturais mais afeitos à infância,
assemelham-se mais ao núcleo familiar, assustam menos
com seus horizontes mais intimistas, mostram-se mais uterinas,
representam microestruturas sociais fundadas em modelos que
privilegiam o acolhimento da afeição em vez
da eficácia do intelecto. Podem ajudar a produzir jovens
com maior confiança socioafetiva. Cobra-se delas maior
eficiência intelectual.
Escolas
grandes oferecem um ambiente mais estimulador do inevitável
anonimato da existência adulta, preparando para as adversidades
da coexistência social competitiva, para os imperativos
de eficácia e para os esforços da individuação.
Seguindo esse raciocínio, poderíamos aconselhar
escolas pequenas para a infância e escolas maiores para
a adolescência.
Mas ousemos
além da contradição, considerando uma
integração desejável. Utilizando arquiteturas
adequadas é possível, na mesma escola, "grande",
conceber e operar ambientes "pequenos" para a infância
e progressivamente maiores daí em diante. Tanto é
uma boa hipótese para a escola, pais e alunos
que, sem detrimento de outros modelos, as raras escolas
concebidas e operadas para ser simultaneamente "pequenas e
grandes" são certamente capazes de integrar as vantagens
dos dois modelos, oferecendo boa educação sob
um só título.
José
Ernesto Bologna é psicólogo e presidente
da Ethos Desenvolvimento Humano e Organizacional
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