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Leo Feltran
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Quem
escolhe: eles ou você?
"A
boa escola é aquela que se preocupa com a criança
em todos seus aspectos, não perdendo a visão
global do aluno, favorecendo seu desenvolvimento integral"
Muitos
pais nos procuram na hora de escolher uma escola. As dúvidas
são muitas. Se o filho já está na escola,
mas esta, por alguma razão, não está
dando certo, as dúvidas não são menores.
Afinal, sabe-se apenas o que não se quer para o filho.
Mas o que é melhor para ele? Essas angústias
fazem parte do processo. E que bom que elas existem! Pior
seria se os pais não parassem para pensar o quanto
a escolha da escola é importante. Será nela
que a criança passará uma grande parte de sua
vida. Será com ela que os pais irão partilhar
a educação de seus filhos.
Quais
seriam então os critérios para a escolha de
uma escola? Existem alguns de ordem geral, tais como: instalações,
proposta pedagógica, formação dos professores,
organização administrativa, localização,
atividades extra-classe, preço. No entanto, os mais
importantes são os critérios de âmbito
individual e familiar. Cabe aos pais refletirem sobre três
pontos básicos:
Quais são seus valores e objetivos.
Como é seu filho: seu temperamento, seu modo de ser
e de agir.
Qual é seu conceito de educação: suas
prioridades nos aspectos de formação e instrução.
Partindo
daí, os pais terão melhores condições
de escolher a escola adequada. A identidade de valores família-escola
é a primeira coisa a levar em conta para que a empreitada
seja bem-sucedida. Vale lembrar que o objetivo de todos é
um só: a felicidade da criança. Não a
felicidade no futuro, mas, desde já, no presente. Assim
sendo, não podemos escolher uma escola infantil pensando
no vestibular, nem devemos valorizar uma só área
do desenvolvimento, em detrimento de outras. A boa escola
é aquela que se preocupa com a criança em todos
seus aspectos, sem perder a visão global do aluno,
favorecendo seu desenvolvimento integral. Assim, mais importante
que a metodologia até porque são raras
as seguidoras de um método único é
sua filosofia educacional. Esta é que estabelece os
princípios e as normas que determinam a prática
psicopedagógica e norteiam as relações
entre professores, alunos, diretores, coordenadores, funcionários
e pais.
Uma pergunta
que sempre nos fazem: devem os filhos participar do processo
de escolha? Com toda certeza, sim. Mas essa participação
só deve ocorrer quando os pais já tiverem feito
uma seleção prévia de algumas escolas
que correspondam ao perfil da família e do filho, para
não expor a criança a muitas situações
de escolha, o que poderia dificultar esse processo. Outro
fator a ser considerado é a idade.
Crianças
de até 3 anos encontram-se no período do desenvolvimento
em que se expressam sobretudo através do movimento,
não tendo ainda capacidade de representar internamente
os fatos vividos. Assim, terão maior dificuldade de
se expressar, dizendo o que acharam da escola. Nessa fase
os pais devem ficar atentos a ações e reações
físicas e emocionais, que serão os indicadores
de aprovação ou reprovação da
criança àquela escola.
Crianças
de 3 a 6 anos se encontram no período do desenvolvimento
da linguagem, apresentando, com isso, um rápido desenvolvimento
conceitual. Elas conseguem, de alguma maneira, relatar o que
gostariam que a escola lhes oferecesse, como, por exemplo,
areia, música, terra, animais, esportes. Ao mesmo tempo,
já dizem: "gostei desta escola" ou "não gostei
desta escola", por razões às vezes não
muito claras para os pais mas que para elas são significativas.
Dos 7
aos 12 anos, a criança já consegue aplicar o
pensamento lógico a situações concretas.
Compreende um pouco melhor o que seus pais esperam da escola
e tem condições de dialogar sobre ela, coloca
suas percepções por ocasião das primeiras
visitas e testes e emite suas opiniões.
Acima
de 12 anos, ela está apta, de uma maneira geral, a
aplicar o raciocínio lógico a todas as classes
de problemas. Tem condição de argumentar sobre
a escolha com os pais. Assim, precisa ser consultada na troca
de escola, porque isso envolve outras mudanças em sua
vida: sistema de ensino, transporte para o novo local e, principalmente,
troca de colegas. É preciso avaliar muito bem se essa
mudança é imprescindível e se a escolha
vai satisfazer os critérios apontados acima.
Toda
escolha envolve ganhos e perdas. É necessário
tentar balancear o que se ganha, o que se perde e como compensar
essa perda. Por exemplo: se a escola não tem esportes,
pode-se programar exercícios na academia ou no clube;
se a escola não é exigente no ensino de línguas,
pode-se fazer um curso de idiomas. O essencial é que
haja diálogo, pois a responsabilidade não pode
ser assumida apenas por um dos membros da família.
Por ser uma difícil decisão, o filho não
tem maturidade suficiente para arcar com ela sozinho. Além
disso, o casal precisa partilhar a escolha, mesmo que esteja
divorciado, para que a criança possa ter tranqüilidade
em seu cotidiano escolar.
Silvia
Amaral de Mello Pinto é psicopedagoga e coordenadora
do
Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD)
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