É proibido ficar parado

Escolas oferecem atividades diversificadas
e buscam participação de todos os alunos

Maria Elisa Arruk

 
Pólo aquático: uma das atividades praticadas nas aulas de educação física do Santo Américo

Além de educar os alunos, transmitindo conhecimento, os colégios estão cada vez mais empenhados em conscientizá-los de que uma vida saudável depende, em grande parte, de uma atividade física permanente. Vem daí a crescente atenção que as escolas dedicam ao esporte. "Nosso objetivo não é transformar o estudante em um atleta", diz Wilson Vitar Schimit, professor de educação física do Porto Seguro. "Queremos que ele aprenda a utilizar os jogos e os exercícios como uma ferramenta de combate ao sedentarismo, aos problemas de postura, ao excesso de peso e às doenças cardiovasculares." Schimit acredita que, se for devidamente estimulado a participar das aulas de educação física, o aluno, ao sair da escola, será capaz de monitorar sua própria programação, seja a natação, o jogging ou partidas de vôlei. Muitos professores enfatizam que conhecer o corpo, seu processo de crescimento e seu desenvolvimento também é um pulo para o cultivo de bons hábitos de alimentação e higiene.

"O resultado não é imediato. Costumamos dizer que a educação física não dá mais anos à nossa vida, mas mais vida aos nossos anos", conta Roberto Chueke, coordenador de esportes do Oswald de Andrade. Outro grande objetivo é a integração. Quer oportunidade melhor para trabalhar o companheirismo entre os alunos do que durante uma partida de basquete? Chance melhor que uma olimpíada interna para colocar, lado a lado, meninas e meninos, tribos e gerações? Para que isso seja possível, a exclusão deve ser deixada de escanteio. Nada de valorizar os mais hábeis e desprezar aqueles que têm dificuldades. "Os professores precisam enxergar os alunos não como atletas, mas como jovens em fase de aprendizado, que devem encontrar oportunidades para desenvolver suas potencialidades tanto individualmente como em grupo", diz Ricardo Lobo, diretor do Equipe e ex-coordenador de esportes do colégio.

Treino de judô no Friburgo: colégio oferece mais de sete modalidades

Para integrar os alunos, os professores do Oswald de Andrade utilizam-se da seguinte tática: no futebol, distribuem em times diferentes os mais habilidosos e, depois, avisam que só vale o gol se todo o time tocar na bola; na queimada, oferecem um número para cada participante e, em ordem crescente, determinam que todos deverão arremessar a bola. "Adaptamos as regras para fazer com que os estudantes respeitem os limites do parceiro, sejam tolerantes, compreendam as diferenças e valorizem o companheirismo dentro de um ambiente de competição", comenta Roberto Chueke. "Estamos preocupados em reforçar a idéia de equipe, da necessidade de conhecer regras e respeitá-las, pois o intuito é formar um time de jovens conscientes, críticos, éticos e solidários, não uma seleção de craques", explica Caio Martins da Costa, professor do Friburgo e relator dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC para educação física. De acordo com Costa, a qualidade das atividades melhorou muito. "Hoje, há mais diversidade e reflexão sobre a prática, e essa é a grande diferença", explica. Da 5ª série do ensino fundamental à 1ª série do ensino médio, os alunos do Friburgo têm uma aula semanal de fisiologia e comportamento. "A disciplina é usada para falar de assuntos como mudanças no corpo, sexualidade e prevenção de drogas", diz Costa.

Para não deixar ninguém parado, os colégios estão ampliando mais e mais o leque de modalidades esportivas. Assim, se um garoto ou garota não gosta de correr, pode tentar o taco, o tênis de mesa, o circo, a capoeira. Vale tudo, pois o importante é se mexer. No Vera Cruz, ao perceber a perda de interesse das meninas de 12 e 13 anos pelas aulas de educação física, o professor Toshiaki Tateyama fez uma enquete com elas. Descobriu que, em vez de nadar ou jogar bola, as alunas preferiam dançar. Hoje, todas divertem-se ao som de samba, frevo, baião e outros ritmos brasileiros – e sentem-se mais saudáveis do que nunca.

 

FIQUE DE OLHO

Existem colégios que se orgulham de exibir as inúmeras opções esportivas que oferecem, como natação, esgrima e alpinismo. Detalhe: essas atividades acontecem fora do período escolar e não fazem parte do currículo. Ou seja, são cobradas à parte. Há também escolas que selecionam os melhores em cada modalidade para formar as equipes que participarão de competições externas e, com isso, dão menos atenção aos demais alunos na parte esportiva.

 

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