| |
Isso
pode, isso não pode
Escolas
conservadoras e liberais
buscam o equilíbrio e ficam mais parecidas
Viviane
Gueller
 |
| O
namoro é uma questão que divide as escolas:
45% delas permitem e 55% proíbem |
A distância
que separa as escolas paulistanas conservadoras das liberais
está menor. Embora ainda mantenham perfis bem diferentes,
em sua maioria elas deixaram de lado o supérfluo e
passaram a proibir apenas o que pode realmente prejudicar
o bom andamento das atividades escolares. Em colégios
como Rio Branco e Dante Alighieri, conhecidos por seu tradicionalismo,
o piercing não é mais vetado e os garotos, se
quiserem, podem usar cabelos coloridos ou compridos. "Os tempos
mudaram. Hoje, só impomos normas que possam ser explicadas
aos alunos", diz Paulo Henrique Rinaldi, diretor-geral do
Rio Branco. Na Escola da Vila, no Oswald de Andrade e no Equipe,
adeptos de uma disciplina mais flexível, a chamada
freqüência livre, que permitia que os estudantes
entrassem e saíssem a qualquer hora da sala de aula,
ou até cabulassem, faz parte do passado. "O aluno que
sai atrapalha a concentração dos outros", explica
o diretor pedagógico do Oswald de Andrade, Ricardo
Mesquita.
Em colégios mais conservadores, algumas normas de conduta,
entretanto, permanecem inabaláveis. No Santo Américo,
mantido por monges beneditinos, embora o uniforme não
seja obrigatório no ensino médio, as alunas
não podem usar saias nem roupas decotadas. "É
uma maneira de evitar os excessos", afirma o vice-reitor,
dom Geraldo Gonzàlez y Lima. O Dante e o Rio Branco,
que mantêm a exigência do uniforme para todas
as séries, não toleram o namoro em suas dependências.
"Basta a gente andar de mãos dadas para um bedel nos
advertir de que isso é proibido", conta um aluno de
15 anos.
Ao contrário do que muitos imaginam, escolas consideradas
modernas também impõem restrições.
No Oswald de Andrade, além da proibição
de sair no meio de uma aula, fumar não é permitido.
Para o diretor pedagógico, Ricardo Mesquita, o fato
de o aluno submeter-se a algumas regras faz com que ele seja
capaz de amadurecer e administrar melhor a vida escolar. Nas
liberais, pode-se namorar, mas carícias e beijos prolongados
são reprimidos. "Nós temos consciência
de até onde podemos ir", assegura Laura Gianesella
Galvão, 16 anos, aluna da Escola da Vila.
Os colégios se queixam freqüentemente que hoje
os pais abdicam de parte do papel educacional, delegando uma
responsabilidade excessiva à escola. "As crianças
ficam grande parte do tempo sem a presença dos pais
em casa e acabam ganhando uma liberdade desproporcional",
diz a psicopedagoga Silvia Amaral de Mello Pinto, do Centro
de Aprendizagem e Desenvolvimento (CAD). Nívea Fabrício,
diretora do Colégio Graphein, especializado em receber
crianças e adolescentes que tiveram problemas em outras
escolas, acredita que boa parte dos casos de indisciplina
ocorre porque as famílias falham na hora de impor limite
aos filhos. "Antigamente elas tinham mais clareza sobre o
certo e o errado", afirma.
É
justamente nessa hora a de coibir a indisciplina
que as escolas conservadoras e liberais mais ficam parecidas.
No ano passado, alunos da 8ª série do tradicional
Rio Branco viviam jogando papel molhado no teto da sala de
aula. "Explicamos que o espaço não era só
daqueles que o sujavam e não era justo que os faxineiros
tivessem trabalho a mais por causa disso", conta a orientadora
pedagógica Meri De Sordi. Depois da conversa, os cinco
responsáveis se apresentaram e, como punição,
tiveram de limpar o teto. Na Escola da Vila, com sua linha
mais tolerante, quando um aluno desrespeita um funcionário,
é obrigado a passar o dia todo a seu lado e acompanhá-lo
no trabalho. Neste ano, uma de suas turmas, depois de promover
uma guerra de ovos, teve de lavar as paredes e o chão
que havia emporcalhado. "Nosso papel é estimular nos
estudantes a consciência de que há conseqüências
para atos inadequados", afirma a diretora pedagógica
da Escola da Vila, Sônia Barreira.
| |
  |
|
FIQUE DE OLHO
Não pense que, ao colocar seu filho em uma escola
de disciplina rígida, você estará
resolvendo automaticamente todos os problemas no comportamento
dele. Da mesma forma, um colégio liberal não
garante que seu filho tímido passará a
ser um garoto articulado e extrovertido. Muitos pais
alimentam a expectativa de que a escola supra eventuais
falhas na formação da criança.
Não se iluda, ninguém pode substituir
a família nessa tarefa.
|
|