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Como
as escolas foram avaliadas
A
qualidade e as condições de trabalho do corpo
docente, a pedagogia e os equipamentos oferecidos
aos alunos definiram a classificação final

Professores:
o maior peso na pesquisa |
Quando
decidiu realizar este inédito ranking das melhores
escolas particulares da cidade com ensino fundamental e médio,
Veja São Paulo foi procurar 100 dos mais respeitados
especialistas em educação do país. A
lista dos profissionais consultados abrange pedagogos, educadores,
autoridades do MEC, diretores de escola, orientadores e professores
de reconhecido prestígio. A revista fez a todos eles
uma indagação: quais são as características
comuns aos bons colégios? Depois de entrevistá-los,
foi possível elaborar um questionário com noventa
perguntas.
Montado
o roteiro, Veja São Paulo voltou a procurar
os especialistas excluindo, dessa vez, os que têm
ligação direta com alguma escola para
que atribuíssem pesos a cada um dos itens, de acordo
com sua importância. Depois dessa etapa, foram selecionadas
trinta perguntas bastante diretas e que podem ser formuladas
a todos os tipos de colégio. Foram essas trinta questões
que contaram pontos na elaboração do ranking
final. As outras sessenta não valeram para a classificação.
Isso porque, embora fossem relevantes para traçar um
panorama da rede particular de ensino da cidade, tratavam
de temas que não influem diretamente na qualidade do
projeto pedagógico ou que são difíceis
de avaliar objetivamente. É o caso de questões
relacionadas à disciplina. Não se levou em conta,
no resultado do ranking, se a escola permite que os alunos
entrem e saiam livremente das aulas, se o namoro é
aceito, se o uniforme é obrigatório ou se os
pais são avisados no mesmo dia em caso de falta. "O
fato de ser liberal ou conservador não define se um
colégio tem ou não qualidade", afirma o psicólogo
José Ernesto Bologna, que presta consultoria a várias
escolas paulistanas. "Ou seja, permitir ou proibir que os
alunos namorem não significa que a escola é
boa ou ruim."
Houve
consenso em um ponto fundamental: o fator decisivo para a
avaliação de um estabelecimento de ensino é
o quadro docente. Mais do que qualquer outra coisa
salas espaçosas, ginásios cobertos, número
de idiomas lecionados , a qualificação
dos professores e as condições de trabalho que
lhes são dadas permitem medir o nível do ensino
mantido pelas escolas. "Muitos colégios dispõem
de computadores modernos, laboratórios bem equipados,
piscina e belos auditórios", diz Noeli Weffort, da
Faculdade de Educação da PUC-SP. "Mas, se não
tiverem também um corpo docente eficiente e estimulado,
nada disso adianta." Por isso, as questões referentes
ao professorado ganharam o maior peso na tabulação
dos resultados. A pesquisa tratou de levantar qual o salário
deles, quantas horas remuneradas recebem para atividades de
planejamento, há quanto tempo lecionam na escola. Também
se perguntou com que freqüência se reúnem
e qual o porcentual dos que trabalham em regime de dedicação
exclusiva. A análise das respostas levou a conclusões
importantes. Descobriu-se que apenas dezesseis das escolas
participantes pagam mais de 2 300 reais por mês a seus
professores de 1ª a 4ª série. Nas demais
séries, os professores são pagos por hora/aula.
Apurou-se que 25 escolas oferecem remuneração
superior a 23 reais por hora de aula no ensino médio
e por isso mereceram uma pontuação maior
no quesito.
Com relação
ao regime de trabalho, Porto Seguro, Santo Américo,
Rainha da Paz e Etapa são exemplos de colégios
que têm mais de 90% do corpo docente atuando exclusivamente
na escola. "É ruim ser um professor-taxista, que precisa
dar aulas em várias escolas para ganhar um bom salário",
diz Luiz Augusto Mardegan, que leciona em dois colégios
e em uma faculdade. "Em um só emprego, é possível
fazer um trabalho muito mais consistente." Outro item levado
em conta na pesquisa foi a estabilidade do corpo docente.
É inviável desenvolver um projeto pedagógico
sério trocando boa parte do quadro de educadores a
cada ano letivo. Aqui, foram bem pontuadas as escolas com
professorado estável. A média de permanência
dos professores do Dante Alighieri, Miguel de Cervantes, Palmares
e Nossa Senhora das Graças, entre outros colégios,
é de mais de doze anos, o que possibilita a essas instituições
desenvolver um trabalho contínuo.
O segundo
maior peso foi atribuído a questões que dizem
respeito à pedagogia. Entre elas, figuraram as seguintes:
A escola tem um coordenador para quantos professores?
Qual a freqüência das aulas de artes?
Qual a freqüência das aulas de educação
física?
Quantos idiomas são lecionados?
Há aulas de sociologia ou filosofia?
Qual o limite de alunos por sala?
O levantamento
revelou que Vera Cruz, Rio Branco e I.L. Peretz não
colocam mais de 25 crianças em uma sala de 1ª
a 4ª série. Trata-se de um diferencial positivo.
"As pesquisas mostram que é impossível dar aula
utilizando métodos mais modernos em classes com quarenta
pessoas", diz o professor Bernard Charlot, catedrático
em ciências da educação da Universidade
de Paris e uma das maiores autoridades do assunto. No Santa
Cruz, no Santa Clara e no São Domingos, alunos de 1ª
a 4ª série têm aulas de filosofia ou de
sociologia. É claro que eles não discutem conceitos
de Platão. Mas é por meio dessas disciplinas
que os colégios começam a desenvolver o espírito
crítico e a capacidade de raciocínio dos estudantes.
Finalmente,
com um peso bem menor, vieram perguntas sobre os equipamentos
disponíveis laboratórios de informática,
física e química, ginásios de esportes
e itens de segurança, como a existência
de controle de acesso na entrada e a presença de inspetores
no pátio durante o recreio.
Como
o universo da pesquisa foi focado nas escolas privadas paulistanas
com o ciclo completo do ensino fundamental e médio
isto é, aquelas nas quais os pais podem colocar
os filhos da 1ª à última série,
normalmente entre os 7 e os 17 anos , não entraram
na avaliação algumas instituições
tradicionais e renomadas de São Paulo. Entre elas,
ficaram de fora o Bandeirantes, que só aceita alunos
a partir da 5ª série, o Santo Inácio e
a Escola Viva, que não têm ensino médio.
O Instituto Ipsos Marplan, contratado para aplicar o questionário,
procurou todos os 473 colégios particulares da cidade
com ensino fundamental e médio. Desses, 324 responderam
à pesquisa. As respostas foram fornecidas pelos diretores
ou por funcionários designados por eles.
Na reportagem
seguinte, estão publicados os resultados do ranking.
São cinqüenta escolas com histórias, propostas
e perfis bastante distintos. A diferença de pontuação
entre elas é pequena, e todas que figuram na lista,
independentemente da classificação, proporcionam
a seus alunos um nível de ensino muito acima da média
entre os estabelecimentos particulares de São Paulo.
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