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Ensino
de elite
Nas
escolas internacionais, brasileiros de
classe alta disputam vaga com estrangeiros
Daniela
Spilotros
Divulgação
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| Festa
de comemoração dos
80 anos da Escola Graduada: alunos formam o logotipo do
colégio |
Criadas
para acomodar filhos de diplomatas e funcionários de
multinacionais de passagem pelo país, as escolas internacionais,
ou bilíngües, atraem cada vez mais brasileiros.
O principal motivo da procura é que elas fornecem o
IB (International Baccalaureate), diploma que possibilita
a admissão em universidades credenciadas no mundo inteiro.
Isso sem contar o atrativo de falar um segundo idioma com
a mesma desenvoltura exibida na língua materna. Para
estudar em um desses colégios, contudo, é preciso
pagar caro. A maioria cobra mais que o dobro das escolas particulares
de primeira linha. Ainda assim, há lista de espera.
Hoje em dia, os alunos brasileiros formam o grupo majoritário
em muitas bilíngües. Dos 1 160 matriculados na
escola americana Graduada, por exemplo, 42% são brasileiros,
38% americanos e canadenses e 20% de outros países.
Essas escolas seguem o calendário americano e o europeu.
Ou seja, o período de férias cai no meio do
ano, durante o inverno daqui (e o verão de lá).
Outra de suas características é exigir
no ingresso fluência no idioma adotado. "Não
se trata de escolas que ensinam um idioma, mas que ensinam
por meio dele", explica Sherry McClelland, diretora da Middle
School da Graduada, onde as crianças são alfabetizadas
em inglês a partir dos 5 anos de idade. "Aprender a
ler e a escrever primeiramente em inglês garante uma
pronúncia melhor", diz Heidi Gonçalves, diretora
de admissões.
Para ingressar na Graduada, além de falar inglês,
é preciso entrar na fila. Ela não dá
prazo nem garantia de chamada, pois estrangeiros e irmãos
de alunos ou ex-alunos têm prioridade. Na matrícula,
cobra uma taxa de ingresso, de 13 700 reais. As mensalidades,
que variam de 1 286 a 2 496 reais, incluem almoço (as
aulas são em período integral) e a maior parte
dos livros. O número de alunos em cada classe é
reduzido: dezesseis, em média. Com exceção
de português, história do Brasil e geografia
do Brasil, as disciplinas são ministradas em inglês.
"Desde a educação primária, os estudantes
praticam os mais variados tipos de esporte e aprendem a tocar
instrumentos e a dominar conceitos de informática,
como computação gráfica", diz Francisco
Di Bella, diretor de desenvolvimento da Graduada.
Na Escola Suíço-Brasileira, com mensalidades
que vão de 810 a 1 280 reais, a predominância
de brasileiros se repete. Dos 550 alunos, cerca de 300 nasceram
no Brasil e 185 são suíços. A alfabetização,
na 1ª série do ensino fundamental, é simultânea
em duas línguas: português e alemão, que
de modo geral têm o mesmo peso nos estudos. A partir
do ensino médio, há dois cursos distintos: o
que segue o currículo brasileiro, com aulas em língua
portuguesa, e o curso para o diploma suíço,
com conteúdo dado em alemão. Ambos oferecem
o programa IB, de reconhecimento internacional.
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| Biblioteca
da Escola Suíço-Brasileira: alfabetização
simultânea em português e alemão |
As
tradições típicas de um colégio
inglês estão presentes na St. Paul's. Lá,
cada aluno tem seu tutor, que o acompanha na rotina escolar.
A responsabilidade, a cobrança e a organização
são valorizadas. Atualmente, 60% dos 870 alunos são
brasileiros, contra 18% de ingleses. Eles pagam de 1 279 a
2 095 reais de mensalidade, mais uma taxa de ingresso, de
5 616 reais. Como na Graduada, somente três disciplinas
são obrigatórias para o currículo brasileiro.
Quanto à exigência da língua, já
é de esperar que o inglês deva estar em ordem.
Como reforço, a escola oferece um sistema capaz de
motivar o brasileiro que chega com o curso em andamento. O
sistema de avaliação divide-se entre um conceito
pelo esforço demonstrado e outro correspondente à
nota efetivamente alcançada. Em algumas matérias,
os alunos são agrupados por habilidades. Mas o currículo
é igual para todos. A St. Paul's abre anualmente setenta
vagas para crianças com 3 anos de idade. São
concorridíssimas, o que exige dos pais espera e muita
paciência.
Diante da procura pelas escolas estrangeiras, a também
britânica St. Nicholas conquistou seu espaço
e hoje conta com 520 alunos (70% brasileiros), que não
cabem mais no enorme casarão no qual está instalada.
No próximo ano a escola pretende inaugurar uma unidade
no bairro do Morumbi, que está sendo construída
para atender 1 200 estudantes, em salas de 60 metros quadrados.
O St. Nicholas começou como um berçário
preparatório para as escolas inglesas e americanas.
Com a necessidade de dar continuidade aos estudos, e a falta
de vagas nas concorrentes, a cada ano a instituição
aumenta uma série. A primeira turma irá concluir
o Senior School (ensino médio) em julho de 2003 e começará
o programa IB neste ano. Suas mensalidades oscilam entre 800
e 1 900 reais. O berçário ainda é forte
na escola, que ensina inglês a partir de 2 anos, em
brincadeiras, jogos e canções. Com currículo
igualmente em inglês e português, o Colégio
Brasil-Canadá foi fundado neste ano e tem apenas quarenta
alunos, que pagam 770 reais por mês. Trata de ocupar
um nicho do mercado a que a Graduada, o St. Paul's e outras
já não conseguem atender. "Com os efeitos da
globalização, acredito que a procura por esse
tipo de ensino cresça cada vez mais", afirma a psicopedagoga
Nívea Fabrício, diretora do Brasil-Canadá.
Na opinião da psicóloga Ceres Alves de Araújo,
professora da pós-graduação em psicologia
clínica da PUC-SP, as bilíngües podem ser
ótima opção para determinado tipo de
aluno. "O ambiente escolar deve ser coerente com os valores
de sua família", diz Ceres. "O estudante tem de ter
a sensação de pertencer àquele grupo.
Se não estiver à vontade, passará por
uma situação estressante." Para quem não
pretende estudar no exterior e elegeu como prioridade o ingresso
em uma faculdade de ponta em São Paulo como
direito ou medicina da USP , é preciso pensar
duas vezes antes de ingressar num colégio internacional.
"O conteúdo é muito diferente daquele ensinado
aqui, e as matérias do currículo brasileiro
não têm o mesmo peso", afirma a professora Ceres.
"Por isso, para conseguir entrar numa boa universidade brasileira,
será necessário fazer um cursinho pré-vestibular."
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FIQUE DE OLHO
Se a intenção de seu filho é prosseguir
os estudos em uma universidade no Brasil, cuidado. Embora
ofereçam um ensino de ótima qualidade,
essas escolas internacionais, também chamadas
bilíngües, não se preocupam em preparar
seus alunos para os vestibulares nacionais.
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