A escolha das 50 melhores

O ranking é o resultado da aplicação de
um questionário elaborado com a orientação
de mais de 100 especialistas em educação

Eduardo Oinegue

 
Fotos Renato Chauí
Marista Arquidiocesano, na Vila Mariana: fundado em 1858, é o mais antigo da lista

Escolher a escola do filho envolve um trabalho de investigação profundo para o qual esta edição especial pode ser de grande valia. As informações aqui contidas fornecem parâmetros objetivos que permitem medir a eficiência de uma escola. O trabalho, porém, não tem a pretensão de substituir os pais na tarefa de resolver onde matricular o filho.

Antes de tomar qualquer decisão, é imprescindível conhecer bem o local e as pessoas a quem se vai entregar a educação do filho. Ao procurar uma escola, tenha uma boa conversa com o diretor. Verifique há quanto tempo os professores e coordenadores trabalham no colégio, pois uma rotatividade muito grande pode indicar fragilidade do projeto pedagógico. Visite a escola num dia de aula, converse com os alunos e observe se eles gostam do colégio. Ouça o vigia, o zelador, os bedéis, pessoas que possam revelar detalhes sobre o dia-a-dia do colégio. Leve em consideração também o perfil financeiro das crianças que freqüentam a instituição. Não costuma ser produtivo colocar o filho num colégio muito caro se os pais não conseguem pagar as chamadas atividades extracurriculares. A frustração, sobretudo para o adolescente, pode ser grande.

Observe ainda o espaço físico, o número de alunos em cada sala de aula e as instalações. Mas não supervalorize esse último item. É ótimo estudar em um colégio com piscinas, ginásios cobertos e um belo auditório, mas isso não pode ser o fator decisivo na escolha. Em educação, apesar de todas as inovações tecnológicas, o mais importante ainda são os professores.

Para elaborar a lista com as cinqüenta melhores escolas da cidade, Veja São Paulo entrevistou mais de 100 autoridades no campo do ensino, entre diretores de escola, professores universitários, técnicos do Ministério da Educação, psicólogos e psicopedagogos. Foram procurados os melhores profissionais do Brasil. Perguntou-se a cada um deles quais são as características comuns a uma boa escola. O resultado desse esforço foi um modelo de questionário com noventa perguntas – das quais trinta valiam pontos para o ranking – versando sobre corpo docente, pedagogia, instalações, disciplina e segurança e relações com os pais. Conheça os seis principais critérios empregados no trabalho:

 
Biblioteca do Dante: alunos têm 50 000 títulos à disposição

1. O trabalho analisa apenas as escolas privadas. Na rede pública de ensino, os alunos são distribuídos pelas escolas segundo um critério geográfico. A idéia é tentar assegurar que eles estudem o mais perto possível de casa. Como os pais não têm o direito de sair pela cidade à caça da melhor escola do governo, ranquear o sistema público seria perda de tempo.

2. A lista concentrou-se nas "escolonas". Existem mais de 2 000 colégios particulares na cidade. Alguns oferecem apenas a pré-escola, outros uma parte do ensino fundamental. Há os que têm o ensino fundamental inteiro e aqueles que proporcionam o ensino médio. Uma parte dessas escolas (473 no total) oferece o ciclo completo, que inclui o ensino fundamental e o médio. São as chamadas "escolonas". Esse foi o grupo analisado por Veja São Paulo.

3. Escolas bilíngües, ou internacionais, ficaram de fora. Por possuírem características muito particulares, os especialistas entrevistados por Veja São Paulo recomendaram que tais escolas não fossem incluídas na comparação com as demais (veja reportagem sobre esse tema).

4. O questionário que sustenta o ranking é abrangente. Por orientação dos profissionais ouvidos por Veja São Paulo, foram elaboradas noventa questões de múltipla escolha, a maioria delas altamente técnica. Sobre os professores, por exemplo, foi perguntado a cada escola: "Qual é o porcentual do corpo docente que trabalha exclusivamente na escola?", "Com que freqüência ele se reúne?", "Os professores têm acesso a jornais e revistas?". Sobre aspectos pedagógicos, perguntou-se, entre outras coisas, quantos idiomas são ensinados, quantas aulas de línguas são ministradas por semana e qual é o limite de estudantes por classe.

5. Não se atribuíram pontos às questões que definem se a escola é liberal ou conservadora. Motivo: de acordo com os especialistas, não há nenhuma relação comprovada entre essas questões e a qualidade do ensino.

6. Contratou-se um renomado instituto de pesquisa. Dadas a ambição e a responsabilidade do projeto, Veja São Paulo contratou o renomado instituto de pesquisas Ipsos Marplan para realizar o trabalho de campo e o processamento dos dados obtidos pelas escolas.

Nas próximas páginas, você conhecerá mais detalhes sobre a avaliação das escolas, o ranking, o perfil da campeã e várias reportagens especiais sobre o assunto. Aproveite. A matrícula dos filhos na escola não comporta amadorismo. Afinal, é ela que vai influenciá-los para o resto da vida.

 

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