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2 de outubro de 2002
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MÚSICA

Primeiro violino

Com prêmios e agenda cheia,
Cláudio Cruz,
spalla da Osesp,
está em sua melhor fase

Lúcia Monteiro


Ana Lima
Álbum de família
Cláudio Cruz, com o instrumento e ao lado dos companheiros do Quarteto Amazônia: pacto para manter o clima familiar


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Ouça músicas do CD Adiós Nonino - Quarteto Amazônia Toca Astor Piazzolla
   1. Adiós Nonino
   2. Fuga y Misterio
   3. Tres Minutos con la Realidad
   4. Invierno Porteño
   5. Milonga del Ángel

As vitórias do Quarteto Amazônia no Grammy Latino, dia 18, e no Prêmio Carlos Gomes, dia 24, serviram para confirmar um talento cada vez mais em evidência na cidade: o violinista Cláudio Cruz. Spalla – líder do naipe dos violinos e figura mais importante depois do maestro – da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), homem de confiança do diretor artístico John Neschling e primeiro violino do quarteto, Cruz está em seu melhor momento. "É o mais completo violinista que o Brasil já teve", afirma Claudia Toni, diretora executiva da Osesp. "Só trabalhando 24 horas por dia outra pessoa conseguiria os mesmos resultados", avalia o violinista russo Yuriy Rakevich, spalla substituto da Osesp, que já foi o número 1 em orquestras dos Estados Unidos e do México.

Além de tocar na Sinfônica do Estado e no Quarteto, Cláudio Cruz rege, desde o início de 2002, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Aos 35 anos, conquistou reconhecimento e conforto material. Comprou um Passat alemão, o carro de seus sonhos, e quando não está em atividade em São Paulo mora numa casa com sauna e piscina em Ribeirão Preto. Para isso, trabalha muito. Em algumas semanas, chega a subir ao palco seis vezes, em até três cidades. Nesse caso, dorme apenas quatro horas por noite. "Sempre gostei desse ritmo", garante. Cruz é assim desde jovem. Aos 13 anos, começou a trabalhar como office-boy. Ia à escola e já estudava violino – aprendeu com o pai, que fabricava o instrumento. Estudou teoria com o maestro Olivier Toni, pai de Claudia. Profissionalizou-se aos 17 anos. Aos 22, por culpa do stress, passou a tomar remédios diários para pressão alta. Quando está no palco, porém, não deixa transparecer essa agitação. "Ele é um príncipe. Só veste casacas e smokings de tecido italiano feitos num alfaiate chiquérrimo", derrete-se Claudia Toni. "Recebemos bons spallas do mundo inteiro. Nenhum com a mesma elegância."

Apesar de toda essa aura, o violinista tem hábitos simples. Em suas raras horas livres, ouve ópera, MPB e – surpresa! – música sertaneja. Adora sair com os amigos para jogar sinuca e beber cerveja ou reunir todos os integrantes da orquestra de Ribeirão Preto para um churrasquinho em sua casa, à beira da piscina. Ao contrário de Neschling, Cruz tem fama de brincalhão. Na criação do Quarteto Amazônia, em 1994, fez um pacto com os outros integrantes: nada de clima ruim ou tenso. "Somos uma família", diz Igor Sarudiansky, segundo violino do quarteto. Durante a turnê que realizaram pela Europa, no ano passado, numa daquelas brincadeiras que parecem de criança, Cláudio Cruz escondeu o violino de Sarudiansky atrás da cortina de um dos hotéis em que ficaram na Áustria. "Estávamos de saída. Os outros hóspedes já tinham entrado no quarto e eu lá, procurando o violino", lembra Sarudiansky. Para o próximo ano, o quarteto tem vários convites para se apresentar dentro e fora do país. "Toco em séries que pagam muito e em séries que pagam pouco. Raramente reclamo de cachês", conta Cruz, que, diferentemente da maioria dos músicos de seu nível, diz não ter vontade de fazer carreira no exterior. "Meu único objetivo fora do Brasil é divulgar a música nacional", afirma. "Enquanto houver oportunidade de desenvolver um bom trabalho por aqui, eu fico." O maestro Neschling agradece. "Tê-lo sentado à primeira estante da orquestra é uma tranqüilidade", diz ele.

         
     
   
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