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MÚSICA
Primeiro
violino
Com
prêmios e agenda cheia,
Cláudio Cruz,
spalla da Osesp,
está em sua melhor fase
Lúcia
Monteiro
Ana Lima
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Álbum de família
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| Cláudio
Cruz, com o instrumento e ao lado dos companheiros do Quarteto
Amazônia: pacto para manter o clima familiar |
As
vitórias do Quarteto Amazônia no Grammy Latino, dia
18, e no Prêmio Carlos Gomes, dia 24, serviram para confirmar
um talento cada vez mais em evidência na cidade: o violinista
Cláudio Cruz. Spalla líder do naipe
dos violinos e figura mais importante depois do maestro da
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp),
homem de confiança do diretor artístico John Neschling
e primeiro violino do quarteto, Cruz está em seu melhor momento.
"É o mais completo violinista que o Brasil já teve",
afirma Claudia Toni, diretora executiva da Osesp. "Só trabalhando
24 horas por dia outra pessoa conseguiria os mesmos resultados",
avalia o violinista russo Yuriy Rakevich, spalla substituto
da Osesp, que já foi o número 1 em orquestras dos
Estados Unidos e do México.
Além
de tocar na Sinfônica do Estado e no Quarteto, Cláudio
Cruz rege, desde o início de 2002, a Orquestra Sinfônica
de Ribeirão Preto. Aos 35 anos, conquistou reconhecimento
e conforto material. Comprou um Passat alemão, o carro de
seus sonhos, e quando não está em atividade em São
Paulo mora numa casa com sauna e piscina em Ribeirão Preto.
Para isso, trabalha muito. Em algumas semanas, chega a subir ao
palco seis vezes, em até três cidades. Nesse caso,
dorme apenas quatro horas por noite. "Sempre gostei desse ritmo",
garante. Cruz é assim desde jovem. Aos 13 anos, começou
a trabalhar como office-boy. Ia à escola e já estudava
violino aprendeu com o pai, que fabricava o instrumento.
Estudou teoria com o maestro Olivier Toni, pai de Claudia. Profissionalizou-se
aos 17 anos. Aos 22, por culpa do stress, passou a tomar remédios
diários para pressão alta. Quando está no palco,
porém, não deixa transparecer essa agitação.
"Ele é um príncipe. Só veste casacas e smokings
de tecido italiano feitos num alfaiate chiquérrimo", derrete-se
Claudia Toni. "Recebemos bons spallas do mundo inteiro. Nenhum
com a mesma elegância."
Apesar
de toda essa aura, o violinista tem hábitos simples. Em suas
raras horas livres, ouve ópera, MPB e surpresa!
música sertaneja. Adora sair com os amigos para jogar sinuca
e beber cerveja ou reunir todos os integrantes da orquestra de Ribeirão
Preto para um churrasquinho em sua casa, à beira da piscina.
Ao contrário de Neschling, Cruz tem fama de brincalhão.
Na criação do Quarteto Amazônia, em 1994, fez
um pacto com os outros integrantes: nada de clima ruim ou tenso.
"Somos uma família", diz Igor Sarudiansky, segundo violino
do quarteto. Durante a turnê que realizaram pela Europa, no
ano passado, numa daquelas brincadeiras que parecem de criança,
Cláudio Cruz escondeu o violino de Sarudiansky atrás
da cortina de um dos hotéis em que ficaram na Áustria.
"Estávamos de saída. Os outros hóspedes já
tinham entrado no quarto e eu lá, procurando o violino",
lembra Sarudiansky. Para o próximo ano, o quarteto tem vários
convites para se apresentar dentro e fora do país. "Toco
em séries que pagam muito e em séries que pagam pouco.
Raramente reclamo de cachês", conta Cruz, que, diferentemente
da maioria dos músicos de seu nível, diz não
ter vontade de fazer carreira no exterior. "Meu único objetivo
fora do Brasil é divulgar a música nacional", afirma.
"Enquanto houver oportunidade de desenvolver um bom trabalho por
aqui, eu fico." O maestro Neschling agradece. "Tê-lo sentado
à primeira estante da orquestra é uma tranqüilidade",
diz ele.
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