A ajuda vem do céu

Luísa Alcalde

 

Fotos Rogério Montenegro/Mário Rodrigues

 

Imagine a cena. Você está parado no farol. De repente, um bandido aponta um revólver e invade seu carro. Enquanto se rende, você aciona, sem que o assaltante perceba, um botão de emergência oculto perto dos pedais. Em poucos minutos, um helicóptero sobrevoará seu automóvel e uma viatura policial irá ao local. Parece aventura televisiva no estilo do agente MacGyver. Mas não é. Pelo menos um pequeno grupo de paulistanos já conta com esse tipo de defesa. Em São Paulo, nos últimos dois anos, 650 pessoas instalaram em seus veículos um GPS (Global Positioning System). Esse sistema – o mesmo usado por aviões e navios – utiliza um conjunto de 24 satélites americanos que orbitam a 36.000 quilômetros de altura. Assim, sabe-se a posição do carro onde quer que ele esteja.

O GPS capta o posicionamento do veículo enviado pelo satélite, armazena as coordenadas e, por ondas de rádio, transmite-as a umazena as coordenadas e, por ondas de rádio, transmite-as a uma base. As coordenadas dos automóveis rastreados são acompanhadas, on-line, pela central de monitoramento. Já adotado por várias transportadoras para evitar roubos de carga nas estradas, esse recurso está se difundindo por causa da redução dos custos dos aparelhos. A instalação do kit completo, com computador GPS, antena retransmissora, botões de pânico e microfone embutido, sai em média por 2.500 reais. Há também uma taxa mensal que varia entre 95 e 200 reais, dependendo da empresa. Há cinco anos, o preço de uma instalação semelhante equivalia a 10.000 dólares. Caso o botão de pânico seja apertado pelo motorista, a prestadora do serviço aciona os helicópteros de patrulhamento aéreo e a polícia. "Estamos interligados com as centrais de rádio dos policiais", diz Anderson Ferreira, diretor comercial da Combat Vip, uma das empresas especializadas em rastreamento. "Por isso, o socorro é imediato." Nos últimos doze meses, foram atendidos cerca de vinte chamados.

O médico Carlos Augusto Araújo Pinto, dono de um jipe Cherokee e de uma pick-up Dakota blindada, aderiu ao sistema há dois anos. "Estou bem mais tranqüilo agora", afirma. "Depois disso, fui perseguido por um Gol na Marginal Pinheiros e sofri uma tentativa de assalto, mas consegui sair ileso das duas situações." De acordo com o engenheiro Marcelo Necho, da Graber Mobisat, há outras vantagens de ser vigiado o dia todo. "Temos como intervir com precisão quando os botões de emergência são acionados, pois podemos ouvir os diálogos travados dentro do veículo", explica. "É um meio eficiente de fugir de seqüestros." Ferreira, da Combat Vip, conta que alguns de seus clientes não pensam apenas em segurança. Segundo ele, a ciumenta mulher de um executivo, sabendo que o computador de bordo registra todo o trajeto percorrido pelo automóvel, mandou fazer a instalação em seu carro, usado com regularidade pelo marido, só para saber onde ele ia.

 
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