Pegos pelo lápis

Retratos falados ajudam a prender a
quadrilha que assaltava restaurantes

Luísa Alcalde


Retratos falados: Yoshi

As imagens feitas com relatos das vítimas e a dupla Kelly e Souza, já atrás das grades: semelhanças


Os desenhos, do tamanho da capa de um CD, saíram na imprensa e foram distribuídos em vários lugares da cidade. Eles acabaram sendo peças decisivas para a polícia localizar e prender assaltantes acusados de roubar pelo menos 250 pessoas em vinte restaurantes paulistanos. Formada por uma mulher e dois homens, a quadrilha ficou conhecida como "Dona Flor e Seus Dois Maridos". Um esboço feito a lápis pelo investigador Yoshiharu Kawasaki e a montagem de um rosto, produzida em computador por seu colega Sidney Barbosa, contribuíram para a prisão da mulher e de um dos homens na segunda-feira passada. A ex-doméstica Kelly Batista Gomes, de 20 anos, e o ex-estoquista Rogério de Souza, 25, foram capturados na Casa Verde por investigadores do Depatri. Um terceiro homem, identificado apenas como Flávio, escapou do cerco. Até quinta-feira, a dupla havia sido reconhecida por trinta vítimas.

As imagens dos três, traçadas com base nas descrições de dez testemunhas, foram refeitas duas vezes. "Com uma idéia de seus traços fisionômicos, fomos atrás dos bandidos que se pareciam com o retrato falado em nosso banco de dados", diz o delegado Marcos Ricardo Parra. Segundo ele, apesar de a prisão elucidar boa parte dos assaltos, existem outros bandos agindo. A seguir, trechos de uma entrevista que os assaltantes deram na delegacia:

Veja São Paulo – Já tinham visto como os retratos falados ficaram parecidos com vocês?
Souza – Vimos nosso retrato falado nos jornais. Eu me achei parecido e demos um tempo.

Veja São Paulo – Por que resolveram assaltar restaurantes?
Souza – Restaurante é lugar fino, mas descobrimos que dava pouco dinheiro, uns 200 reais por noite. Muita gente paga com vale-refeição e cartão.

Veja São Paulo – Se dava pouco dinheiro, por que assaltaram tantos?
Souza – Se for fazer caixa eletrônico, vou em cana por seqüestro relâmpago e não saio mais.

Veja São Paulo – O que vocês faziam com os documentos e cheques?
Kelly Batista Gomes – Os documentos a gente jogava no córrego da Avenida Caetano Álvares. Se os cheques vinham assinados e desse sorte de descontar...

 

 

 

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