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RESTAURANTES
Caixinha salgada
A cobrança de mais de 10%
de gorjeta
vira rotina nos restaurantes cariocas
Livia de Almeida
A
gorjeta engordou. Foi um processo discreto e silencioso, que tem
até passado despercebido. Mas, na prática, muitos
restaurantes cariocas vêm inflando os porcentuais de serviço
para além dos tradicionais 10% adicionados à conta.
A mudança parece pequena, com variação de 11%
a 13%, mas no fim pesa um pouco no bolso de quem recebe e de quem
paga. Ou seja, numa despesa de 200 reais, a caixinha pode passar
de 20 para até 26 reais. No Sushi Leblon, o acréscimo
é de 11%. No Bistrot da Escola, de 12,5%. No Mr. Lam, ambicioso
empreendimento do empresário Eike Batista, a fatia é
de 13%. "Hoje ninguém mais cobra só 10%, nem esse
montante se destina somente aos garçons. A gorjeta premia
a equipe toda, do auxiliar da cozinha ao gerente de caixa", diz
André Cunha Lima, proprietário da rede Joe & Leo's,
onde são sugeridos 12%. No caso de seus cinco restaurantes,
André afirma que o valor foi estabelecido pelos próprios
funcionários. "Não temos nenhuma ingerência
sobre essa distribuição, que ocorre semanalmente",
explica. "Cada empregado fatura uma parcela diferente, de acordo
com sua função."
O assunto é polêmico
e costuma azedar o humor dos empresários, justamente porque
os critérios de divisão do dinheiro podem gerar picuinhas
na cozinha e na brigada do salão. "É uma briga constante
entre eles, que procuram a gente para fazer uma mediação",
diz a proprietária de um sofisticado restaurante da cidade,
que pediu para não ser identificada. "Faço questão
de não me meter." Na vida real, os restaurantes têm
permissão para apresentar a taxa de serviço, mas o
cliente não é obrigado a pagá-la. "A gorjeta
tem natureza de doação. Ela não é obrigatória,
ainda que conste na comanda apresentada ao consumidor", esclarece
o advogado Ricardo Rielo, do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes
do Rio de Janeiro. "Os 10% foram consagrados pelo costume, e nada
impede que se gratifique a mais ou a menos."
O valor da gorjeta, em tese,
deveria ser estabelecido mediante um acordo entre empresa e sindicato,
depois de uma assembléia de funcionários que determinaria
os critérios de participação interna. "É
difícil dizer o que acontece em mais de 17.000 empreendimentos
desse tipo", afirma Rielo. No Bistrot da Escola, a soma de 12,5%
adicionada à conta foi decidida pelos próprios empregados
na época da inauguração da casa. "Não
lembro como fizeram o cálculo, mas continuamos cobrando o
mesmo valor até hoje", diz a chef Elen Casagrande. É
uma soma que, independentemente do valor, tem peso no salário
dos profissionais. Na média, a gorjeta é capaz de
dobrar o rendimento de um garçom. "Toda a equipe precisa
ganhar alguma coisa como forma de incentivo", afirma Elen. "Fazemos
um trabalho em conjunto."
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Quanto cobram os excedentes
Mr. Lam
13%
Bistrot da Escola 12,5%
Milano DOC, Nakombi, Gibraltar, Aprazível,
Don Camillo, Garcia & Rodrigues, Joe & Leo's,
Quadrucci, Zazá Bistrô, Forneria e Gero
12%
Sushi Leblon, Zuka 11%
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