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PERFIL
A loura má de boa estirpe
Criada nos corredores do
Copacabana
Palace e caçula de uma linhagem
que é
símbolo de sofisticação,
Guilhermina Guinle
brilha na TV como a vilã de
Paraíso Tropical
Sofia Cerqueira
Fernando Lemos
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| Guilhermina Guinle, na
piscina do Copa: lembranças da infância
na "casa" da avó |
O desafio era enorme: entrar
no meio da novela no horário nobre da Rede Globo como a antagonista
da garota de programa Bebel, a sensação da vez abençoada
pela graça de Camila Pitanga. Para piorar, sua personagem
deveria ser antipática, mimada, arrogante, metida, detestável
mesmo. Tudo sem descer do salto alto ou despentear a cabeleira loura
platinada, retocada uma vez por semana. "Precisava de uma atriz
com cara de rica, capaz de ameaçar o casal Olavo e Bebel",
explica Gilberto Braga, autor de Paraíso Tropical.
A escolhida foi a carioca Guilhermina Guinle, 33 anos de idade e
treze de carreira, sofisticada por formação, sobrenome
e genética. "Fiquei receosa", confessa. "Quando soube que
seria a vilã de um núcleo que bombava, pensei: o público
vai me odiar." Os telespectadores podem até torcer por Bebel,
mas Alice, a mau-caráter chique, virou destaque da novela,
que termina na próxima sexta-feira (28). "Ela achou o tom
perfeito", elogia Braga.
Herdeira de um dos sobrenomes
mais tradicionais da cidade, a atriz, que passou a infância
brincando nos corredores do Hotel Copacabana Palace construído
pelo avô paterno, Octávio Guinle , vive um momento
especial. Além do sucesso como a afetada Alice, estrelou
neste ano a peça Campo de Provas, que inaugurou o
Teatro Solar, em Botafogo, e debutou no cinema em Inesquecível
(o filme é ruim, mas ela estava glamourosa na telona) ao
lado de Caco Ciocler e Murilo Benício, que vira e mexe é
apontado nas revistas de celebridades como seu par. Ela garante
que não vê problema em ter o nome associado aos ex.
Aos 18 anos, teve um namoro praticamente secreto com o piloto Ayrton
Senna. Dos 19 aos 24, foi casada com o cantor Fábio Júnior
e depois viveu sete anos com o ator José Wilker. "Tenho o
maior orgulho de tudo o que vivi."
Renato Rocha Miranda/TV Globo
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DE NOIVINHA A VILÃ
Em treze anos de carreira, ela já fez
quatro peças, duas séries e sete novelas: em Paraíso Tropical,
com Deborah Secco, interpreta Alice, sua primeira vilã
(acima); a estréia na TV foi na novela Antônio Alves,
Taxista, exibida em 1996 (abaixo à esq.); com o
elenco
de Capitanias Hereditárias, peça que lhe valeu elogio
do diretor Falabella
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João Raposo |

Mirian Monteiro/Strana |
A intérprete da "branquela
azeda", como Bebel chama a rival, é daquelas mulheres que
causam inveja. Linda, tem 1,65 metro e 55 quilos, apesar de comer
tanto que os amigos apelidaram suas refeições de PF.
Nascida literalmente em berço de ouro e viajadíssima,
Guilhermina Guinle é nome de uma rua em Botafogo, batizada
em homenagem a sua bisavó. Para ela, a carga do sobrenome
nunca foi um peso. "Tive a sorte de nascer numa boa família
e não precisar trabalhar para me sustentar no início",
comenta. Fala espanhol e inglês impecavelmente. Estudou na
Escola Americana e morou dos 5 aos 7 anos em Buenos Aires, onde
se alfabetizou. Os pais, o empresário do ramo imobiliário
Luiz Eduardo Guinle e a decoradora Rosa May de Oliveira Sampaio,
se separaram quando ela tinha 2 anos. A mãe se casou depois
com o empresário argentino Martin Braun e Guilhermina foi
criada em São Paulo. É a única mulher entre
quatro irmãos: Raphael, de 36 anos, que trabalha num banco;
Charly, de 28, cineasta e ator; e Pedro, 19, estudante de publicidade.
Os dois últimos são filhos da segunda união
da mãe. "Minha vida sempre foi uma ponte aérea." Quando
vinha ao Rio, visitava a avó Mariazinha no Copacabana Palace.
O hotel foi vendido pela família em 1989, mas a avó
lá ficou num apartamento de cobertura até morrer,
em 1993. "Eu adorava correr e andar de velocípede pelos corredores.
Sempre pedia batata frita e profiteroles na piscina", recorda. Além
de pertencer à quarta geração dos Guinle, Guilhermina
tem, pelo lado materno, forte relação com a história
da cidade. Seu bisavô Carlos Sampaio foi prefeito do então
Distrito Federal entre 1920 e 1922. São obras de sua gestão
o canal do Jardim de Alá, a Avenida Rui Barbosa e a polêmica
derrubada do Morro do Castelo.
Embora vá sempre a São
Paulo, ela mora no Rio. "Há três anos vivo aqui e me
sinto mais carioca." Desde dezembro, quando se separou de José
Wilker, reside num quatro-quartos em Ipanema. Alugou sua casa no
Jardim Paulistano, mas conserva um apartamento "impecável"
em São Paulo. "Tenho mania de organização",
diz. "Volta e meia baixa em mim a Zefa e saio limpando tudo com
paninho e álcool." Seu retorno ao Rio coincidiu com a peça
Capitanias Hereditárias, de Miguel Falabella, que
ficou dois anos em cartaz. "Nesse métier, quem vem de família
tradicional tem de provar várias vezes o seu talento", afirma
Ney Latorraca, seu colega na comédia. "Ela suplantou tudo
isso", completa. "É inteligente e rápida no entendimento
do que o diretor quer", reforça Falabella. "Fiquei tão
encantado que o Ney, enciumado, vivia imitando os meus elogios a
ela." Seu amadurecimento é consenso. "Guilhermina começou
verde", observa Dennis Carvalho, diretor de Paraíso Tropical.
"Deu um show na minissérie JK e está progredindo
muito." Antes de se decidir pela carreira artística, ela
fez seis meses de psicologia na Boston University, nos Estados Unidos.
"Não conseguia me ver num consultório." Foi então
cursar teatro em outra faculdade americana, a Emerson College. Retornou
ao Brasil um ano e meio depois. "Sentia saudade, era frio." E estava
apaixonada.
A estréia foi na versão
paulista da peça Entre Amigas, aos 19 anos. Na época,
casou-se com Fábio Júnior, vinte anos mais velho,
numa cerimônia simbólica no Taiti. "Eu era uma menina,
e ele, super-romântico." A união durou cinco anos
recorde absoluto para o cantor. Depois, viveu sete anos com José
Wilker, 27 anos mais velho. "Com ele aprendi a importância
da amizade, do companheirismo, do caminhar junto numa relação",
diz. "Além do talento inato, ela tem vocação
para a felicidade", declara Wilker, que ainda é sua companhia
constante. "Arranca alegria de qualquer coisa." Quando o assunto
resvala em Murilo Benício, ela desconversa. "É uma
pessoa divertida e carinhosa, que conheci no filme Inesquecível",
limita-se a dizer.
Já que estamos falando
de amores, o que poucos sabem é que, aos 18 anos, Guilhermina
namorou Ayrton Senna. Ela costumava passar férias no condomínio
Portogalo, em Angra, onde era hóspede freqüente do padrinho,
o empresário Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha
de quem Senna compraria a mansão tempos depois. "O
romance existiu, sim, mas discretamente, nunca foi divulgado", confirma.
Ela diz não ter muita ansiedade quanto ao futuro, mas sonha
com um filho. De imediato, quer voltar às aulas de cinema
na Faculdade Gama Filho. Já fez três períodos
do curso, interrompido por causa da TV. "Meus amigos não
acreditaram que estudaria de manhã e organizaram até
um bolão." Explica-se: Guilhermina sofre de insônia.
Dorme depois das 3 e acorda ao meio-dia. Sem conseguir pegar no
sono, aproveita as madrugadas para arrumar gavetas.
Também tem compulsão
por cosméticos. Seu banheiro parece uma loja. Pela bancada
esparramam-se mais de cinqüenta cremes. "Adoro ser cobaia",
admite. "Se me disserem que tem um creme novo de lagartixa, eu testo",
brinca. Ama praia, mas cobre a pele translúcida com protetor
fator 60, às vezes 90. "Até os 25 anos achava lindo
mulher tostada." Nunca fez plástica nem precisa ,
mas adora peelings, ácidos... As madeixas castanhas foram
cortadas para a novela A Lua Me Disse, em 2005, encurtadas
em JK e clareadas neste ano, quando fez o filme Sexo com
Amor, de Wolf Maia, ainda sem data de lançamento. "Quis
ficar louríssima." Dá trabalho. "Meu cabelo cresce
que nem grama." Devido ao cabelo platinado, prefere roupas monocromáticas.
Tal e qual a antipática Alice, é chique sem fazer
muito esforço. Está no sangue. Seu bisavô Eduardo
construiu o atual Porto de Santos (veja quadro abaixo). O
tio-avô, também Eduardo, ergueu o Palácio Laranjeiras.
O playboy Jorginho Guinle era seu primo em segundo grau. Carlos
Guinle Filho, outro primo em segundo grau, é co-autor de
Sábado em Copacabana, tema de Paraíso Tropical.
"Ela entrou no meio de um furacão e está maravilhosa",
avalia Wagner Moura, seu par na trama. É do tipo que mima
a equipe da novela levando tortas de chocolate, como na terça
passada. A doce vida de Alice não vai durar. Num acesso de
ira, jogará um celular na cabeça da camareira
ao estilo da top Naomi Campbell, condenada a prestar serviços
comunitários por agredir uma empregada. "Ser arrogante com
pobre na minha novela é crime inafiançável",
sentencia Gilberto Braga. A malvada de fino trato está adorando.
Fotos álbum de família
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EM FAMÍLIA
Três momentos: com
seus irmãos, Raphael, Charly e Pedro
(acima), na piscina da fazenda da avó
materna, no Rio Grande do Sul; aos 8 anos, entre os pais,
Luiz Eduardo e Rosa (abaixo); e em sua festa
de 6 anos, no Copa, com a avó Mariazinha Guinle
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Quatro gerações
dos Guinle
O patriarca, Eduardo, bisavô de Guilhermina, construiu
o atual Porto de Santos, em 1882.
Eduardo Guinle teve sete filhos. Entre eles, Octávio,
avô de Guilhermina, que abriu o Copacabana Palace em
1923. Da segunda união de seu avô, com dona Mariazinha,
nasceram Luiz Eduardo, pai de Guilhermina, e José Eduardo,
ex-presidente da Riotur.
Seu tio-avô, também Eduardo, explorou estradas
de ferro e trouxe a General Electric para o Brasil. Construiu
o Palácio Laranjeiras, no Parque Guinle.
Outro tio-avô, Guilherme, fundou o Banco Boavista e
foi pioneiro na exploração de petróleo
no país.
Carlos Guinle Filho, primo em segundo grau da atriz, trouxe
a Rolls-Royce para o Brasil. Também compositor, é
parceiro de Dorival Caymmi em Sábado em Copacabana,
tema de Paraíso Tropical. Era irmão do
playboy Jorge Guinle.
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Cesar Itibere/Folha Imagem
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Marisa Uchiyama
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ENCONTROS E DESENCONTROS
Vida real: foi casada com Fábio Júnior
(acima, à esq.); namorou Ayrton Senna (à dir.);
viveu com José Wilker (abaixo); e, neste ano, circulou
com Murilo Benício
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Selmy Yassuda |

Mauricio Melo |
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