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PATRIMÔNIO
Herança da Justiça
A antiga sede do STF e do TSE no
centro da cidade vai ser restaurada
Débora Ghivelder
Fotos Divulgação
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| O majestoso prédio:
nos últimos anos, usado
como depósito de urnas eletrônicas |
Fachada de mármore Carrara, portões de ferro importados
de Portugal, lustres de bronze, uma majestosa rotunda, estátuas
trabalhadas na Fundição Val d'Osne, na França.
A antiga sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e, depois, do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), no Centro, vai ter devolvida a suntuosidade
do tempo em que o Rio de Janeiro era a capital federal. Após
um ano e meio de trabalho, está concluído o projeto
de restauro do prédio tombado, construído entre 1892
e 1896 nos moldes do alemão Vereinsbank (Banco da União)
para o Banco do Brasil que, no entanto, jamais chegou a ocupá-lo.
Recuperado, o edifício de 4 000 metros quadrados vai abrigar
os arquivos do TSE e terá, ainda, espaços para exposições
como os que atraem milhares de visitantes aos vizinhos CCBB,
Casa França-Brasil e Centro Cultural dos Correios.
"A idéia é valorizar
este patrimônio histórico e presentear o carioca",
diz o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE. "Trata-se
de um belo complemento para a região, que integra o corredor
cultural." Ao receber um pedido da Procuradoria-Geral do município
do Rio para cedê-lo à prefeitura, que pretendia instalar
ali um centro cultural, Mello teve sua atenção despertada
para o imóvel. "Agradeço ao prefeito Cesar Maia",
brinca.
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| O plenário, em boas condições:
cenário dos primeiros julgamentos do período republicano
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Construído pelo engenheiro
e arquiteto alemão Luiz Schreiner, formado na Real Academia
de Belas-Artes de Berlim, o edifício, na esquina das ruas
Primeiro de Março e do Rosário, é totalmente
eclético: combina elementos dos estilos neoclássico
e barroco com toques do art nouveau. Entre outros órgãos,
sediou o STF (de 1896 a 1909), o TSE (de 1946 a 1960) e o Tribunal
Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), até 1996. Nos dez anos
seguintes, o edifício, com piso de ladrilhos hidráulicos,
paredes com pinturas de Antônio Parreiras e plenário
emoldurado por lambris de madeira trabalhada, ficaria sem uso administrativo.
Em 2006, o TSE reassumiu o imóvel, que foi transformado em
depósito de urnas eletrônicas. "Seu estado é
bom", diz José Carlos Barbosa, coordenador de projetos do
Instituto Herbert Levy, responsável pelo plano de restauro
da edificação. "Ao longo dos anos, sofreu poucas intervenções.
Ele só envelheceu."
Devido a uma greve dos funcionários
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), o projeto, que será lançado na sexta
22, no Rio, pelo presidente do TSE e pelo ministro da Cultura, Gilberto
Gil, ainda depende de aprovação final. As duas fases
principais da reforma do edifício de dois pavimentos e subsolo
estão orçadas em cerca de 12 milhões de reais
7 milhões para as obras mais pesadas, de estrutura,
e 5 milhões para o restauro interior. Mesmo antes da conclusão
da última etapa, os cariocas já poderão se
beneficiar do complexo, que terá exposições,
biblioteca, museu da Justiça Eleitoral, centro de documentação
informatizado, lojas, café e restaurante. O plenário,
cenário dos primeiros julgamentos do período republicano,
fará parte do roteiro de visitas. "Se tudo correr bem, abriremos
as portas em fevereiro de 2008", bate o martelo o ministro Mello.
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| Pompa: madeira trabalhada e painel
de Antônio Parreiras (ao fundo) |
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