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20 de junho de 2007

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Herança da Justiça

A antiga sede do STF e do TSE no
centro da cidade vai ser restaurada

Débora Ghivelder

Fotos Divulgação
O majestoso prédio: nos últimos anos, usado como depósito de urnas eletrônicas


Fachada de mármore Carrara, portões de ferro importados de Portugal, lustres de bronze, uma majestosa rotunda, estátuas trabalhadas na Fundição Val d'Osne, na França. A antiga sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e, depois, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Centro, vai ter devolvida a suntuosidade do tempo em que o Rio de Janeiro era a capital federal. Após um ano e meio de trabalho, está concluído o projeto de restauro do prédio tombado, construído entre 1892 e 1896 nos moldes do alemão Vereinsbank (Banco da União) para o Banco do Brasil – que, no entanto, jamais chegou a ocupá-lo. Recuperado, o edifício de 4 000 metros quadrados vai abrigar os arquivos do TSE e terá, ainda, espaços para exposições – como os que atraem milhares de visitantes aos vizinhos CCBB, Casa França-Brasil e Centro Cultural dos Correios.

"A idéia é valorizar este patrimônio histórico e presentear o carioca", diz o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE. "Trata-se de um belo complemento para a região, que integra o corredor cultural." Ao receber um pedido da Procuradoria-Geral do município do Rio para cedê-lo à prefeitura, que pretendia instalar ali um centro cultural, Mello teve sua atenção despertada para o imóvel. "Agradeço ao prefeito Cesar Maia", brinca.

O plenário, em boas condições: cenário dos primeiros julgamentos do período republicano

Construído pelo engenheiro e arquiteto alemão Luiz Schreiner, formado na Real Academia de Belas-Artes de Berlim, o edifício, na esquina das ruas Primeiro de Março e do Rosário, é totalmente eclético: combina elementos dos estilos neoclássico e barroco com toques do art nouveau. Entre outros órgãos, sediou o STF (de 1896 a 1909), o TSE (de 1946 a 1960) e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), até 1996. Nos dez anos seguintes, o edifício, com piso de ladrilhos hidráulicos, paredes com pinturas de Antônio Parreiras e plenário emoldurado por lambris de madeira trabalhada, ficaria sem uso administrativo. Em 2006, o TSE reassumiu o imóvel, que foi transformado em depósito de urnas eletrônicas. "Seu estado é bom", diz José Carlos Barbosa, coordenador de projetos do Instituto Herbert Levy, responsável pelo plano de restauro da edificação. "Ao longo dos anos, sofreu poucas intervenções. Ele só envelheceu."

Devido a uma greve dos funcionários do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o projeto, que será lançado na sexta 22, no Rio, pelo presidente do TSE e pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, ainda depende de aprovação final. As duas fases principais da reforma do edifício de dois pavimentos e subsolo estão orçadas em cerca de 12 milhões de reais – 7 milhões para as obras mais pesadas, de estrutura, e 5 milhões para o restauro interior. Mesmo antes da conclusão da última etapa, os cariocas já poderão se beneficiar do complexo, que terá exposições, biblioteca, museu da Justiça Eleitoral, centro de documentação informatizado, lojas, café e restaurante. O plenário, cenário dos primeiros julgamentos do período republicano, fará parte do roteiro de visitas. "Se tudo correr bem, abriremos as portas em fevereiro de 2008", bate o martelo o ministro Mello.

Pompa: madeira trabalhada e painel de Antônio Parreiras (ao fundo)

         
     

 

 
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