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19 de setembro de 2007

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Tiros certeiros

Oito filmes que prometem dar
o que falar no Festival do Rio

Rogério Durst

 

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De sexta (21) até 4 de outubro, 21 salas de cinema estarão exibindo 300 títulos prometidos para o Festival do Rio 2007, o mais importante acontecimento cinematográfico da cidade. Para ajudar na escolha, em meio a tanta variedade, Veja Rio selecionou oito filmes imperdíveis. Os ingressos começam a ser vendidos na terça (18), ao meio-dia, na central que funcionará no Espaço Unibanco (Rua Voluntários da Pátria, 35, Botafogo, 2226-1986, 11h/22h). Eles também podem ser comprados no site www.ingresso.com.br e nas bilheterias dos cinemas nos dias das sessões. Custam de R$ 6,00 a R$ 14,00. Válido para exibições no circuito Estação, o passaporte de cinqüenta ingressos sai por R$ 260,00; o de vinte, R$ 130,00.

 
Fotos Divulgação

Tropa de Elite, de José Padilha (Brasil, 2007) – O diretor está em Los Angeles em trabalhos de finalização e volta com a versão definitiva do maior sucesso inédito do cinema nacional. Tropa de Elite, estrelado por Wagner Moura e Caio Junqueira, terá sua primeira exibição oficial na noite de abertura do Festival do Rio, na quinta (20), e uma apresentação para o público pagante no dia seguinte, no Espaço de Cinema 2, às 23h45, sessão que deve ter os ingressos esgotados num piscar de olhos. Com lançamento prometido para 12 de outubro, a fita virou fenômeno – e assunto de polícia – depois da enorme popularidade conseguida pelas cópias piratas em DVD quando ainda não estava devidamente montado e sonorizado. O roteiro de Bráulio Mantovani, José Padilha e Rodrigo Pimentel acompanha o dilema de Nascimento (Moura), capitão de um batalhão especial da Polícia Militar do Rio, dividido entre a expectativa com a proximidade da chegada do primeiro filho e a violenta rotina de confronto diário com traficantes de drogas. "A escolha do filme para abrir o festival é a consagração", diz o produtor Marcos Prado, que trabalhou com Padilha no documentário Ônibus 174. "Se a versão inacabada já faz sucesso, o público vai adorar a versão final e oficial", afirma.

 

A Maldição da Flor Dourada, de Zhang Yimou (Curse of the Golden Flower/Man Cheng Jin Dai Huang Jin Jia, China/Hong Kong, 2006) – Recentes produções chinesas têm sua própria mostra no festival. Essa extravagância do diretor, indicada ao último Oscar de melhor figurino, é o grande chamariz do Foco China. A história trata do confronto entre o imperador Ping (Chow Yun Fat) e sua mulher Phoenix (Gong Li), que mantém um relacionamento ilícito com o enteado. Chama mesmo atenção a trama de intrigas palacianas contada num festival, cuidadosamente elaborado por Yimou, de cores intensas, figurinos exuberantes e complexas coreografias marciais.


The Notorious Bettie, de Mary Harron (EUA, 2005) – Destaque da sessão Midnight Movies, dedicada aos filmes alternativos, essa produção independente é a cinebiografia da mais famosa das pin-up girls. Bettie Mae Page, ou Bettie Page, ou Betty Page, nasceu em 1923, está na ativa até hoje e se tornou um ícone americano tirando a roupa em fotos e fitas com títulos como Striporama. Tudo muito ousado para a época, o ainda casto início dos anos 50, antes até do surgimento da revista Playboy. Interpretando a morena que chegou a ser alvo de uma investigação do Senado dos Estados Unidos, a loura Gretchen Moll mostra garra e muito mais.

 

 

Sleuth, de Kenneth Branagh (EUA, 2007) – Refilmagem do saborosíssimo Jogo Mortal (Inglaterra, 1972), baseado em peça de Anthony Shaffer e última fita dirigida por Joseph L. Mankiewicz, uma elaborada e perigosa brincadeira de gato e rato entre o velho escritor Andrew Wyke (Laurence Olivier) e o jovem ator Milo Tindle (Michael Caine). A nova versão traz Caine como Andrew e Jude Law assumindo o papel de Milo. É um antigo sonho finalmente realizado pelo ator e diretor irlandês Branagh, admirador confesso dessa trama de suspense com apenas dois atores e um único cenário, a mansão do escritor. Originalmente havia até créditos falsos para disfarçar os segredos do roteiro, mas como a peça e o filme são hoje clássicos, o espectador já deve estar ciente de que nada é o que parece nesse engenhoso exercício cinematográfico.

 

Hairspray, de Adam Shankman (EUA, 2007) – Outra nova versão, desta vez do filme homônimo de 1988 realizado por John Waters e estrelado pelo travesti Divine. Mais do que exatamente uma refilmagem, trata-se da adaptação para o cinema do musical teatral baseado na fita original. O que o público quer mesmo ver é o resultado das quatro horas diárias de maquiagem que transformaram John Travolta na rotunda dona-de-casa Edna Turnblad. Em um subúrbio de Baltimore, no início dos anos 60, ela incentiva a auto-estima da filha gorducha e enfrenta as maquinações da loura Velma Von Tussle (Michelle Pfeiffer), uma vizinha invejosa. Tudo devidamente cantado e dançado. No elenco, Christopher Walken, Amanda Bynes e Queen Latifah.

 

Le Rose del Deserto, de Mario Monicelli (Itália, 2006) – O mais recente trabalho do grande mestre da comédia italiana, hoje com 92 anos e uma carreira de mais de oitenta filmes. Em tom de farsa, o diretor acompanha a ação, um tanto canhestra, de um grupo da brigada sanitária do Exército da Itália fascista no deserto da Líbia durante a II Guerra Mundial. Além de sátira política e comédia pastelão no melhor estilo de Monicelli, o filme oferece a possibilidade de ver a belíssima Moran Atias, modelo israelense que virou atriz, em seu primeiro trabalho internacional. Com Michele Placido e Giorgio Pasotti.

 

Interview, de Steve Buscemi (EUA, 2007) – Pela quarta vez em seus 22 anos de carreira cinematográfica, o cultuado ator Steve Buscemi se aventura na direção de um longa-metragem. Em um drama intimista, além de assinar o roteiro, ele interpreta Peders, renomado jornalista político que cai em desgraça após um fracasso. Como castigo, sua próxima tarefa é entrevistar Katya, popularíssima atriz de novelas e filmes B interpretada pela bela Siena Miller. É mais um tour de force entre dois atores, pois o filme se passa quase totalmente na tal entrevista, que acaba aproximando os personagens.

 

Inland Empire, de David Lynch (França/Polônia/EUA, 2006) – Acompanhado de sua protagonista favorita, Laura Dern, Lynch volta ao universo surrealista em um filme sobre um filme. No drama de mistério, Laura interpreta Nikki Grace, atriz que vai aos poucos perdendo a noção da realidade enquanto representa aquele que seria o melhor papel de sua carreira. Ela descobre que o roteiro que estão filmando é de uma antiga fita polonesa nunca completada, já que o casal de atores principais foi assassinado e a produção, considerada amaldiçoada. No elenco, William H. Macy (foto), Jeremy Irons, Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski e Naomi Watts.

         
     

 

 
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