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15 de janeiro de 2003
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TRÂNSITO

Polêmica na Lagoa–Barra

Tráfego vira queda-de-braço
entre moradores

Fátima Sá

Os efeitos da medida só devem ser sentidos em março, quando o trânsito da cidade volta ao normal depois das férias. Mas a barulheira já é geral. Interditado na segunda-feira (6), o Viaduto Graça Couto, que liga o Túnel Zuzu Angel à Gávea, virou alvo de muita polêmica, colocando em pé de guerra associações de moradores, autoridades municipais e motoristas. A discussão se justifica. Dos quase 50.000 carros que seguem pela auto-estrada Lagoa–Barra no sentido Zona Sul, 9.000 usavam o viaduto, fugindo pela Rua Marquês de São Vicente. A maioria tomava a Gávea como atalho, rumo ao Jardim Botânico, Humaitá, Botafogo. Uma alternativa ao engarrafamento que costuma se formar até o fim da auto-estrada, na Praça Sibelius. Após muita chiadeira dos moradores da Gávea, a prefeitura decidiu fechar o viaduto. Alega que o bairro corre o risco de virar local de passagem, como aconteceu com o Flamengo. A medida obriga os motoristas a um percurso mais longo, até o Leblon. "Depois de anos sofrendo, voltamos a ter paz", comemora Renê Hasenclever, presidente da Associação de Moradores da Gávea. "Agora está tudo bem, mas, quando as férias acabarem, o trânsito vai ser caótico", protesta Delair Drumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra. No meio do tiroteio, o secretário municipal de Transportes, Arolde de Oliveira, titubeou. Começou a semana defendendo a interdição. Dois dias depois, já admitia rever a medida.

Apesar das divergências, todos concordam num ponto: a auto-estrada Lagoa–Barra já não suporta o volume de carros que trafega por ali. "Está tão saturada que não há saída. Se resolve o problema de um lado, complica de outro", avalia Paulo Cezar Martins Ribeiro, professor do programa de Engenharia de Transportes da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ. Inaugurada nos anos 70, a auto-estrada deveria receber 50.000 veículos por dia em seus dois sentidos. Hoje recebe 100.000. "O viaduto é uma forma de desafogar a Lagoa–Barra. Acho egoísmo da Gávea. Se for assim, os moradores do Cosme Velho também podem fechar a saída do Túnel Rebouças", reclama Delair. "Egoístas são os motoristas da Barra. A Gávea só tem uma entrada e uma saída, que é a Rua Marquês de São Vicente. Com o viaduto, ela vive engarrafada, o asfalto cedeu em alguns pontos e existem prédios com rachaduras", rebate Renê.

Diante do impasse, o engenheiro José de Oliveira Guerra, professor de engenharia de transportes da Uerj, pondera: "O jeito é adotar a opção menos ruim, o que só podemos avaliar quando o volume de carros voltar ao normal". A partir de março, portanto, quando há 30% a mais de carros nas ruas. "Solução mesmo, só levando a linha 4 do metrô até a Barra", afirma o professor. Enquanto o trem não sai do papel, sobram idéias para minimizar os engarrafamentos. Nos últimos anos, já se falou em ampliar a Lagoa–Barra, duplicar a Avenida Niemeyer, fazer mais túneis, viadutos, mergulhões e implantar o trem-bala japonês. No meio de tanta promessa, só resta ao carioca esperar. Engarrafado.

 

 

SINAL FECHADO

Para ligar a Barra à Zona Sul, já se prometeu de tudo. De mergulhões a trem japonês de 1 bilhão de reais, passando pelo metrô.

A auto-estrada Lagoa–Barra foi projetada para 50 000 veículos por dia. Já recebe 100 000. Nos horários de pico, leva-se até uma hora para atravessar seus 12 quilômetros.

Como atalho, 9 000 motoristas usavam o Viaduto Graça Couto e fugiam pela Rua Marquês de São Vicente. Alívio para a auto-estrada, sufoco para a Gávea.

 

         
     
 
 
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