| |
|
|
 |
|
TRÂNSITO
Polêmica
na LagoaBarra
Tráfego
vira queda-de-braço
entre moradores
Fátima Sá
Os
efeitos da medida só devem ser sentidos em março,
quando o trânsito da cidade volta ao normal depois das férias.
Mas a barulheira já é geral. Interditado na segunda-feira
(6), o Viaduto Graça Couto, que liga o Túnel Zuzu
Angel à Gávea, virou alvo de muita polêmica,
colocando em pé de guerra associações de moradores,
autoridades municipais e motoristas. A discussão se justifica.
Dos quase 50.000 carros que seguem pela auto-estrada LagoaBarra
no sentido Zona Sul, 9.000 usavam o viaduto, fugindo pela Rua Marquês
de São Vicente. A maioria tomava a Gávea como atalho,
rumo ao Jardim Botânico, Humaitá, Botafogo. Uma alternativa
ao engarrafamento que costuma se formar até o fim da auto-estrada,
na Praça Sibelius. Após muita chiadeira dos moradores
da Gávea, a prefeitura decidiu fechar o viaduto. Alega que
o bairro corre o risco de virar local de passagem, como aconteceu
com o Flamengo. A medida obriga os motoristas a um percurso mais
longo, até o Leblon. "Depois de anos sofrendo, voltamos a
ter paz", comemora Renê Hasenclever, presidente da Associação
de Moradores da Gávea. "Agora está tudo bem, mas,
quando as férias acabarem, o trânsito vai ser caótico",
protesta Delair Drumbrosck, presidente da Câmara Comunitária
da Barra. No meio do tiroteio, o secretário municipal de
Transportes, Arolde de Oliveira, titubeou. Começou a semana
defendendo a interdição. Dois dias depois, já
admitia rever a medida.
Apesar das divergências, todos concordam num ponto: a auto-estrada
LagoaBarra já não suporta o volume de carros
que trafega por ali. "Está tão saturada que não
há saída. Se resolve o problema de um lado, complica
de outro", avalia Paulo Cezar Martins Ribeiro, professor do programa
de Engenharia de Transportes da Coordenação dos Programas
de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ.
Inaugurada nos anos 70, a auto-estrada deveria receber 50.000 veículos
por dia em seus dois sentidos. Hoje recebe 100.000. "O viaduto é
uma forma de desafogar a LagoaBarra. Acho egoísmo da
Gávea. Se for assim, os moradores do Cosme Velho também
podem fechar a saída do Túnel Rebouças", reclama
Delair. "Egoístas são os motoristas da Barra. A Gávea
só tem uma entrada e uma saída, que é a Rua
Marquês de São Vicente. Com o viaduto, ela vive engarrafada,
o asfalto cedeu em alguns pontos e existem prédios com rachaduras",
rebate Renê.
Diante do impasse, o engenheiro José de Oliveira Guerra,
professor de engenharia de transportes da Uerj, pondera: "O jeito
é adotar a opção menos ruim, o que só
podemos avaliar quando o volume de carros voltar ao normal". A partir
de março, portanto, quando há 30% a mais de carros
nas ruas. "Solução mesmo, só levando a linha
4 do metrô até a Barra", afirma o professor. Enquanto
o trem não sai do papel, sobram idéias para minimizar
os engarrafamentos. Nos últimos anos, já se falou
em ampliar a LagoaBarra, duplicar a Avenida Niemeyer, fazer
mais túneis, viadutos, mergulhões e implantar o trem-bala
japonês. No meio de tanta promessa, só resta ao carioca
esperar. Engarrafado.
|
SINAL
FECHADO
Para
ligar a Barra à Zona Sul, já se prometeu de
tudo. De mergulhões a trem japonês de 1 bilhão
de reais, passando pelo metrô.
A auto-estrada LagoaBarra foi projetada para 50 000
veículos por dia. Já recebe 100 000. Nos horários
de pico, leva-se até uma hora para atravessar seus
12 quilômetros.
Como atalho, 9 000 motoristas usavam o Viaduto Graça
Couto e fugiam pela Rua Marquês de São Vicente.
Alívio para a auto-estrada, sufoco para a Gávea.
|
|