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15 de janeiro de 2003
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Apoteose no Maracanãzinho

Fábrica do Samba mostra
a força do gênero no Rio

Pedro Tinoco

 
Foto divulgação; Dilmar Cavalher; André Valentim/Strana; Bruno Veiga/Strana; divulgação
Martinho, Zé Renato, Monarco, Dona Ivone e Jamelão vão fazer shows no festival: Monarco e Dona Ivone ainda disputam prêmio de 100 000 reais

Luiz Carlos da Vila, um dos autores do histórico samba-enredo da Vila Isabel Kizomba – A Festa da Raça, sai do sério quando o assunto é Agoniza mas Não Morre, pérola do repertório do colega Nelson Sargento. Nada contra a música, uma das mais belas do veterano mangueirense. "O que me incomoda é essa visão do samba como coitadinho. O samba sempre esteve aí", diz. Um bom reforço ao argumento atende pelo nome de Fábrica do Samba. Sem muito alarde, o festival de música dedicado ao gênero abriu inscrições em outubro passado. Atraiu uma multidão eclética que mistura jovens revelações, bambas e anônimos. Foram inscritos 2 153 sambas. Da primeira grande peneira, espalhada por palcos nas catorze escolas de samba do grupo especial e em cinco universidades, restaram 57 composições. Agora, a coisa promete esquentar. Na quinta (16), no Maracanãzinho, às 20 horas, acontece a primeira de seis eliminatórias – as demais ocorrem nos dias 17, 23, 24, 30 e 31. A turma ainda vai se digladiar no ginásio em duas semifinais, dias 6 e 7 de fevereiro, antes da finalíssima.

No dia 8 de fevereiro, doze sambas disputam os seis primeiros lugares e seus respectivos prêmios: dinheirama que vai dos 100.000 reais para o campeão a 20.000 reais, prometidos ao sexto colocado. Com as apresentações dos concorrentes haverá shows contando a história do samba (veja quadro), com direção de Túlio Feliciano. As gordas premiações e a magnitude do festival fizeram brilhar os olhinhos dos sambistas. Entre os 57 classificados – que já garantiram premiação de 10.000 reais cada um – estão jovens talentos como o violonista Pedro Hollanda e Nilze Carvalho, que se destacou soltando a voz no projeto O Samba É Minha Nobreza, e nomes consagrados como Dona Ivone Lara, o portelense Monarco, Tantinho, da velha-guarda da Mangueira, Noca da Portela e Camunguelo.

"Eu tinha medo de participar dessas coisas, mas fui encorajada pelo Bruno Castro, meu parceiro no samba Razão e Nostalgia. Depois que me classifiquei, lá na UFRJ, estou empolgadíssima", conta Dona Ivone, 81 anos. "Temos contrato assinado, e o homem à frente do festival é diretor da Mangueira. Não tem errada", acredita Tantinho. Além de diretor da Mangueira, o empresário paulista José Maria Monteiro é presidente do Instituto Ação Brasil Cultural (IABC), instituição regulamentada no Ministério da Justiça para incrementar a produção de bens culturais. O festival tem curadoria de Sérgio Cabral e o apoio ostensivo de uma tropa de notáveis do mundo do samba e da cultura. Nota-se, às vésperas desta nova – e mais visível – fase da festa, uma tremenda correria de Monteiro e dos outros envolvidos com a organização. Já foram fechados acordos de patrocínio com Banco do Brasil, Mastercard e Casas Bahia, entre outros. O festival tem também o apoio da prefeitura e renderá um CD, do selo Biscoito Fino, com os sambas premiados. A lista de patrocinadores ajuda a amenizar uma questão importante, que é garantir o dinheiro para cobrir 880.000 reais em prêmios, além das despesas com a organização. Luiz Carlos da Vila tem razão. O samba não agoniza, como demonstram as mais de 2.000 inscrições para o festival. E nem vai morrer de vergonha se, ao final de tamanha festa, o prometido for cumprido.

 

 

Agenda dos shows

16/1: Jongo da Serrinha, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, velhas-guardas do Império, da Mangueira e da Portela

17/1: Emílio Santiago, Ivan Lins, Zé Renato

23/1: Jamelão, Alcione, Elza Soares

24/1: Sandra de Sá, Lecy Brandão, Seu Jorge

30/1: Martinho da Vila, Paulinho Mocidade, Dominguinhos do Estácio, Neguinho da Beija-Flor

31/1: Zélia Duncan, Miltinho, MPB-4, Quarteto em Cy

6/2: Jorge Aragão, Almir Guineto, Arlindo Cruz, Sombrinha, Luiz Carlos da Vila

7/2: Zeca Pagodinho, Dudu Nobre

8/2: Beth Carvalho, Grupo Fundo de Quintal

 

         
     
 
 
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