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MÚSICA
Apoteose
no Maracanãzinho
Fábrica
do Samba mostra
a
força do gênero no Rio
Pedro Tinoco
Foto divulgação; Dilmar Cavalher;
André Valentim/Strana; Bruno Veiga/Strana; divulgação
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| Martinho,
Zé Renato, Monarco, Dona Ivone e Jamelão vão
fazer shows no festival: Monarco e Dona Ivone ainda disputam
prêmio de 100 000 reais |
Luiz
Carlos da Vila, um dos autores do histórico samba-enredo
da Vila Isabel Kizomba A Festa da Raça, sai
do sério quando o assunto é Agoniza mas Não
Morre, pérola do repertório do colega Nelson Sargento.
Nada contra a música, uma das mais belas do veterano mangueirense.
"O que me incomoda é essa visão do samba como coitadinho.
O samba sempre esteve aí", diz. Um bom reforço ao
argumento atende pelo nome de Fábrica do Samba. Sem muito
alarde, o festival de música dedicado ao gênero abriu
inscrições em outubro passado. Atraiu uma multidão
eclética que mistura jovens revelações, bambas
e anônimos. Foram inscritos 2 153 sambas. Da primeira grande
peneira, espalhada por palcos nas catorze escolas de samba do grupo
especial e em cinco universidades, restaram 57 composições.
Agora, a coisa promete esquentar. Na quinta (16), no Maracanãzinho,
às 20 horas, acontece a primeira de seis eliminatórias
as demais ocorrem nos dias 17, 23, 24, 30 e 31. A turma ainda
vai se digladiar no ginásio em duas semifinais, dias 6 e
7 de fevereiro, antes da finalíssima.
No dia 8 de fevereiro, doze sambas disputam os seis primeiros lugares
e seus respectivos prêmios: dinheirama que vai dos 100.000
reais para o campeão a 20.000 reais, prometidos ao sexto
colocado. Com as apresentações dos concorrentes haverá
shows contando a história do samba (veja
quadro),
com direção de Túlio Feliciano. As gordas premiações
e a magnitude do festival fizeram brilhar os olhinhos dos sambistas.
Entre os 57 classificados que já garantiram premiação
de 10.000 reais cada um estão jovens talentos como
o violonista Pedro Hollanda e Nilze Carvalho, que se destacou soltando
a voz no projeto O Samba É Minha Nobreza, e nomes
consagrados como Dona Ivone Lara, o portelense Monarco, Tantinho,
da velha-guarda da Mangueira, Noca da Portela e Camunguelo.
"Eu
tinha medo de participar dessas coisas, mas fui encorajada pelo
Bruno Castro, meu parceiro no samba Razão e Nostalgia.
Depois que me classifiquei, lá na UFRJ, estou empolgadíssima",
conta Dona Ivone, 81 anos. "Temos contrato assinado, e o homem à
frente do festival é diretor da Mangueira. Não tem
errada", acredita Tantinho. Além de diretor da Mangueira,
o empresário paulista José Maria Monteiro é
presidente do Instituto Ação Brasil Cultural (IABC),
instituição regulamentada no Ministério da
Justiça para incrementar a produção de bens
culturais. O festival tem curadoria de Sérgio Cabral e o
apoio ostensivo de uma tropa de notáveis do mundo do samba
e da cultura. Nota-se, às vésperas desta nova
e mais visível fase da festa, uma tremenda correria
de Monteiro e dos outros envolvidos com a organização.
Já foram fechados acordos de patrocínio com Banco
do Brasil, Mastercard e Casas Bahia, entre outros. O festival tem
também o apoio da prefeitura e renderá um CD, do selo
Biscoito Fino, com os sambas premiados. A lista de patrocinadores
ajuda a amenizar uma questão importante, que é garantir
o dinheiro para cobrir 880.000 reais em prêmios, além
das despesas com a organização. Luiz Carlos da Vila
tem razão. O samba não agoniza, como demonstram as
mais de 2.000 inscrições para o festival. E nem vai
morrer de vergonha se, ao final de tamanha festa, o prometido for
cumprido.
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Agenda
dos shows
16/1: Jongo da Serrinha, Dona Ivone
Lara, Nelson Sargento, velhas-guardas do
Império, da Mangueira e da Portela
17/1: Emílio Santiago, Ivan Lins,
Zé Renato
23/1: Jamelão, Alcione, Elza Soares
24/1: Sandra de Sá, Lecy Brandão,
Seu Jorge
30/1: Martinho da Vila, Paulinho
Mocidade, Dominguinhos do Estácio,
Neguinho da Beija-Flor
31/1: Zélia Duncan, Miltinho, MPB-4,
Quarteto em Cy
6/2: Jorge Aragão, Almir Guineto,
Arlindo Cruz, Sombrinha, Luiz Carlos da
Vila
7/2: Zeca Pagodinho, Dudu Nobre
8/2: Beth Carvalho, Grupo Fundo de
Quintal
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