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15 de janeiro de 2003
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Na linha de frente

MAM abre o ano com exposição de desenhos

Isabel Butcher

 
Fotos divulgação

Duas Cabeças (1965), de Roberto Magalhães (à esq.), está na sala sobre a Nova Figuração Brasileira; obras do artista Oswaldo Goeldi (à dir.) ficarão em sala exclusiva


Doze obras de Amilcar de Castro (uma delas à esq.) terão sala especial; a obra de Anita Malfatti (à dir.) está na sala sobre o modernismo brasileiro


Os desenhos de Tarsila: a artista está representada com algumas obras, como Estudo para Antropofagia, de 1929 (à esq.), do acervo de Chateaubriand, e Capivari (à dir.)



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O desenho sempre foi relegado a segundo plano no universo das artes plásticas. Durante o período renascentista da história da pintura (entre os séculos XIV e XVI), por exemplo, a técnica era usada apenas para demarcar o espaço da tela, depois coberta por camadas e mais camadas de tinta. O destino um tanto quanto desbotado dos desenhos começou a mudar no princípio da modernidade, por volta de 1890. Por um motivo simples: com o fortalecimento do impressionismo, os rascunhos que demarcavam a tela passam a não ser tão importantes. A partir daí, o desenho começa a ganhar independência como técnica artística, rompendo com as limitações antes impostas e se livrando do vínculo direto com a pintura. Deixa de ser apenas um modo de rascunhar obras e passa a ter importância por si. A mostra Autonomia do Desenho, em cartaz a partir de sexta (17), no Museu de Arte Moderna, vai contar um pouco a história dessa técnica por meio de 200 trabalhos, divididos em oito salas independentes. Para a primeira grande exposição do ano, o MAM selecionou o que há de mais representativo nas coleções de Gilberto Chateaubriand e do acervo do próprio museu – que, juntos, agrupam cerca de 2.000 desenhos.

O passeio começa por O Desenho na Arte Moderna e Contemporânea Internacional. Aqui, o visitante encontra cerca de quarenta trabalhos de nomes como a portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, o argentino Jorge de la Veja, o americano Jorge Oppenheim e o francês Henry Michaux. O itinerário prossegue na sala O Desenho Moderno Brasileiro: 1917/1950, com mais de cinqüenta obras de artistas nacionais, como Tarsila do Amaral. Mas o curador Fernando Cocchiarale aposta suas fichas nas salas especiais, que oferecem mostras independentes de nomes brasileiros bastante significativos que contribuíram para a autonomia da técnica. Em O Desenho de Oswaldo Goeldi estão reunidas 32 preciosas obras; já a sala dedicada a Amilcar de Castro é uma homenagem ao artista, que morreu no fim do ano passado, e conta com doze trabalhos, todos da coleção MAM. A visita continua com trabalhos em Desenho e Nova Figuração Brasileira, um espaço com setenta itens dedicado à intensa produção dos anos 60 e 70 dos artistas Antonio Dias, Carlos Vergara, Roberto Magalhães e Rubens Gerchman, todos fãs de carteirinha do desenho e defensores da técnica não como rascunho, mas como obra de arte única. "Hoje em dia, o desenho é o meio técnico de maior presença na arte contemporânea, junto com o vídeo e a fotografia", afirma Cocchiarale. Entre os motivos, diz o curador, a rapidez com que se pode desenvolver um trabalho criativo. "E isso pode ser em qualquer lugar – até mesmo em um bloquinho de anotações, num ônibus em movimento", completa. Em razão dessas transformações, hoje em dia, mesmo feito com o propósito de estudo, o desenho ganhou status de obra de arte.

         
     
 
 
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