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ARTE
Na
linha de frente
MAM
abre o ano com exposição de desenhos
Isabel Butcher
Fotos divulgação
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Duas
Cabeças (1965), de Roberto Magalhães (à esq.),
está na sala sobre a Nova Figuração Brasileira; obras do artista
Oswaldo Goeldi (à dir.) ficarão em sala exclusiva
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Doze
obras de Amilcar de Castro (uma delas à esq.) terão
sala especial; a obra de Anita Malfatti (à dir.) está
na sala sobre o modernismo brasileiro
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Os
desenhos de Tarsila:
a artista está representada com algumas obras,
como
Estudo para Antropofagia, de
1929
(à esq.),
do
acervo de Chateaubriand, e
Capivari (à
dir.)
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O desenho sempre foi relegado a segundo plano no universo das artes
plásticas. Durante o período renascentista da história
da pintura (entre os séculos XIV e XVI), por exemplo, a técnica
era usada apenas para demarcar o espaço da tela, depois coberta
por camadas e mais camadas de tinta. O destino um tanto quanto desbotado
dos desenhos começou a mudar no princípio da modernidade,
por volta de 1890. Por um motivo simples: com o fortalecimento do
impressionismo, os rascunhos que demarcavam a tela passam a não
ser tão importantes. A partir daí, o desenho começa
a ganhar independência como técnica artística,
rompendo com as limitações antes impostas e se livrando
do vínculo direto com a pintura. Deixa de ser apenas um modo
de rascunhar obras e passa a ter importância por si. A mostra
Autonomia do Desenho, em cartaz a partir de sexta (17), no
Museu de Arte Moderna, vai contar um pouco a história dessa
técnica por meio de 200 trabalhos, divididos em oito salas
independentes. Para a primeira grande exposição do
ano, o MAM selecionou o que há de mais representativo nas
coleções de Gilberto Chateaubriand e do acervo do
próprio museu que, juntos, agrupam cerca de 2.000
desenhos.
O passeio começa por O Desenho na Arte Moderna e Contemporânea
Internacional. Aqui, o visitante encontra cerca de quarenta trabalhos
de nomes como a portuguesa Maria Helena Vieira da Silva, o argentino
Jorge de la Veja, o americano Jorge Oppenheim e o francês
Henry Michaux. O itinerário prossegue na sala O Desenho Moderno
Brasileiro: 1917/1950, com mais de cinqüenta obras de artistas
nacionais, como Tarsila do Amaral. Mas o curador Fernando Cocchiarale
aposta suas fichas nas salas especiais, que oferecem mostras independentes
de nomes brasileiros bastante significativos que contribuíram
para a autonomia da técnica. Em O Desenho de Oswaldo Goeldi
estão reunidas 32 preciosas obras; já a sala dedicada
a Amilcar de Castro é uma homenagem ao artista, que morreu
no fim do ano passado, e conta com doze trabalhos, todos da coleção
MAM. A visita continua com trabalhos em Desenho e Nova Figuração
Brasileira, um espaço com setenta itens dedicado à
intensa produção dos anos 60 e 70 dos artistas Antonio
Dias, Carlos Vergara, Roberto Magalhães e Rubens Gerchman,
todos fãs de carteirinha do desenho e defensores da técnica
não como rascunho, mas como obra de arte única. "Hoje
em dia, o desenho é o meio técnico de maior presença
na arte contemporânea, junto com o vídeo e a fotografia",
afirma Cocchiarale. Entre os motivos, diz o curador, a rapidez com
que se pode desenvolver um trabalho criativo. "E isso pode ser em
qualquer lugar até mesmo em um bloquinho de anotações,
num ônibus em movimento", completa. Em razão dessas
transformações, hoje em dia, mesmo feito com o propósito
de estudo, o desenho ganhou status de obra de arte.
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