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9 de agosto de 2006

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LAZER

A dança dos anônimos

Candidatos a pé-de-valsa lotam
salões e academias

Fernanda Thedim

 
Dilmar Cavalher/Strana
Karla e Angelo: aprendizado nas aulas de Carlinhos de Jesus

Ao ver a performance da atriz Juliana Didone – então noviça na modalidade e vencedora da Dança dos Famosos, atração do Domingão do Faustão –, a engenheira Luciana Vieira decidiu se matricular em um curso de dança de salão. "Sempre tive vontade de aprender, mas achava que não conseguiria ser guiada, pegar os passos, acompanhar o ritmo da música. Faltava o empurrãozinho de alguém que também nunca tivesse dançado", conta. Durante os quatro meses iniciais, ela encarou quatro horas semanais de aula. Sua evolução é notória. Luciana já arrisca passos nada triviais pelos salões da cidade. Assim como a engenheira, uma legião de aspirantes a pé-de-valsa lota as academias de dança do Rio e as casas noturnas que oferecem programação específica para esse público. Que, por sinal, é diversificado, repleto de jovens e casais de idosos. "Temos pessoas de todas as idades. Tanto que decidimos abrir turmas exclusivas para crianças. Nos bailes também se repete essa variedade", diz o dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus. Em sua academia, em Botafogo, há cerca de 1.000 alunos inscritos nas várias modalidades de aula. A expansão chegará em breve à universidade. Em outubro, o bailarino-empresário inicia o curso politécnico de dança de salão em uma universidade da cidade. A idéia é habilitar professores para a função.

 
Felipe Varanda/Strana
Helio e Joana: dança de salão na academia Proforma

Não faltarão empregos para os formandos. As academias estão apinhadas de gente como a arquiteta Karla Richter e seu namorado, o engenheiro Angelo Cozzolino. O casal começou a praticar dança de salão quatro meses atrás. "Para a mulher, é muito mais fácil", avalia Karla. "O homem costuma ser mais travado, mas é ele quem tem de conduzir o casal", diz, resignado, o namorado. "De vez em quando está rolando um samba e me flagro num passo de bolero", diverte-se Angelo. A idéia é essa mesma, muita diversão e zero de aborrecimento. A engenheira de telecomunicações Claudia Santanna é aluna da mesma turma em que o casal fez a iniciação nos salões. Ela também começou a bailar faz quatro meses, influenciada por amigos. "Minha maior dificuldade é ser conduzida", conta Claudia. "Mas, no final das contas, é um santo remédio para desestressar depois do trabalho. É uma atividade extremamente relaxante, além da possibilidade de fazer novas amizades", comenta. "A dança aguça a libido, aumenta a auto-estima e deixa as pessoas mais extrovertidas", avalia Carlinhos.

A universitária Joana de Luca resolveu incorporar a dança de salão a sua rotina de malhação. Alterna a nova atividade com a musculação, feitas numa academia de ginástica. "É ótimo para a postura", diz ela, que é aluna do professor de educação física Helio Faria. Ele já teve seus minutos de fama como acompanhante da atriz Babi no Dança dos Famosos. "Comecei dando aula de hip hop. Depois, passei a ensinar lambaeróbica e funk. Hoje, os alunos pedem dança de salão", conta. Segundo Helio, o gasto calórico de uma hora de forró, em ritmo acelerado, é equivalente ao de uma hora de spinning, uma das atividades mais desgastantes das academias. "É um excelente exercício para as pernas. Enrijece a panturrilha, as partes frontal e posterior da coxa e os glúteos", acrescenta Carlinhos. Definitivamente, a dança de salão invadiu as academias de ginástica. "Faço musculação por obrigação e dança de salão por lazer", diz a farmacêutica e professora Cristiane Alcântara Medina. Para quem acha que a atividade só é indicada para as pessoas que levam jeito, Carlinhos diz que com um mês já é possível ensaiar os primeiros passos sem pisar no pé alheio. Com três meses de dedicação e um pouquinho de talento, o aluno está apto a sair rodopiando por aí. Algumas escolas de dança promovem bailes internos, o que de forma alguma esvazia o circuito de casas cariocas onde é possível executar os passos aprendidos em aula. "Quando quero dançar, procuro a programação das gafieiras Estudantina e Elite ou então vou à Lapa. Lá há as opções do Rio Scenarium, do Carioca da Gema, do Sacrilégio e da Casa da Mãe Joana", enumera Carlinhos. É só não perder o ritmo.

 

PARA ENTRAR NO RITMO DOS
PRIMEIROS PASSOS

Há várias modalidades de dança de salão. "Elas são feitas em pares, como o tango, o bolero, a salsa, o forró e o samba de gafieira", diz Carlinhos de Jesus. As diferenças estão na origem, na música e nos movimentos. Veja os ritmos ensinados nas academias e suas peculiaridades.

Bolero

A base é o simples dois-pra-lá, dois-pra-cá. A postura dos parceiros é enfatizada. De origem latina, é um ritmo lento e romântico.

Forró universitário

É o xote, popular no Nordeste. As pernas fazem o show em passos triviais. O ritmo pode ir do lento ao acelerado, dependendo da música.

Salsa

De origem cubana, é um dos gêneros preferidos dos jovens. O ritmo é intenso, com rebolados e movimentos de ombros. Todo o corpo se mexe.

Samba de gafieira

Pode ser moderado ou acelerado. Seus passos começam com variações fáceis, mas evoluem para movimentos intensos em passos como puladinho, balão apagado, tesoura e trança.

Tango

É o mais sensual e o mais difícil. O ritmo é moderado, mas as pernas se movimentam em giros e passos complexos. É preciso sintonia para executá-los.



Onde praticar

Academias de dança: Carlinhos de Jesus ( 2541-6186); Jaime Arôxa ( 2539-8779); Lúmini ( 2432-4013).

Academias de ginástica: A!Body Tech Copacabana ( 3816-1791); Companhia Athletica ( 3431-5000); Proforma ( 2540-7999).

     
   

 

 
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