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LAZER
A dança dos anônimos Candidatos a pé-de-valsa lotam
salões e academias Fernanda Thedim
Dilmar Cavalher/Strana
 | | Karla
e Angelo: aprendizado
nas aulas de Carlinhos
de Jesus |
Ao
ver a performance da atriz Juliana Didone então noviça na
modalidade e vencedora da Dança dos Famosos, atração do Domingão
do Faustão , a engenheira Luciana Vieira decidiu se matricular
em um curso de dança de salão. "Sempre tive vontade de aprender,
mas achava que não conseguiria ser guiada, pegar os passos, acompanhar
o ritmo da música. Faltava o empurrãozinho de alguém que
também nunca tivesse dançado", conta. Durante os quatro meses iniciais,
ela encarou quatro horas semanais de aula. Sua evolução é
notória. Luciana já arrisca passos nada triviais pelos salões
da cidade. Assim como a engenheira, uma legião de aspirantes a pé-de-valsa
lota as academias de dança do Rio e as casas noturnas que oferecem programação
específica para esse público. Que, por sinal, é diversificado,
repleto de jovens e casais de idosos. "Temos pessoas de todas as idades. Tanto
que decidimos abrir turmas exclusivas para crianças. Nos bailes também
se repete essa variedade", diz o dançarino e coreógrafo Carlinhos
de Jesus. Em sua academia, em Botafogo, há cerca de 1.000 alunos inscritos
nas várias modalidades de aula. A expansão chegará em breve
à universidade. Em outubro, o bailarino-empresário inicia o curso
politécnico de dança de salão em uma universidade da cidade.
A idéia é habilitar professores para a função.
Felipe Varanda/Strana
 | | Helio
e Joana: dança
de salão na academia
Proforma |
Não
faltarão empregos para os formandos. As academias estão apinhadas
de gente como a arquiteta Karla Richter e seu namorado, o engenheiro Angelo Cozzolino.
O casal começou a praticar dança de salão quatro meses atrás.
"Para a mulher, é muito mais fácil", avalia Karla. "O homem costuma
ser mais travado, mas é ele quem tem de conduzir o casal", diz, resignado,
o namorado. "De vez em quando está rolando um samba e me flagro num passo
de bolero", diverte-se Angelo. A idéia é essa mesma, muita diversão
e zero de aborrecimento. A engenheira de telecomunicações Claudia
Santanna é aluna da mesma turma em que o casal fez a iniciação
nos salões. Ela também começou a bailar faz quatro meses,
influenciada por amigos. "Minha maior dificuldade é ser conduzida", conta
Claudia. "Mas, no final das contas, é um santo remédio para desestressar
depois do trabalho. É uma atividade extremamente relaxante, além
da possibilidade de fazer novas amizades", comenta. "A dança aguça
a libido, aumenta a auto-estima e deixa as pessoas mais extrovertidas", avalia
Carlinhos. A
universitária Joana de Luca resolveu incorporar a dança de salão
a sua rotina de malhação. Alterna a nova atividade com a musculação,
feitas numa academia de ginástica. "É ótimo para a postura",
diz ela, que é aluna do professor de educação física
Helio Faria. Ele já teve seus minutos de fama como acompanhante da atriz
Babi no Dança dos Famosos. "Comecei dando aula de hip hop. Depois, passei
a ensinar lambaeróbica e funk. Hoje, os alunos pedem dança de salão",
conta. Segundo Helio, o gasto calórico de uma hora de forró, em
ritmo acelerado, é equivalente ao de uma hora de spinning, uma das atividades
mais desgastantes das academias. "É um excelente exercício para
as pernas. Enrijece a panturrilha, as partes frontal e posterior da coxa e os
glúteos", acrescenta Carlinhos. Definitivamente, a dança de salão
invadiu as academias de ginástica. "Faço musculação
por obrigação e dança de salão por lazer", diz a farmacêutica
e professora Cristiane Alcântara Medina. Para quem acha que a atividade
só é indicada para as pessoas que levam jeito, Carlinhos diz que
com um mês já é possível ensaiar os primeiros passos
sem pisar no pé alheio. Com três meses de dedicação
e um pouquinho de talento, o aluno está apto a sair rodopiando por aí.
Algumas escolas de dança promovem bailes internos, o que de forma alguma
esvazia o circuito de casas cariocas onde é possível executar os
passos aprendidos em aula. "Quando quero dançar, procuro a programação
das gafieiras Estudantina e Elite ou então vou à Lapa. Lá
há as opções do Rio Scenarium, do Carioca da Gema, do Sacrilégio
e da Casa da Mãe Joana", enumera Carlinhos. É só não
perder o ritmo.
PARA
ENTRAR NO RITMO DOS PRIMEIROS PASSOS Há
várias modalidades de dança de salão. "Elas são feitas
em pares, como o tango, o bolero, a salsa, o forró e o samba de gafieira",
diz Carlinhos de Jesus. As diferenças estão na origem, na música
e nos movimentos. Veja os ritmos ensinados nas academias e suas peculiaridades.
Bolero
A
base é o simples dois-pra-lá, dois-pra-cá. A postura dos
parceiros é enfatizada. De origem latina, é um ritmo lento e romântico.
Forró
universitário
É
o xote, popular no Nordeste. As pernas fazem o show em passos triviais. O ritmo
pode ir do lento ao acelerado, dependendo da música.
Salsa
De
origem cubana, é um dos gêneros preferidos dos jovens. O ritmo é
intenso, com rebolados e movimentos de ombros. Todo o corpo se mexe.
Samba
de gafieira Pode
ser moderado ou acelerado. Seus passos começam com variações
fáceis, mas evoluem para movimentos intensos em passos como puladinho,
balão apagado, tesoura e trança. Tango
É
o mais sensual e o mais difícil. O ritmo é moderado, mas as pernas
se movimentam em giros e passos complexos. É preciso sintonia para executá-los.
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