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PERFIL
A disciplina da paixão
Os premiados Ana Teixeira
e Stephan Brodt estréiam
peça cigana
Debora Ghivelder
Ricardo Fasanello/Strana
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| Ana e Stephan, na sede da companhia: trabalho
diário e muita pesquisa |
A diretora paulista Ana Teixeira e o ator francês Stephan
Brodt conheceram-se na parisiense Escola de Etienne Decroux, em
1989. Casaram-se e da união nasceram Joana, 6 anos, e a Amok,
companhia teatral da dupla, no oitavo ano de existência. Desde
o berço, o grupo ostenta trajetória de êxitos.
O primeiro espetáculo, Cartas de Rodez, calcado na
correspondência trocada entre o dramaturgo e então
interno de um hospício Antonin Artaud e seu médico,
doutor Fredière, foi acolhido com os prêmios Shell
(direção e ator) e Mambembe (espetáculo) de
1998. O segundo, Carrasco, foi eleito o melhor espetáculo
de 2001 pelo júri do Prêmio Governo do Estado do Rio
de Janeiro. O terceiro, Macbeth, de 2004, colecionou indicações
e elogios superlativos. Após uma gestação de
dois anos, Ana e Stephan estréiam na quinta-feira (6), no
Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil, Savina, uma
história cigana de amor e morte nos moldes de Romeu e
Julieta (veja mais informações).
Apesar da trama de desfecho trágico, a diretora Ana Teixeira
garante que entra em fase mais luzente. "Encerrei com Macbeth
o ciclo de sombras da companhia", diz ela.
Quem já viu os espetáculos da Amok
– nome retirado de um livro do judeu-austríaco Stefan Zweig
que quer dizer febre tropical psicológica – sabe do cuidado
que cerca o trabalho do grupo. Eles têm devoção
que beira o sacerdócio e encaram o fazer teatral com dedicação
de artesãos. "Eles têm extremo cuidado com tudo o que
fazem e trabalham com muita paixão e disciplina", opina a
crítica de teatro Bárbara Heliodora. Com Savina
não é diferente. A história da peça
é construída com base na obra do escritor cigano Mateo
Maximoff, famoso na Europa e pouco conhecido por aqui. Nos últimos
dois anos, a Amok mergulhou em uma pesquisa minuciosa, que incluiu
até uma viagem à Índia. Na sede da Rua das
Palmeiras, em Botafogo – adquirida com o prêmio de 100.000
reais ganho por O Carrasco –, o casal e os sete atores do
elenco estudaram as origens ciganas, seus diferentes ramos, costumes
e o idioma romani. O trabalho era diário e com hora marcada,
das 8 às 13 horas. É esse trabalho esmerado que conquista
gente como o ator Sérgio Britto. "Acompanho a Ana e o Stephan
desde sempre. Vi até o Dibuk, que eles encenaram com
alunos da Cal. O trabalho deles é único no Rio", diz.
Ana Limp
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| Cena de Savina: universo cigano construído
com ricos detalhes |
Savina conta a história de um
casal prometido pelos pais em casamento antes mesmo do nascimento.
A promessa, entretanto, não é honrada, e a história
termina em sangue. "Nada é mais importante para os ciganos
do que a palavra dada", explica Ana, que na peça abusa do
preto e do vermelho em figurinos ricos e detalhistas. Moedas douradas,
correntes, chapéus e barbas negras compõem o visual
dos membros da tribo cigana. O cenário tem panos comprados
de ciganos na Índia após dura negociação.
"Foi uma loucura. Eles são excelentes negociantes e nos vêem
como gadjos, não-ciganos. Não facilitam nada
no preço", conta Ana, que pechinchou muito numa loja empoeirada
para voltar com os objetos que classifica como obras de arte. Tudo
para criar o clima gitano em que o jogo de luz e sombra lembra telas
de Vermeer. Para que o público possa usufruir essa
atmosfera, a dupla resolveu virar de ponta-cabeça o teatro:
prolongou o palco sobre a platéia e construiu arquibancadas.
Uma garantia de proximidade da audiência com os ciganos, talhados
com acurado trabalho corporal. Eles têm gestos e andar largos
e ostentam um jeito espaçoso de ser, expresso em cada movimento.
Sente-se a influência da escola do Théâtre du
Soleil e da cartilha Etienne Decroux, autor de uma gramática
corporal para atores. "Eu sempre achei que Ana daria uma excelente
coreógrafa ou diretora. Ela é precisa e, ao mesmo
tempo, sabe dosar", diz Angel Vianna, mestra da diretora nos anos
que antecederam a ida à França. "O trabalho dela me
emociona", diz Angel. Essa é a intenção.
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Glórias do passado
Cartas de Rodez
Renata Collaço
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O Carrasco
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Divulgação
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