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5 de abril de 2006

REPORTAGEM DE CAPA
PERFIL
MODA
ENTRETENIMENTO
VEJA RIO 15 ANOS
OPINIÃO DO LEITOR
BEIRA-MAR
AS BOAS COMPRAS
CRÔNICA
  

CRÔNICA

Varejo

Manoel Carlos

ALIANÇAS

Não me acho conservador, mas sei que, em alguns momentos da vida, uma postura mais rígida, pelo menos quanto aos costumes, se faz necessária. Algumas vezes sou acusado – a palavra é essa – pela minha mulher de ser liberal demais na educação dos nossos filhos.

– Imponha certos limites. Entre um sim e outro, coloque um não.

Leo Martins


Minha mulher é devoradora desses livros que tratam da educação e do comportamento de crianças e jovens. Eu, na medida do possível, procuro ouvi-la.

Mas voltemos ao conservadorismo. Eu me vi, dia desses, no centro de uma discussão entre casais de amigos. Era sobre o uso ou não da aliança, para casados, no anular da mão esquerda. Ah, se vocês vissem como caíram em cima de mim!

– Você é preconceituoso! – me disse a Marta.

– Retrógrado – exagerou o Amilcar, marido dela.

– Nunca pensei! – exclamou a Laura, o olhar cheio de tristeza.

– Nossa! – bradou a Ângela –, que coisa mais antiga!

Por que tanta indignação?, perguntarão meus possíveis leitores. E eu respondo: porque sou a favor. A favor do uso da aliança para casados. Pois foi por isso.

Diante dessa minha declaração, talvez até, entre esses poucos que me lêem neste momento, alguns deixem a revista de lado e saiam para aproveitar o domingo no calçadão, exclamando:

– Mas esse cronista é antigo demais! Xô, xô, sai pra lá, senhor anacrônico!

Pode ser.

De qualquer forma, assumo. Uso aliança. Sempre usei. No primeiro, no segundo e neste terceiro casamento, em que me encontro há mais de 25 anos!

Quando me perguntam o motivo dessa minha opção, tenho certeza de que ela está ligada à tristeza da minha mãe pelo fato de meu pai não usar no dedo esse símbolo do matrimônio. Quer dizer: usar, usou. Usou nos primeiros anos de casado – de 1928 a 1931. Mas, num gesto generoso, doou a aliança à campanha Ouro para o Bem de São Paulo, contribuindo assim para o movimento paulista na Revolução de 1932.

Minha mãe não se conformava. E até morrer (de aliança), com mais de 90 anos, ainda repetia:

– Ele tinha abotoaduras, prendedores de gravata, uma coleção de moedas. Tudo de ouro. Por que foi doar logo a aliança?

Essa queixa marcou a minha infância.

RIO 40º

O calor desse último verão me trouxe à memória o conto Luiz Soares, de Machado de Assis, que li há muitos anos. Procurei e encontrei-o nos Contos Fluminenses. Leiam comigo as dez primeiras linhas:

"Trocar o dia pela noite, dizia Luiz Soares, é restaurar o império da natureza, corrigindo a obra da sociedade. O calor do sol está dizendo aos homens que vão descansar e dormir, ao passo que a frescura relativa da noite é a verdadeira estação em que se deve viver. Livre em todas as minhas ações, não quero sujeitar-me à lei absurda que a sociedade me impõe: velarei de noite, dormirei de dia".

Fica a sugestão. Eu já faço a troca quando escrevo novela.

ARRASTÃO

A lembrança positiva que se tem dessa palavra está ligada à letra de Vinicius para a música de Edu Lobo, que ganhou o 1º Festival de Música Popular Brasileira, em 1965, na voz de Elis Regina.

Hoje, para além de todos os seus significados, o que a palavra nos lembra é a violência que ocorre nas praias cariocas, quando centenas de pessoas são roubadas e agredidas por centenas de outras. Isso acontece em todo o Rio de Janeiro, inclusive no Leblon.

CELULAR & CELULARI

Os celulares não funcionam. Eu ligo um número e ouço a mensagem que diz: o número discado não está correto. Ou então: esse aparelho não recebe ligações a cobrar. E no entanto o número que eu disco é o da minha casa. Desisto. O único celular que funciona no Brasil é o Edson. Mas ele é Celulari, que é o que faz a diferença.

CONSELHO

Não te abras com teu amigo,

Que um outro amigo tem.

E o amigo do teu amigo

Possui amigos também.

Mário Quintana

E-mails para o cronista: almaviva@uninet.com.br

     
   

 

 
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