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REPORTAGEM
DE CAPA
O
pulo da gata
Como
Aline Moraes deixou para trás
a infância de patinho feio e se
transformou na beldade do momento
Cristina
Grillo
Ricardo Fasanello/Strana
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| Aline:
de menina magrelinha na escola a protagonista da novela das
7 |
Os
meninos de Sorocaba, no interior de São Paulo, devem estar
morrendo de arrependimento. A garotinha alta e magrela que na escola
era atormentada por coleguinhas pelos apelidos de "Bocão"
e "Olívia Palito" mudou. Conquistou o público em Mulheres
Apaixonadas com a personagem Clara, uma das pontas do pudico
romance gay da novela; transformou-se num rosto disputado
e bem pago no mercado publicitário brasileiro; prepara-se
para ser uma das protagonistas da próxima novela das 7, Da
Cor do Pecado. E, prestes a completar 21 anos, é sem
sombra de dúvida um mulherão, daquele tipo que fica
deslumbrante de calça jeans, camiseta e sandália havaiana,
sem um pingo de maquiagem. "Eu me acho bonita, não dá
para mentir, mas trabalho com isso há tanto tempo que não
é uma coisa em que eu pense", diz.
Há
tanto tempo significa os últimos oito anos. Desde o dia em
que caiu nas mãos de Ana Cecília, mãe de Aline,
uma revista que promovia um concurso para escolher uma beldade no
início da adolescência. À vencedora, a capa.
"Eu sei que toda mãe diz isso, mas Aline era muito bonitinha.
Então eu mandei fotos dela sem que ela soubesse", conta Ana
Cecília. Se fosse num conto de fadas, o resultado não
seria melhor: a linda mocinha às vésperas dos 13 anos
ganha a capa da revista, logo depois é selecionada para a
campanha publicitária de uma badalada grife de jeans e engrena
com uma temporada em Tóquio, meca das modelos teens. "Lá
em Sorocaba não me preocupava com moda. Nunca havia saído
do Brasil e quando cheguei a Tóquio achei que tinha caído
em outro planeta." Em outro mundo, mas bem acompanhada e
bem vigiada: a mãe foi junto. Aline não passou por
aqueles microapartamentos em que se amontoam dezenas de modelos
vivendo à base de folhas de alface
não para manter a forma, mas para economizar. As duas alugaram
um quarto na casa de uma família japonesa, com direito a
freqüentar a cozinha e preparar pratos que se assemelhassem
àqueles feitos em casa, no Brasil. "Como é que eu
ia largar uma menina de 14 anos sozinha no mundo? Ela é minha
única filha, e eu tinha de dar apoio. Deixei o trabalho e
fui junto", relembra Ana Cecília.
Fotos de arquivo pessoal
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| Seis
momentos de Aline: ainda bebê e num dos primeiros desfiles
em Sorocaba (no alto); com uma equipe de produção
durante a temporada no Japão (imediatamente abaixo);
estilo sexy em editorial de moda e em capa de revista aos 14
anos (abaixo, à esq.); e jeito de Isabela Rosselini
na capa
de revista italiana |
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Tóquio,
Paris, Milão, Nova York. Algumas capas de revistas, alguns
anúncios, algum prestígio. "Fazia muitas fotos, mas
não emplaquei em passarela porque sou baixinha (mede 1,73
metro, pouco para os padrões do mundo da moda). Dinheiro
que é bom, eu não ganhava, porque, como minha mãe
ia junto, a despesa era dobrada." O jeito foi, numa das voltas ao
Brasil, aceitar o conselho de amigos, apostar na publicidade e em
testes para a TV. "Eu insistia na moda, mas percebi que já
não era tão solicitada. A moda é assim, muda
e te deixa para trás." Sorte do público, que ganhou
uma bela atriz mesmo que, no início, as perspectivas
não tivessem sido as melhores. "Ela fez teste para Presença
de Anita, mas o papel ficou com a Mel Lisboa", conta a mãe.
O rosto anguloso e a boca carnuda chamaram a atenção
do diretor da TV Globo Ricardo Waddington, que a incluiu no elenco
de Coração de Estudante, estréia da
moça na TV. Daí para uma participação
especial em Os Normais e para o polêmico papel em Mulheres
Apaixonadas, menos de um ano se passou.
Fotos de arquivo pessoal
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| Camaleão:
o
estouro na TV como Clara, em Mulheres Apaixonadas,
ao lado de Paula Picarelli (no
alto, à esq.); a estréia, em Coração
de Estudante
(no
alto, à dir..), no papel de mãe solteira;
participação especial em episódio de
Os
Normais (abaixo) e com os cabelos encaracolados em editorial
de moda de revista francesa
(abaixo, à dir.) |
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A
criação de Clara, a adolescente que tem um romance
com a colega de escola Rafaela, papel de Paula Picarelli, aconteceu
aos poucos. "No início, só sabíamos que seríamos
amigas, mas começamos a desconfiar porque todas as reuniões
de núcleo juntavam vários atores, e as minhas eram
só com a Paulinha", diz Aline. Quando o caminho da personagem
ficou definido, a atriz avisou à mãe o que viria pela
frente. "No primeiro momento, fiquei preocupada que isso pudesse
prejudicar a imagem dela. Depois, fiquei mais preocupada ainda porque
lembrei que teria de contar para a avó dela", diz a mãe.
Dona Maria Dorelli Randazzo, 83 anos, não gostou mesmo de
saber qual seria a participação da neta na novela.
"Ela é uma senhorinha de idade, foi um pouco difícil.
Só ficou mais tranqüila quando eu disse que não
teria beijo", conta Ana Cecília.
A outra preocupação da mãe possíveis
arranhões na imagem da filha mostrou-se infundada.
Aline está em campanhas publicitárias de empresas
de telefonia, cerveja e sandálias, entre outras. Os tempos
em que o trabalho era muito e o dinheiro pouco ficaram no passado.
Como todo artista que se preza, Aline não abre a boca quando
o assunto é o valor dos contratos, mas estimativas do mercado
publicitário avaliam que a moça não saia de
casa para fazer uma campanha por menos de 150.000 reais. O pé-de-meia
já foi suficiente para a atriz comprar um apartamento no
Recreio dos Bandeirantes, para onde se muda em breve com o namorado,
o galã de Malhação Cauã Reymond,
23 anos. "Ela é minha princesa, me transformou num homem,
me deu responsabilidade. Até os momentos mais chatos de uma
vida a dois são ótimos com ela", derrama-se Cauã,
também um ex-modelo transformado em ator, trajetória
semelhante à da namorada. "A gente se esbarrava pelo mundo,
trabalhando em Paris, Nova York. Mas o lance só rolou quando
nos vimos no Projac", diz ele. O namoro da lindinha da novela das
8 com o bonitão de Malhação virou assunto
de todas as colunas principalmente por causa de supostas
desavenças entre os dois. "Brigamos como qualquer casal.
Aposto que o Brad Pitt e a Jennifer Aniston também brigam.
Mas estamos cada vez mais fortes juntos", afirma Cauã.
João Miguel Jr/Rede Globo/Divulg.
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| Cauã:
encontros em Paris, namoro no Rio |
A
dupla se prepara agora para dividir também a cena. Os dois
estarão em Da Cor do Pecado, novela de João
Emanuel Carneiro que estréia no fim de janeiro. Ela será
Moa, uma surfista que disputará o amor do bonitão
Reynaldo Gianecchini com a atriz Taís Araújo. Ele
será Thor, irmão do personagem de Gianecchini na trama.
"Talvez eu fique com um pouco de ciúme, mas tenho feito aulas
de interpretação com ela para me acostumar com a idéia",
confessa Cauã. A princípio, Taís Araújo
deverá levar a melhor. Pelo menos é essa a intenção
do autor. "A personagem de Aline pode crescer e se tornar uma concorrente
muito séria para a personagem de Taís, mas os autores
sempre guardam trunfos na manga. Eu posso transformar a Moa numa
mulher cruel, que afoga criancinhas, por exemplo", brinca João
Emanuel.
Sobre uma coisa não resta dúvida: os meninos de Sorocaba
carregam enorme culpa por ter azucrinado a vida da magrelinha Aline.
"Encontro com coleguinhas dela nas ruas e eles me dizem: 'É,
tia, se eu soubesse que ela ia ficar assim, não a tinha chamado
de Bocão'", diz Ana Cecília. Pobres rapazes!
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Belas
das 8
Rafael Campos
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Aline
Moraes não foi o único
rostinho bonito a conquistar o público de Mulheres
Apaixonadas: a Gracinha, interpretada pela ex-modelo
Carol Castro (à esq.), ganhou importância
ao longo da trama graças ao trabalho da atriz |
João Miguel Jr/Rede
Globo/Divulg.
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Regiane
Alves (à esq.) já havia chamado a
atenção em Laços de
Família,
como a chatinha Clara, mas com a malvada Dóris
entrou para a galeria dos grandes vilões da TV:
o nome virou apelido para aqueles que tratam mal velhinhos
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