Um novo quadro

Informática nas salas de aula muda
relação entre alunos e professores

Fotos André Nazareth/Strana
na
Computadores na aula: introduzidos há onze anos no Andrews (à esq.), eles transformam o espaço escolar no CEL

O admirável mundo novo da informática é uma realidade nas escolas da cidade. Na esmagadora maioria das instituições pesquisadas por Veja Rio-Ipsos Marplan, o computador é uma ferramenta que já faz parte do cotidiano do estudante. Em 97% dos 200 estabelecimentos existem laboratórios de informática. Em 88,7% há conexão com a internet. Os pais já têm acesso às notas dos filhos pela internet em 31% das escolas, e alunos podem contatar professores em 34%. "Os investimentos estão mudando o perfil da cesta básica de uma escola, que agora gasta em média 20% de seu orçamento em tecnologia", afirma José Antônio Teixeira, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Município do Rio de Janeiro.

Mais que simplesmente onerar o orçamento das escolas, a implantação dos novos recursos tem exigido um esforço especial dos professores para se manterem atualizados. "O computador nunca vai substituir o homem", afirma Lúcia Beatriz Carregal Villar, responsável pela implantação da informática no Colégio Andrews há onze anos. "Mas agora o professor precisa dominar essa tecnologia e suas possibilidades", analisa. Ela toma grande cuidado ao visitar os sites que pretende indicar como fonte de pesquisa, principalmente quando está lidando com adolescentes. "Eles são um perigo. Seus conhecimentos de internet muitas vezes superam os nossos", afirma. Nem sempre é fácil para o mestre se adaptar a um universo em que até a linguagem é estranha, com termos como "deletar", "clicar" e "formatar". "Há muita desconfiança entre os professores. É preciso que eles estejam preparados para lidar com essas mudanças", afirma Regina de Assis, presidente da MultiRio, empresa de multimeios da prefeitura. Ela lidera no momento um megaprojeto de informatização das escolas públicas municipais que prevê a reciclagem de 32.000 professores. "Quando a gente fala em informatização, não está se referindo simplesmente à instalação de um micródromo, uma sala cheia de computadores. A verdadeira revolução é feita quando o computador entra efetivamente na sala de aula", diz Regina, que até 2004 planeja colocar dois equipamentos em cada uma das salas que abrigam turmas da 4ª à 8ª série no município. "Só assim ele vai se tornar um instrumento de trabalho tão importante quanto um livro ou um telescópio", analisa.

Por enquanto, o computador dentro da sala de aula ainda permanece longe da realidade da maioria das escolas particulares. A pesquisa Veja Rio-Ipsos Marplan indica que 63,5% dos estabelecimentos não dispõem de computador com projetor acoplado em nenhuma de suas classes. Alguns educadores acreditam que a chegada do equipamento deverá acarretar uma grande transformação no aspecto físico da sala de aula. É o que imagina a diretora de informática do Centro Educacional da Lagoa, Laura Coutinho. Na unidade Barra, funciona desde o início do ano o projeto piloto de uma sala de aula interativa, um espaço totalmente diferente do que abrigava o velho cuspe-e-giz. "Esse novo modelo leva em consideração que o professor deixou de ser o único elemento animador do processo de aprendizagem. Ele é o dono da arte de ensinar, mas não é o dono do saber", conceitua Laura.

A sala futurística na Barra não tem carteiras. Em seu lugar foram instaladas bancadas – estações de trabalho –, onde quatro ou cinco garotos compartilham um computador. Há também um recanto com poltronas, televisão e vídeo. Nesse espaço, a turma é convidada a desenvolver projetos multidisciplinares que tratam de diferentes problemas da comunidade, seguindo um "planograma". Cada grupo trata de uma diferente faceta do trabalho. "Eles sãos departamentos de uma empresa do conhecimento", explica Laura. Ela chama a atenção para o fato de os garotos precisarem desenvolver o sentido de organização e colaboração, como acontece depois no mercado de trabalho. O resultado desse projeto pode ser uma página na internet ou uma campanha de conscientização para os moradores do bairro. Outra experiência com informática já consolidada é o que Laura chama de home school, o acesso às aulas e a exercícios que pode ser efetuado de casa.

Nem só de computadores é feito o esforço de uma escola para se manter em dia com a tecnologia. Em 63% dos estabelecimentos existem salas de multimídia, com videocassetes ou DVDs. Somente 25% das escolas dispõem de laboratórios especializados de química, física e biologia. Em 73%, encontra-se apenas o polivalente laboratório de ciências. Alguns investimentos têm caráter preventivo. Por causa da crise de energia, o Colégio pH decidiu instalar geradores em suas três unidades.

 

O que as escolas oferecem

Auditório
60%
Laboratório de línguas
7,5%
Laboratório de ciências
73%
Laboratório de informática
97%
Sala de multimídia
63%
Biblioteca
97%
Ateliê de artes
53,5%
Refeitório
61,5%
Horta
29,5%