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Liberdade
e limites
Usar
piercing, namorar no pátio
e fumar no recreio: as proibições dos
colégios variam de um para outro
Rafael
Maranhão e Gustavo de Almeida
André Valentim/Strana

A
Edem dispensa o uso de uniforme: regras de disciplina
mais flexíveis |
Assim que se abrem os portões do Colégio Santo
Agostinho da Barra para a saída dos estudantes, é
difícil localizar Frederico no meio da turba. Um minuto
depois, porém, o garoto, cabelo tingido de verde e
azul, chama a atenção entre centenas de jovens
uniformizados. Para a transformação, Frederico
Mitchell, da 8ª série, precisa apenas de um spray
de tinta e, fundamental, estar fora da escola. No dia seguinte,
retorna ao Santo Agostinho com o cabelo na cor natural. Faz
parte do jogo. Antes do início do ano letivo, estudantes
e pais já sabem as regras disciplinares do colégio.
O que, no decorrer do ano, não livra coordenadores
pedagógicos e disciplinares de pedidos para amenizar
ou recrudescer normas. Cabelo colorido, piercing, calça
jeans com stretch, camisa com manga cortada ou decotada estão
proibidos por lá. O portão do colégio
é fechado pontualmente, e quem chega atrasado não
entra.
Ex-aluna
do Santo Agostinho, a analista de sistemas Sylvia de Oliveira
e Cruz matriculou na Escola Parque as filhas, Lígia
e Branca. "Elas são muito certinhas, e o Santo Agostinho,
também. A pessoa sai do colégio e tem de fazer
as próprias regras. Se sempre lhe dizem o que fazer,
isso se torna complicado", acredita. Antes que pensem que
na Escola Parque tudo é permitido, a diretora pedagógica
Patrícia Lins e Silva, 55 anos, lembra que lá
as regras existem e devem ser respeitadas. Em abril, quatro
alunos da 1ª série do ensino médio foram
expulsos por ter sido flagrados fumando maconha em uma excursão.
Na escola, brinco e piercing são permitidos; cigarro,
uniforme desalinhado e atraso, não. "Não vejo
grande diferença entre nós e outros lugares,
temos os mesmos problemas. Mas não há regra
que não possa ser questionada", diz Patrícia.
Criada em 1970 como a Escola Parque, a Edem, no Flamengo,
não exige uniforme. Tampouco há inspetores por
lá. As regras são discutidas com os alunos.
"Mas temos limites. As coisas são toleráveis
desde que não firam o contrato da escola com os pais",
esclarece a diretora Judy Galper.
Dilmar Cavalher/Strana

Sistema
interno de TV do CEL: preocupação com a
segurança |
A escola
Oga Mitá, na Tijuca, não tem ensino médio.
É uma instituição pouco convencional,
a começar pela identificação das turmas,
feita por nome de tribos, e não por número.
É permitido fumar no pátio, e a única
parte do uniforme obrigatória é a camisa. "Minha
maior preocupação ao optar pelo Oga Mitá
é que ele ajudasse meus filhos a ter pensamento crítico",
diz a psicóloga Analucia Cossich Coelho. Depois do
Oga Mitá, ela teve dificuldade para escolher outro
colégio para a filha, Helena. A jovem estranhou as
regras mais severas. Na Edem, ocorre outro tipo de estranhamento
aos recém-chegados. "Em um primeiro momento, as crianças
se surpreendem com aquela liberdade toda. Até perceberem
que não precisam mais agir de uma maneira na frente
dos pais e mudar de atitude quando eles vão embora",
observa Judy Galper. O tradicional Santa Marcelina, no Alto
da Boa Vista, já teve normas inflexíveis. Mantém
a proibição a piercing, tatuagem e cigarro,
mas modificou o sisudo uniforme para um conjunto de malha,
com opção de bermuda. Namoro no pátio
está liberado. "Continuamos primando pela qualidade,
mas não buscamos a disciplina pela disciplina. Discutimos
sobre drogas e sexualidade com os estudantes. É a liberdade
com autonomia", diz a psicóloga do colégio,
Ilse de Araújo dos Santos.
Normas
mais brandas não são as únicas mudanças
por que passam os colégios. Uma área que nada
tem a ver com pedagogia, mas, sim, com disciplina, vem se
modificando a olhos vistos: a segurança. Vigias com
radiotransmissores, câmaras internas e alarmes infravermelhos
já compõem o cenário de escolas particulares
do Rio. No Centro Educacional da Lagoa, no Humaitá,
seguranças patrulham as ruas em volta do colégio,
que é munido de câmaras internas e alarmes. No
Anglo-Americano da Barra, a entrada dos alunos se faz com
cartões magnéticos. A Escola Americana, na Gávea,
instalou um sistema de câmaras internas. No Centro de
Educação e Cultura da Barra, o sistema de catracas
é integrado à rede de 110 computadores usados
por alunos e professores. Horários de entrada e saída
são controlados. Todos os dados dos alunos vão
direto para o site da instituição. Apesar do
rigor, o CEC descarta o uso de circuito interno de TV. "Não
seria saudável para o aluno ter um olho sempre a vigiá-lo",
diz a diretora pedagógica Taís Cardoso.
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As
regras do jogo
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Sim
(%)
|
Não
(%)
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| Tem
controle de acesso? |
89
|
11
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| Os
pais são avisados no mesmo dia em caso de falta? |
65
|
35
|
| É
permitido fumar? |
4
|
96
|
| É
permitido namorar? |
32
|
68
|
| Os
alunos do ensino médio podem entrar e sair
livremente da aula? |
3
|
97
|
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