Qual escola escolher?

Fundamental para os pais, esta
decisão não deve depender apenas
de critérios subjetivos

André Nazareth/Strana
Colégio São Vicente de Paulo: sexto do ranking


Os
especialistas em educação afirmam que matricular os filhos numa escola é das decisões mais importantes que os pais tomam na vida. Afinal, cabe à escola, a um só tempo, transmitir conhecimento ao jovem, inspirar a sua escolha profissional e influenciar na moldagem do seu círculo de amizades. Como se fosse pouco, a escola também interfere na visão de mundo deste jovem e na forma como ele se posicionará diante dos desafios da vida adulta. Curiosamente, não obstante as implicações dessa decisão, o colégio acaba sendo selecionado de forma predominantemente subjetiva, com um certo ar de loteria. É claro que as pessoas buscam conhecer as instalações onde o filho vai estudar, lêem a respeito das escolas e conversam com amigos. Mas a dose de subjetividade permanece. Falta informação. Quem já não descartou uma escola depois de ouvir um comentário do tipo "aquele colégio piorou muito de uns anos para cá", feito por um colega de trabalho?

Para aumentar a taxa de racionalidade dessa tarefa árdua, Veja Rio oferece aos leitores um trabalho que a imprensa brasileira jamais ousou realizar: um ranking com as melhores escolas particulares com ensino fundamental e médio da cidade. Trata-se de um levantamento exaustivo que mobilizou mais de sessenta pessoas entre repórteres e pesquisadores, durante dez meses. Para definir essa lista com as melhores instituições do Rio, a revista preparou um questionário com noventa perguntas, resultado de uma centena de entrevistas com estudiosos do campo da educação, entre diretores de escola, especialistas de universidades e do governo, psicólogos e psicopedagogos. Há questões ligadas à qualidade do corpo docente, conduta pedagógica, instalações, disciplina e às relações com os pais. Por orientação dos especialistas, decidiu-se incluir no estudo apenas as grandes escolas, aquelas que oferecem o ciclo completo, incluindo o ensino fundamental e o médio, antigamente chamados de primário, ginásio e colegial. A aplicação do questionário em 266 escolas ficou a cargo do Instituto Ipsos-Marplan, um dos mais renomados do Brasil. O resultado final é um ranking com as trinta melhores escolas.

A jornalista escalada para comandar tal empreitada foi Lívia de Almeida, que trabalha há dez anos na revista. Com três filhos (7, 9 e 11 anos), ela tem na educação uma preocupação cotidiana. Nas horas vagas, encontra tempo para contar histórias para platéias de todas as idades e está terminando um livro, em inglês, sobre a tradição oral brasileira, que deve ser publicado nos Estados Unidos no próximo ano. Sua impressão sobre o trabalho pode ser assim resumida: "Esse trabalho não reduz a angústia da escolha, mas oferece padrões técnicos de comparação que podem desfazer algumas dúvidas", afirma Lívia.