UMA NOVA MISSÃO

Os bispos progressistas queriam uma Igreja
com a missão obrigatória de participar da luta pelo
progresso material da América Latina.
Conseguiram a adesão dos indecisos e venceram.
A CELAM, vista pelo enviado Fernando Semedo

Quase trezentos bispos passaram duas semanas em Medellin discutindo os caminhos da Igreja na América Latina. Dom Antônio Samore, no centro, foto acima, representou o Papa. Diz que o Vaticano acatará as decisões
da CELAM

O padre mostrava "slides" coloridos e gráficos com muitos números: a América Latina tinha 200 milhões de habitantes em 1960, hoje tem 264 milhões e no fim dêste século deverá alcançar 638 milhões. A renda per capita na América Latina está perto dos 350 dólares anuais — NCr$ 1.267,00. Apenas cinco países no continente todo têm índice de analfabetismo inferior a 20% e três outros chegam a ter mais de 60%. Em 1965, 51% da população em idade escolar freqüentava escolas e uma projeção bastante otimista mostra que são necessários pelo menos doze anos para chegar a 98%. A expansão demográfica não corresponde a um aumento no númento dos padres: há cada vez menos padres e cada vez mais fiéis. O número de habitantes por paróquia urbana, por exemplo, já ultrapassou os 18 mil e continua crescendo verticalmente. No auditório, quase trezentos católicos de tôda a América Latina, os participantes da II Conferência do Conselho Episcopal Latino-Americano, viram e ouviram tudo com atenção. Depois passaram duas semanas dentro do seminário maior de Medellin, Côlombia, discutindo dia e noite para pôr a limpo omissões e culpas do passado e traçar em planos a responsabilidade que a Igreja Católica assume no trabalho de transformar a América Latina.

Os três grupos — No comêço ainda era possível distinguir três tipos de participantes. Uma minoria que não sabia bem porque estava lá, não via meios nem acreditava na conveniência de a Igreja se comprometer com a mudança de uma realidade pouco animadora. Outra minoria — a "minoria de Abraão", como a chama Dom Helder Camara — cheia de idéias, disposta a discutir e a mostrar que êsse compromisso é missão obrigatória de quem se considera parte do povo de Deus. E uma maioria indecisa, insatisfeita com a realidade, receptiva ao diálogo, mas sem saber precisamente como assumir êsse compromisso. Ao longo das duas semanas, a "minoria de Abraão" comandou o grande grupo dos indecisos e, juntos, atenderam a pelo menos uma das recomendações que o Papa lhes havia feito em Bogotá: a de "virar uma página da História da Igreja latino-americana". "Não esperem os milagres", disse Dom Avelar Brandão, brasileiro, bispo de Teresina, um dos três presidentes da Conferência, no dia do seu encerramento. "Para que tudo isso se efetive, é preciso uma mobilização geral de todo o povo cristão, dentro e fora da Igreja. Todos têm de ser sensibilizados pela ideologia dos documentos finais da Conferência, para salvação dos povos da América Latina."

O povo e seus pastôres — Êsses documentos foram elaborados por dezesseis comissões e resumidos num único que será entregue ao Papa. Uma declaração final, feita pelo Cardeal Antônio Samore, representante de Paulo VI, não convenceu muita gente de que seu autor leve nos documentos aprovados a "prudência" que parecia desejar. A sua preocupação com o rumo das posições assumidas pelo episcopado chegou a ser confessada por alguns bispos durante a Conferência. E tampouco lhes devem ter agradado os aplausos recebidos por D. José Pires, bispo negro de João Pessoa, quando êste pediu em plenário que todos pensassem principalmente no povo de que são pastôres, "sem mêdo do que Roma possa pensar sôbre as nossas decisões". A própria autorização para publicação imediata dos documentos — embora êles só ganhem a categoria de oficiais após o exame papal — foi vista como mais um fruto do trabalho dos progressistas. Samore declarou à imprensa que o Vaticano "poderá alterar uma frase, uma palavra, não a substância". Mas há quem se sinta mais seguro apoiado na ampla divulgação dêles, e um religioso chegou a afirmar: "Nada mais lógico. Fizemos os documentos para o povo e não para o Papa. Mantê-los em segrêdo seria defraudar a expectativa de quem solicita de nós uma tomada urgente de posição".

Visão da realidade — Tôdas as passagens do documento, mesmo as que não se referem diretamente ao problema social, estão marcadas pela preocupação de não perdê-lo de vista. Fala-se, com insistência, em "massas marginalizadas que precisam ser integradas na vida econômica das nações". E na parte que se refere especìficamente ao problema social há denúncias contundentes. Afirma a existência na América Latina de "uma conspiração calada e eficaz contra a paz", cujas causas se encontram no "colonialismo interno" e nos "monopólios internacionais". Considera a situação social do continente como "uma violência institucionalizada". Finalmente, o documento adverte: "Não devemos estranhar a tentação da violência. É mais surpreendente a paciência de um povo que suporta durante anos uma condição que não aceitariam nunca os que têm uma consciência desenvolvida dos direitos humanos".

Resposta à violência — Quanto à definição do direito de resposta a essa "violência institucionalizada", vai mais longe que todos os documentos anteriores ao afirmar que a "tirania", justificativa dessa resposta, não precisa ser necessàriamente pessoal, porque pode ser de estruturas. Por isso os bispos fazem um apêlo: "Chamamos de maneira urgente a quantos participam nas responsabilidades e na posse dos bens, a fim de que não utilizem a posição pacífica da Igreja para impedir as transformações profundas que são necessárias. Se retêm seus privilégios usando meios violentos, se fazem responsáveis, ante a História, de provocar as revoluções explosivas do Desespêro". A Conferência não fêz polêmica nem tomou as "posições avançadas" tão esperadas, especialmente pelos observadores e jornalistas europeus e americanos, em relação à encíclica "Humanae Vitae", sôbre a pílula anticoncepcional. Apenas repetiu o próprio Papa ao afirmar que a encíclica "não diminui a responsabilidade nem a liberdade dos cônjuges, aos quais não proíbe uma honesta e razoável limitação da natalidade, nem terapêuticas legítimas, nem o progresso da investigação científica". Mas fêz a condenação de todo programa que procure um contrôle da natalidade a qualquer preço.

Um jôgo à parte — Cinco bispos colombianos, certamente não acostumados com o repertório de idéias mais progressistas que predominou na Conferência, assinaram um manifesto reprovando as conclusões da CELAM, mas perderam o prazo regimental para entrega do documento à discussão. Publicaram-no então pelos jornais na véspera do encerramento da Conferência, evidenciando o abalo que as novas idéias causaram na conservadora Igreja colombiana — além da intenção de clamar logo, para consumo interno, "não concordamos com isso". Agora que a Conferência acabou, permanece a dúvida sôbre os motivos que mantiveram fora dos debates o problema das relações Igreja — Estado e do celibato clerical.

As dúvidas que ficam — E ficam as perguntas: 1) Que condições para aplicar os planos de trabalho agora aprovados terão as igrejas dos vários países latino-americanos onde ainda existem concordatas entre Igreja e Estado, origem de privilégios que ela diz querer dispensar? 2) Como suprir a falta crescente de sacerdotes, se o número de candidatos aos seminários diminui, enquanto aumenta o de padres que abandonam a batina para casar? A Conferência apenas reiterou a conveniência da ordenação de diáconos casados. Mas vetou sistemàticamente as tentativas de discutir o assunto celibato. O Padre Boaventura Kloppemburg, diretor da "Revista Eclesiástica Brasileira", participante da Conferência como perito teólogo, explica sorrindo por que o celibato continua sendo mantido: "Os bispos são muito valentes quando se trata de reformas externas. Na hora das reformas internas da Igreja, recuam".

Até o fim — Mas há um grupo que pretenderia ir muito além das conclusões da CELAM e levar a "luta pela justiça social" às últimas conseqüências: os "camilistas". Durante a reunião da CELAM apareceu silenciosamente debaixo das portas dos aposentos de bispos e padres um manifesto impresso em duas fôlhas e assinado por trinta padres "camilistas". Essencialmente, pediam ação concreta: "O que importa no mundo de hoje não é a verdade teórica. Na realidade, o que não leva ao compromisso na ação é uma verdade pela metade". Exigiam também uma ação política: "Hoje em dia, não se pode desvincular o problema social do problema político. Em conseqüência, afirmamos com tôda clareza: a solução do problema social está na ordem política, ou seja, trata-se de um compromisso concreto com as mudanças na sociedade a partir de programas e de linhas de ação. Quando dizemos que comprometer-se em política é o melhor meio de amar e de trabalhar pelos pobres e os marginalizados, não queremos dar a entender que estamos de acôrdo com uma Igreja que por temor ao servilismo abdica de seus direitos e obrigações mais fundamentais nas relações diplomáticas com os organismos estatais".

Dom Avelar: um presidente brasileiro.

O exemplo de Camilo — Entre êsses sacerdotes, Camilo Torres, o padre-guerrilheiro colombiano morto numa emboscada em 1966, é considerado quase um santo. Padre Juan, pároco de bairro operário em Bogotá, faz êste comentário: "Camilo Torres é o primeiro sacerdote que deu um testemunho evangélico neste país. É o cristão modêlo do século XX." Aparentemente, a atividade do Padre Juan na sua paróquia é igual à de qualquer outro sacerdote. No entanto, suas preocupações maiores se dirigem ao trabalho que considera o mais importante. Seu ponto de partida é uma associação cultural do bairro, onde promove diversos cursos e discussões "para eslarecer o povo, social e polìticamente". Com um núcleo de líderes mais ativos já formados nesse trabalho, parte agora para a formação de associações semelhantes em outros bairros. Ninguém sabe calcular o número de padres "camilistas" na América Latina. Há "camilistas" de vários graus na Colômbia e nos países próximos mais atingidos pelo romantismo do padre-guerrilheiro. A idéia geral que os identifica e une é a de não se preocuparem com a luta interna da Igreja: preferem trabalhar em contato com as classes mais pobres.

Os frutos da CELAM — As figuras mais representativas da Igreja latino-americana estão satisfeitas com os resultados da reunião de Bogotá. Dom Helder Camara define assim a sua importância histórica: "O que parecia voz isolada de um ou de outro bispo, de um punhado de padres, de alguns leigos exaltados, já agora ninguém pode duvidar, é a palavra de tôda a hierarquia latino-americana. Leiam-se, estudem-se documentos como os capítulos sôbre justiça e paz, pastoral de massas e pastoral de elites, educação, e se verá que quem quiser chamar de subversivo e vermelho o bispo que exigir reforma de estruturas e mudanças graduais, mais profundas e rápidas (gradual se opõe a brusco e não a rápido), vai ter de chamar de subversivos e comunistas todos os bispos da América Latina. Não pode haver assembléia mais oficial: convocada e aberta pelo Papa, presidida por três legados, seus, teve como membros bispos eleitos pelas respectivas conferências episcopais". Acha que são boas as condições e perspectivas para a aplicação pelo episcopado das resoluções tomadas. Tão boas quanto as que existiam para a aplicação das conclusões do Concílio Ecumênico e com uma vantagem: "Os bispos latino-americanos são homens angustiados com a realidade que os envolve e que contrasta com a palavra do Evangelho, em um continente de maioria cristã".

A VIOLÊNCIA CRISTÃ,
UMA QUESTÃO DE ÉPOCA

Jesus foi o primeiro cristão a empregar a violência em nome de Deus, para expulsar os vendilhões do templo de Jerusalém. Os que o viram açoitando os mercadores e esparramando pelo chão o dinheiro dos cambistas compreenderam seu gesto, lembrando-se do que profetizavam as Escrituras: "O zêlo da Tua casa me consumirá". Mas esta foi a única vez em que Jesus usou a violência. Quando um de seus discípulos atacou os soldados que o foram prender, guiados por Judas Iscariotes, Cristo fêz uma advertência: "Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão". Os primeiros cristãos opunham-se a qualquer espécie de violência e acreditavam que tôdas as injustiças sofridas na terra seriam plenamente recompensadas pelos "galardões" celestes. No século IV essas idéias sofreram modificações. Entre 380 e 392, através de uma série de decretos, o cristianismo foi reconhecido como a única fé legítima do Império Romano. Já nessa época Santo Agostinho (354-430) admitia abertamente o uso da violência para cobater a injustiça. No seu "Tratado do Livre Arbítrio" êle defendia, inclusive, a implantação de uma ditadura exercida por "uns poucos bons" quando o povo não fôsse capaz de escolher governantes competentes por causa de sua própria corrupção.

A lei injusta — O pensamento de Santo Agostinho teve grande influência sôbre Santo Tomás de Aquino (1225-1274).

Nas suas considerações sôbre a natureza das leis, diz: "Quando as leis são injustas, o súdito não tem obrigação, em em consciência, de obedecê-las, pois estas leis são mais violências do que leis". Em casos de legítima defesa e de guerras onde se reconheça que houve um "mandado divino" Santo Tomás diz que "sem nenhuma injustiça pode ser infligida a morte a qualquer homem". Mas essa linha de pensamento já existia antes de Aquino. Os papas levantaram os nobres para as Cruzadas contra os turcos que se haviam apoderado da Terra Santa. Elas começaram em 1096, pouco depois do Concílio de Clermont, convocado pelo Papa Urbano II, e do discurso inflamado que fêz diante dos nobres franceses: "Entrai no caminho do Santo Sepulcro; arrebatai a terra da raça fraca e submetei-a a vós".

A violência justa — Hoje a igreja justifica a violência em apenas um caso: a revolta contra a "tirania prolongada que ofendesse gravemente os direitos humanos e prejudicasse o bem comum do país". É o que diz a "Populorum Progressio", encíclica do Papa Paulo VI. Mas nos pronunciamentos recentes que fêz em Bogotá, Paulo VI condenou tôdas as formas de violência. Provàvelmente com receio das atitudes extremadas tomadas por alguns padres como Camilo Torres, ou mesmo o Padre José Comblin, ex-professor do Instituto Teológico do Recife e autor de um estudo que deveria ser apresentado na reunião da CELAM. Comblin dizia expor no documento "princípio filosófico gerais tirados de Santo Tomás de Aquino". O documento defende o direito de se tomar à fôrça o poder de maus governantes e de se impor, também à fôrça, leis justas. Comblin levou bem longe os meios que considera admissíveis para a conquista do poder: "Não bastará a boa consonância. Será necessário estudar os meios própios da ciência do poder e da arte da conquista do poder. Será necassário estudar a estratégia e a tática. Será necessário fazer alianças, entrar em compromissos, sujar as mãos pelas alianças sujas".


CASADOS, QUASE PADRES,
OS DIÁCONOS VÊM DO BRASIL

Um professor, um operário, um barbeiro e um contador, todos brasileiros e casados, são os primeiros diáconos leigos permanentes da América Latina. Receberam a ordenação do próprio Papa, há duas semanas, durante o 39º Congresso Eucarístico Internacional realizado em Bogotá, juntamente com 140 sacerdotes e 37 diáconos não leigos, seminaristas no último estágio antes da ordenação como padres. Os alto-falantes do Campo Eucarístico anunciaram o acontecimento discretamente. E nessa discrição ficou escondida a grande importância dêsse ato para a Igreja Católica: pode representar a saída para a crescente falta de padres, principalmente na América Latina, onde nos últimos anos a população aumentou em 50 milhões de habitantes e o número de sacerdotes em apenas 12 mil.

A bandeira do celibato — O operário João, o contador Benigno, o barbeiro Pedro e o professor Alexandre podem representar também um bom argumento para o movimento contra o celibato clerical, se conseguirem provar que é possível realizar um ministério eficiente e ao mesmo tempo cuidar da família e dos seus negócios particulares. O Professor Alexandre Henrique Gruszyinsky, gaúcho de Pôrto Alegre, 36 anos de idade, consultor jurídico do Estado e professor de Direito Canônico na Pontifícia Universidade Católica, acredita que isso seja possível. Êle dispensaria a honra de ser ordenado pelo Papa em Bogotá, para receber a nomeação em Pôrto Alegre mesmo, de qualquer bispo, cercado pelos parentes e amigos entre os quais terá de trabalhar. Fêz a viagem mais com um sentimento de missão. Queria participar de uma cerimônia, capaz de mostrar aos fiéis de todo o mundo que o Papa não só tolera o diaconato permanente, mas o deseja. Levou sua mulher e sua mãe, deixando os dois filhos em casa.

João não muda — João Gonçalves Pereira, 47 anos, operário, quer continuar sendo o mesmo João que todos conhecem em Mata de São João, na Bahia, uma cidadezinha de 13 mil habitantes, a 55 quilômetros de Salvador. O título de diácono só o fará ajudar com mais vontade o Padre Astrogildo, responsável por uma área onde vivem "20 ou 30 mil almas". João "não era muito de igreja" até a Páscoa de 1945. Nesse dia estava na Itália como soldado da FEB e nem sabe bem por que aceitou o convite do capelão para explicar o significado daquela data religiosa aos outros soldados. Mas saiu-se bem com a ajuda de um sargento, ex-seminarista. Desde então passou a se interessar pela religião. Logo depois de voltar, casou-se com Maria e começou a ajudar o Padre Astrogildo. Hoje é pai de sete filhos, "o mais velho já está na idade de prestar o serviço militar".

O contador Benigno — Benigno Lopes Rios, baiano, 39 anos, casado, seis filhos, pensou em ser irmão marista quando ainda garôto. Depois desistiu da idéia. Vieram os estudos — formou-se contador —, o casamento e as crianças. Ajudava o Padre Vitalmiro, na Paróquia dos Mares, Baixa do Bonfim, em Salvador, no trabalho de catequese dos presidiários e na formação de comunidades religiosas. Em 1966, quando o Padre Vitalmiro o convidou para fazer um curso de diácono, aceitou logo. E acha que "foi Deus quem iluminou o Padre". Quando soube que o Papa iria ordenar diáconos em Bogotá, pediu permissão para ir junto com João Gonçalves Pereira, embora tivesse que pagar a própria passagem.

Um barbeiro em Bogotá — Em Quirinópolis, uma cidade com 13 mil habitantes, a 360 quilômetros de Goiânia, Pedro Cardoso da Silva tem sua barbearia. Deixou-a alguns dias nas mãos do sócio para poder ir a Bogotá ser ordenado diácono pelo Papa. Levou sua mulher e os cinco filhos. As despesas foram grandes, mas acha que "a graça de ser ordenado pelo Papa compensou tudo". Como os outros três, Pedro terá quase tôdas as responsabilidades de um padre. Os diáconos apenas não podem oficiar a Missa, ouvir Confissões e ministrar o Sacramento dos Enfermos.




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