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Documento
Os grandes mecenas da
política norte-americana
Agora são apenas dois meses até o
Election Day,
e as campanhas presidenciais entram na sua fase decisiva.
Nixon e Humphrey vão precisar mais do nunca de
seus protetores financeiros
Nos quartéis-generais de Hubert Humphrey e Richard Nixon, em Nova York,
sòmente os próprios candidatos são mais estimados, ou pelo menos mais
adulados, que John Connor presidente da Allied Chemical Inc.
ou W. Clement Stone presidente da Combined Insurance Co. of America
, os dois bilionários de Wall Street que organizam, respectivamente,
a parte financeira das campanhas presidenciais de democratas e republicanos.
Numa temporada eleitoral cada vez mais cara, quando um minuto de publicidade
na televisão pode custar 65.000 dólares e uma excursão-relâmpago num Boeing
727 chega a 5.000 dólares por hora de viagem, os mecenas como Connor ou
Stone acabam se tornando verdadeiros achados.
Segundo cálculos estimativos, acredita-se que cada um dos principais
candidatos à Presidência dos Estados Unidos deverá gastar 50 milhões de
dólares na luta pela Casa Branca e os gastos reais sempre superam
as estimativas. Mas, à fôrça de pedidos e promessas, os partidos americanos
descobriram sua mina em Wall Street, e de lá extraem tôda a cobertura
para as suas despesas: recorrem aos homens que têm muitos dólares disponíveis
e, principalmente, sabem de onde tirar mais dos pequenos financistas
espalhados pelo país inteiro. E para alguns dêsses milionários de província
a política tornou-se repentinamente uma ocupação de tempo integral.
Como o encargo é bem difícil, a transição brusca acabou trazendo problemas
para êles. "Não é algo que eu escolheria como bico", disse,
depois da convenção republicana. Irwin Miller, um dos que apoiavam Nelson
Rockefeller. "Agora que Rocky perdeu para Nixon, eu não quero mais
saber disso." Mas, para cada um dêsses soldados que abandonam o campo
de batalha, mais forte se torna o apoio dos grandes generais. A mais alta
patente econômica do Partido Republicano, W. Clement Stone, costuma vibrar
à simples menção do nome de Richard Nixon. "Farei tudo para que Nixon
seja eleito Presidente", diz Stone, 66 anos de idade e imensa fortuna.
"E, já que as palavras devem ser acompanhadas pelos atos, eu não
poderia pedir que meus amigos entregassem grandes somas à nossa campanha
se eu mesmo não contribuísse mais do que todos." Stone contribuiu
mesmo até agora com 500.000 dólares , mas talvez seus outros
esforços em favor dos republicanos sejam tão importantes quanto o seu
dinheiro. No comêço de agôsto êle promoveu uma série de almoços para homens
de negócios, quando solicitou donativos quase compulsórios dos seus importantes
convidados; contratou uma equipe de universitários para trabalhar o nome
de Nixon no meio estudantil e, desejando que os jovens aceitassem a incumbência
com bastante disposição, levou duzentos dêles até uma de suas propriedades
em Illinois, para que passassem um fim de semana com "brincadeiras
e divertimentos".
Ainda são muito poucos os angariadores de fundos tão entusiasmados e
decididos como Clement Stone, mas a sua técnica, baseada no telefone e
nas reuniões sociais, é comum a todos. Para Don Ahrens, 77 anos, antigo
vice-presidente da General Motors e encarregado das finanças do Partido
Republicano em Michigan, todos os políticos deveriam seguir os ensinamentos
do presidente da Combined Insurance: "É muito fácil. Basta reunir
alguns homens importantes, dar-lhes alguns pedaços de carne para comer
e uísque à vontade. Quanto mais bebida, melhor. Afinal, para se exigir
dinheiro de alguém, é preciso que êsse alguém se sinta bem desinibido
e acredite que está abrindo suas comportas espontâneamente. Se êle fôr
duro na queda, aplica-se uma tática mais direta quando o jantar
vai chegando ao fim, o anfitrião se aproxima da porta de saída com uma
lista e vai dizendo: "Os senhores pensaram que o jantar era gratuito,
mas se enganaram. Paguem, por favor!" Homens como Stone Ahrens deixam
Richard Nixon bem tranqüilo com relação à sua sustentação financeira;
porém, se depender apenas de dinheiro, a eleição presidencial dos Estados
Unidos certamente acabará empatada: também os democratas há muito tempo
deixaram de se preocupar com o valor das suas despesas. Apenas no mês
de agôsto, o escritório de John Connor, o magnata que apóia Humphrey,
chegou a estabelecer duzentos contatos telefônicos ou telegráficos com
pequenas firmas ligadas à sua Allied Chemical. "Até agora",
diz Connor, "mais de cem se comprometeram a nos enviar donativos
quase 100.000 dólares."
Pouco antes, no fim de julho, êle organizou um espetacular jantar dançante
no luxuoso Waldorf Astória, em Nova York, com ingressos de 500 dólares
por pessoa. Em abril, logo que Humphrey anunciou oficialmente sua candidatura,
Connor já tinha comandado uma festa semelhante: almôço no Le Pavillon,
restaurante dos mais caros da cidade, onde oitenta convidados reuniram
750.000 dólares para a campanha dos democratas só Robert Dowling,
presidente da City Investing Co., entrou com 100.000 dólares.
Nenhuma dessas doações implica numa eventual
dedução de imposto de renda, e mesmo o interêsse
político da contribuição, tentando forçar
retribuição posterior, não justifica aparentemente o
trabalho que êsses homens estão tendo afinal,
todos os candidatos são eventuais perdedores no Election
Day, em 12 de novembro. Por que motivo, então, a maioria
dos homens de negócios dos Estados Unidos se envolve
tanto nas campanhas eleitorais? Para John Connor, existe
uma combinação de motivos.
"Na maioria dos casos", diz Connor, "trata-se puramente
do desejo de participar pessoalmente de uma atividade de interêsse coletivo.
Mas nós também esperamos ser ouvidos, quando surgir uma oportunidade,
pelo candidato que pretendemos eleger Presidente. E, se perdermos, paciência.
Foi mais um negócio que não deu certo." Mesmo os que já foram eliminados
da luta pensam de modo igual. "Cem mil dólares não me vão fazer nenhuma
falta", disse Allan Miller, milionário aposentado da Pensilvânia,
quando soube que seu protegido Eugene McCarthy fôra derrotado na convenção
de Chicago. Por vários motivos, muitos dêsses homens hesitam bastante
antes de se comprometerem com algum candidato, mas o mêdo de uma derrota
nunca é a justificativa usada para explicar qualquer recusa. Êles são
homens de emprêsa, e consideram a reação de seus acionistas e clientes
bem mais importante que a vitória ou a derrota do candidato que apóiam.
Durante a campanha de 1964, John Connor era presidente da Merck &
Co. indústria de produtos farmacêuticos e usou todo o prestígio
da emprêsa na campanha em favor de Lyndon Johnson. Em represália, os médicos
partidários de Barry Goldwater, o candidato republicano, fizeram um boicote
nacional contra a Merck. "Eram quase 2 mil médicos", lembra
Connor, "e êles nem deixavam os nossos vendedores entrarem em seus
consultórios."
De qualquer modo, quaisquer que sejam suas opiniões
políticas, os promotores das campanhas concordam em que
é tempo de modificar o processo de coleta de donativos.
Há algumas semanas, Hubert Humphrey se queixava dos
"custos inacreditáveis de uma campanha
eleitoral" e das "maneiras degradantes de se
conseguir o dinheiro".
Muitos outros financistas, que sempre contribuíram nas campanhas
presidenciais anteriores, desta vez permanecem longe de qualquer candidato,
mas seus motivos são exclusivamente pessoais. Um dêles, Arnold Maremont,
dono de um importante entreposto de Chicago, já tinha trabalhado pelos
democratas em 1956 e 1960, mas se recusou a apoiar Johnson nas eleições
de 1964, por considerá-lo um "candidato inaceitável", entregando
nas mãos dos líderes da NAACP Associação Nacional para o Progresso
dos Homens de Côr todo o dinheiro que havia reservado para a campanha
presidencial.
Agora, Maremont parece ainda mais afastado do processo eleitoral americano.
Quando assessôres de Hubert Humphrey foram a Chicago pedir-lhe ajuda econômica,
respondeu: "Por enquanto pretendo apenas nadar e tomar banhos de
sol: ainda não encontrei o candidato cujas idéias se aproximem das minhas".
Lyndon Baines Johnson de volta à escola
Hoje êle recebe as honras e as homenagens que cabem ao Presidente
da maior potência ocidental; amanhã, à sua entrada numa sala de
aula, os seus alunos nem vão levantar-se, já que essa velha tradição
foi abolida nas escolas dos Estados Unidos. Lyndon Baines Johnson,
sessenta anos, planeja o que fará quando deixar a Casa Branca, dia
20 de janeiro de 1969: 25 anos depois de abandonar sua cátedra de
Pedagogia numa pequena escola de Cotulla, Texas (20 mil habitantes),
para se tornar secretário de Richard Kleberg (um deputado federal
texano), Johnson pensa com entusiasmo em voltar ao magistério, como
professor de Assuntos Públicos na Universidade do Texas. Além disso,
para satisfazer velhos sonhos de viagens que Lady Bird (sua espôsa)
foi acumulando nos anos de primeira dama, também pretende dedicar
parte de seu tempo ao turismo pelas Américas. O que o Presidente
não quer é envolver-se em política: quando muito, aceitará uma posição
de "conselheiro para ocasiões especiais" um papel
semelhante ao assumido por Eisenhower quando deixou a Presidência
em 1961. Muita coisa mudou desde os tempos de Cotulla. Agora, Johnson
dará aulas na nova e luxuosa escola de Assuntos Públicos que a Universidade
está construindo em Austin, a capital do Estado, usando uma dotação
especial de 12 milhões de dólares concedida pelo Govêrno
Federal. Johnson não teve dúvidas em aceitar o convite. Afinal,
Austin fica bem perto do Rancho LBJ, em Stonewall, onde o Presidente
nasceu, e a Universidade fica quase em frente à casa de sua filha
Lucy. Assim Johnson poderá ver o neto todos os dias.
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