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FRANÇA
Os estudantes guardam o fôlego
para novas batalhas em outubro
Número 15, Rue Soufflot, Quartier Latin, Paris. À
sombra do Panthéon, na parede exterior de um prédio
austero, uma placa azul desbotada diz: "UNEF,
segundo andar, à direita". Uma escada fria, gasta e
escura leva a um conjunto de salas mobiliadas ou
obstruídas com escrivaninhas em metal enferrujado
e carteiras escolares vagando à deriva. A UNEF é a
União Nacional dos Estudantes Franceses; essas pobres
salas são o seu quartel-general, onde o presidente
Jacques Sauvageot prepara, com um grupo de fiéis
sobreviventes da revolução de maio, a nova ofensiva dos
estudantes. Sua palavra de ordem: "Não voltemos às
aulas em outubro", Sauvageot, 23 anos, estudante de
Direito, apronta com muito entusiasmo novos desafios à
ordem francesa restabelecida. As férias de verão não
afastaram os estudantes de suas atividades: as
"universidades populares" criadas por êles
(cursos, debates e conferências) foram, no calor do mês
de agôsto, um nôvo fator de agitação. Ao mesmo tempo,
equipes de cinco ou seis estudantes eram diàriamente
despachadas pela UNEF para todos os pontos do país, a
fim de mobilizar a "massa" estudantil para a
luta prometida.
No entender dos líderes estudantis, nenhum dos problemas da Universidade
foi resolvido até agora; portanto, nada mais natural que a retomada da
luta, no mesmo estilo de maio, assim que outubro chegar, com a abertura
oficial de um nôvo ano letivo. Uma tormenta dentro de um mês? De qualquer
forma, o Govêrno francês quer estar mais bem preparado para enfrentá-la.
O Ministro do Interior Raymond Marcellin já tomou suas precauções: êle
trabalha ativamente, neste momento, num projeto de refôrço dos efetivos
policiais. Aos 104 mil homens da polícia francesa viriam juntar-se novas
unidades, com mais mobilidade. Seis novos esquadrões de "gendarmeria
móvel" oitocentos homens já foram constituídos, e o
moral da tropa está recebendo um cuidado particular: uma vasta distribuição
de medalhas foi feita entre os policiais que se destacaram em maio e junho.

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