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ARGENTINA
A partida dos irmãos Alsogaray
deixa sòzinho o General Ongania
O General Juan Carlos Ongania, Presidente da Argentina, não gosta
de previsões sôbre o futuro de seu Govêrno, principalmente quando o astrólogo
é um candidato potencial a sua sucessão, como é o caso de Alvaro Alsogaray,
velho político e homem de finanças que serviu a cinco governos
e foi suficientemente hábil para sobreviver a todos êles. Por isso, Alsogaray,
55 anos, embaixador em Washington, teve que pedir demissão dias atrás,
depois de negar inùtilmente a incômoda paternidade de um documento chamado
"Bases para uma Ação Política Futura", com críticas à Revolução
argentina. Mas a simples troca de um embaixador não poderia justificar
a crise interna que envolve atualmente o Govêrno argentino, se não houvesse
um outro Alsogaray Julio Alsogaray que, além de ser irmão
do ex-embaixador e partilhar de suas idéias liberais, é general e ocupava
no início dessa crise o pôsto de comandante-chefe do Exército argentino.
À primeira vista, parecia fácil resolver a crise político-familiar afastando
imediatamente também Julio Alsogaray de seu lugar no Govêrno, mas passaram-se
vinte dias entre hipóteses e boatos, antes que o General-de-Divisão Alejandro
Lanusse conservador e nacionalista fôsse nomeado para substituí-lo.
A hesitação do Govêrno em mexer no comando militar se justifica: como
antigo comandante-chefe do Exército, o Presidente Ongania sabe que às
vêzes as coisas se invertem na Argentina e são os chefes militares que
trocam os presidentes. Julio Alsogaray, que deixou o seu cargo juntamente
com os comandantes-chefes da Marinha e da Aeronáutica, declarou que Ongania
quer governar sòzinho e que já não sabe mais distinguir os amigos dos
inimigos. Nada impede que daqui para diante o esquema dos irmãos Alsogaray
amizades nos círculos financeiros e nos quartéis funcione
tão bem contra o Govêrno como funcionou a favor dêle.
Têrmos vagos Enquanto tomam posse os
novos chefes militares, multiplicam-se em Buenos Aires as
especulações em tôrno da revolução de Ongania, que
há dois meses completou seu segundo ano e, até
agora, não foi capaz de fixar um rumo definido para a
Argentina. Fala-se muito numa experiência do tipo
corporativista que estaria sendo feita em Córdoba e é
descrita pelo Ministro do Interior Guilherme Borda como
uma tentativa de aumentar a participação comunitária
"sem excluir os direitos políticos tradicionais,
como eleições e partidos políticos".
Mas o panorama geral continua em têrmos muito vagos: Guilherme Borda
confessou que não sabe o que pode acontecer no futuro com o corporativismo.
Perguntaram se êsse futuro era próximo ou longínquo e êle respondeu que
também não sabia. O próprio Ongania, que na questão dos partidos é categórico
"foram dissolvidos pela Revolução e morreram para sempre"
, não admite quaisquer previsões sôbre o prazo final de seu mandato.
A troca de homens fortes no Govêrno, enquanto não se divulga a nova orientação,
veio apenas acentuar o clima de expectativa que envolve todos os setores
do país, desde os ministros de Estado até a poderosa CGT, a Confederação
Geral dos Trabalhadores. Única exceção nesse panorama estático, o velho
General reformado Adolfo Candido Lopes manteve durante a crise o mesmo
comportamento que vem irritando há meses o Presidente Ongania: saiu da
cadeia, lançou manifesto exigindo plebiscito e voltou para a cadeia.

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