BRASIL MAIOR

Brasileiro cresce tanto que
está tão alto quanto o japonês

Os brasileiros do Sul já podem dizer que chegaram à altura das mulheres alemãs, mas, de Minas Gerais para cima, ainda será preciso 1 centímetro para alcançarem os homens japonêses. Essas conclusões resultam de estudo divulgado pela Organização Mundial da Sáude, segundo o qual a altura média dos brasileiros passou nos últimos dez anos de 1,66 m para 1,70 m, de São Paulo para o Sul, e de 1,61 m para 1,65 m, de Minas Gerais para o Norte. Com êsse aumento de 4 cm em dez anos, os brasileiros, na média geral, têm hoje a altura dos inglêses do século XI, ao menos a julgar pelas armaduras medievais existentes do Museu de Londres, quase tôdas de manequim 44.

Casamento entre parentes — Segundo o professor da Escola Paulista de Medicina, Dr. Arnaldo Sandoval (58 anos, 1,70 m de altura), o aumento da média de altura da população no Brasil pode ser explicado por várias razões, mas há duas princípais: 1ª) os brasileiros estão comendo melhor; 2ª) a ampliação da área industrial está contribuindo para romper laços de consangüinidade, responsáveis pela manutenção da média de altura estática nas áreas rurais, onde são freqüentes os casamentos entre parentes. Êste segundo fator é comprovado com o exemplo dos pigmeus da África, Índia e Melanésia, que, desde a sua descoberta, no século XVI, continuam com a altura média de 1,37 m. É que êles não se misturam com outras tribos, permanecendo no mesmo impasse vivido ao contrário pelas tribos dinkas e dos shilluks: com altura média de 1,80 m há séculos.

Leite e milho — Para o Dr. Sandoval, o aumento da altura média dos brasileiros pode ser considerado também uma vitória da velha campanha do "beber mais leite", criada pelo antigo SAPS (Serviço de Alimentação da Previdência Social), no tempo da ditadura. É que o leite, com seus hidratos de carbono, gorduras, proteínas, sais de cálcio, fósforo e fosfato, e suas vitaminas, reforça o hormônio de crescimento. Êsse hormônio, produzido no lobo anterior da hipófise, é o que age sôbre as cartilagens da conjugação das extremidades dos ossos. Como tais cartilagens se soldam na mulher aos dezesseis anos e no homem aos dezoito, quem até essas idades não enriquecer sua alimentação com proteínas terá que levantar a cabeça o resto da vida, para cumprimentar as novas gerações. O problema das proteínas é tão sério que, segundo outro especialista em crescimento, o Dr. Luciano Décourt (53 anos, 1,87 m de altura), os técnicos do Instituto Agronômo de Campinas estão estudando as propriedades do milho opaco, produzido nos Estados Unidos, para comprovar se êle tem mesmo mais proteínas do que a soja. Em caso positivo, além de beber mais leite, o brasileiro será convidado a comer mais milho e, daqui a dez anos, a altura média poderá alcançar no Sul do País a atual altura média dos suecos (1,80 m).




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