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ONDA É HONDA
Quando a juventude é avançada,
emoção faz parte da elegância
Quem gosta de emoções fortes já pode comprá-las em butique. A lojinha
de moda feminina Voom-Voom, de São Paulo, começou a exibir entre
vestidos de Mary Quant e Miss Impact duas motocicletas japonêsas
Honda: uma de 50 cilindradas (2 milhões velhos a prazo), outra de 90 cilindradas
(2 milhões e 700 mil cruzeiros velhos a prazo). Em apenas duas semanas,
os jovens paulistas compraram mais de cinqüenta motos (as de 50 cilindradas
não exigem carteira para dirigir) e, seguindo o estilo de Steve McQueen
no filme "Fugindo do Inferno", lançam-se aos tombos e à emoção
das corridas. Uma das môças participantes da nova onda, Eliana Sampaio
Moreira (dezoito anos), confessa ter comprado a sua Honda de 90 cc aproveitando
a ausência de sua mãe, que está viajando. Ela dirige sem carteira e define
a sensação da velocidade citando o especialista em cultura de massa Edgar
Morin, embora esquecendo o nome: "É como diz aquêle sociólogo francês:
no carro a gente vê a paisagem, mas na mota a gente está dentro da paisagem,
faz parte dela".
Para as moças, a nova moda tem ainda a graça das roupas exigidas para
pilotar as motos: o Código de Trânsito obriga ao uso de um capacete de
"fiberglass" que custa de 20 a 70 cruzeiros novos, e a boa elegância
aconselha a compra de enormes óculos japonêses, de vidro azul, por 25
cruzeiros novos. No mais, a manutenção da "máquina" é barata:
80 quilômetros por litro. No Rio a moda das motocicletas ainda não chegou,
mas o representante da Honda está convidando corredores para uma prova
no autódromo do Rio.

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