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Fandango contra a cigana
Ainda é incerto o destino da moda
cigana: os
costureiros não acreditam que terá boa sorte, mas
os fabricantes de tecidos lembram o bom tempo das
saias bem rodadas estampadas em côres
Afinal, as mulheres vão ou não vão se vestir como
ciganas no próximo verão? Às vésperas da temporada
primavera-verão, costureiros e fabricantes de tecidos
estão à espera da "buenadicha": não se pode
até agora saber qual vai ser o destino da moda cigana.
Segundo o costureiro Clodovil, fiel à alta costura, a
moda cigana surgiu atrasada porque, com seu lançamento
por Christian Dior e Yves Saint-Laurent, em Paris, as
butiques de todo o mundo se encarregam de espalhar a
novidade. O própio Dener, que mostrou a sua coleção
cigana na recente XI Feira Nacional da Indústria
Têxtil, em São Paulo, reconhece que a moda sofreu um
desgaste, mas o atribui a outra causa: "Aconteceu
que a moda cigana foi desfilada por damas da sociedade, e
as grandes figuras da elegância devem sempre consagrar a
moda, nunca lançá-la. Basta umas poucas senhoras
aparecerem ao mesmo tempo com vestidos de uma nova linha,
e o interêsse das demais desaparecerá".
Moedas custam dinheiro A nova moda, ao
menos como é imaginada pelos grandes costureiros, tem
que ser usada com complementos caros (perucas longas,
cintos com medalhas, moedas e correntes douradas). Dener
acha que isso pode impedir a popularização dos vestidos
ciganos. Mas a indústria de tecidos não concorda. Diz
Alex Maluf, da Tecelagem Colúmbia: "Para a moda
pegar basta o acompanhamento da bijuteria barata que as
fábricas já estão produzindo e distribuindo por todo o
Brasil. Quando o País inteiro receber a bijuteria da
nova linha, vamos ter ciganas por todos os lados, porque
será a volta do vestido godê, das saias bem rodadas e
das mangas vaporosas que muitas mulheres já usaram aos
quinze anos. E agora com côres luminosas e contrastantes
dos tecidos, muito do agrado das brasileiras".
Verão de Clodovil Para Clodovil, mesmo que a moda cigana
conquiste a produção em massa, o verão na área da alta costura será em
côres mais sóbrias e sem muitos babados. No desfile que organizou para
o próximo dia 27 de setembro, em São Paulo. Clodovil apresentará 35 ou
40 peças sob a tendência geral para as cinturas deslocadas, quase sempre
logo abaixo do busto. As saias serão franzidas, "évasées" e
com pregas, principalmente nos longos e num tailleur com casaco em estamparia
"foulard". Os bordados serão ricos, com muito "stras",
mas nada de "pailletés". Os tecidos mais comuns serão o surah,
o crepe, a musselina, o shantung de sêda e o organza, sem fôrro: a transparência
será evitada vestindo três ou quatro saias superpostas. Clodovil diz,
porém, que a grande novidade do seu lançamento de verão serão as túnicas,
a serem usadas tanto como vestido de noite quanto com modelos esportes.
O comprimento será o de um míni-vestido sôbre um "pantalon"
que é uma calça comprida com bôca bem larga. Êsses vestidos, quase
todos em surah listrado ou estampado, ou ainda em crepe liso, terão a
vantagem de poderem ser usados sòzinhos, sem o "pantalon". Um
dêles, especialmente, terá a túnica em listras horizontais nas côres azul-marinho,
verde e branco, com o "pantalon" apenas em marinho. Clodovil
diz que usará também o laranja, o marrom e o vermelho, sem se deter numa
côr só.
A sorte sem a cigana Como prova de sua
pouca confiança no futuro da moda cigana (para a qual
fêz apenas 25 vestidos), o costureiro Dener vai tentar a
sorte com a linha espanhola. Os modelos, que chama de
fandangos, são inspirados nos trajes típicos
espanhóis, e dirigem-se todos para os vestidos longos,
destinados às ocasiões de gala: "Serão vestidos
rodadíssimos explica Dener com saias godê
sôbre godê, todos em tecidos leves como a musselina, o
surah ou o gazar (tecido com a textura da organza e o
caimento da musselina). Terão muitos babados nas saias e
nas mangas, e constituirão a minha homenagem ao mestre
Balenciaga, que demonstrou predileção pela linha
espanhola em sua última coleção, antes de fechar sua
maison em Paris". É esta linha que Dener exibirá a
partir desta semana numa "tournée" de desfiles
que abrangerá os Estados da Bahia, Alagoas, Pernambuco e
Pará, antes de ir ao Rio Grande do Sul. Êste será um
primeiro passo para chegar à realização de vôos bem
mais altos, que compreenderão o grande lançamento, na
Europa, do seu perfume "Dener D Dener",
fabricado em Paris.

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