A TERRA TREME

Ela treme a cada dez segundos
No Irã matou 20 mil pessoas

Com 5 bilhões de anos, a velha Terra ainda está agitada. Na última semana, sua casca foi sacudida por tremores que atingiram regiões do Irã, URSS, Turquia, EUA e Peru. Na antiga Pérsia, os movimentos da Terra foram os mais violentos dos últimos trinta anos. Resultado: cêrca de 20 mil mortos, 50 mil feridos e 100 mil pessoas desabrigadas. A tragédia é repetição de outra do comêço de agôsto, quando o solo tremeu formando um círculo de morte e destruição em tôrno do oceano Pacífico (mapa acima): duzentos mortos em Manila, capital das Filipinas; oitenta na Costa Rica com a erupção do vulcão Arenal; deslocamento de tôda a Cidade do México 2 centímetros em direção ao sul; destruição de edifícios em Tóquio, Lima e Mendoza (Argentina).

Terra viva — Na Idade Média dizia-se que a Terra era um organismo vivo; os vulcões seriam seus órgãos respiratórios; os terremotos, tremores doentios que a agitariam de tempos em tempos. Depois, a concepção mudou: os cientistas acreditaram ser o centro do globo terrestre uma bola de fogo em processo de resfriamento. Joje, embora a Terra continue desafiando as teorias (até agora não se conseguiu furar poços de mais de 8 km na casca do planêta), acredita-se que seu núcleo é uma dura bola metálica de 3.450 km de raio. Envolvendo-a, há uma espécie de manta fluida de 2.800 km de espessura, o magma. O magma é o foco da agitação da Terra: explosões comparáveis às de várias bombas nucleares fundem e movimentam sua massa propagando-se para a crosta terrestre, uma casca fina de 8 a 50 km de profundidade. Permanentemente, o magma está em convulsão: cada minuto, a Terra treme em dois a dez pontos simultâneamente.

Contudo, essa agitação sistemática preocupa apenas os geólogos. Na maioria das vêzes, o movimento alcança a superfície atenuado, sob a forma de leves vibrações percebidas apenas pelos delicados aparelhos dos cientistas. Mas onde a casca da Terra é fina ou tem fraturas — terrenos formados recentemente (1 milhão de anos), onde o magma ainda não se equilibrou com a crosta — a agitação chega violenta aos pés dos homens; é a região dos terremotos e vulcões, uma área em forma de anéis que cerca o oceano Pacífico e o Índico. Os anéis incluem as regiões dos últimos terremotos. Alguns países, como o Japão, situados exatamente sôbre um dêles, vivem sob ameaça, permanente. Em Tóquio, em 1923, um terremoto matou 142 mil pessoas. Foi o maior já registrado.

Berço esplêndido — Ùltimamente, tremores de Terra têm assustado os habitantes de Pereiro, no Ceará. Em 1966, numa extensão de mais de 100 km, de São Luís do Paraitinga, SP, à Guanabara, o solo agitou-se, mostrando que a terra continua viva sob os pés brasileiros. Antes (pouco antes, dizem os geólogos), há 120 milhões de anos, entre os atuais Estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, numa área de 1 milhão de quilômetros quadrados, abriram-se fendas na Terra e delas transbordaram lavas, formando camadas de até 1.000 m de altura. Da tragédia para os brasileiros da região centro-sul, sobraram as terras roxas, generosas para o plantio do café. Mas os geólogos não se preocupam com essas pequenas agitações do subsolo brasileiro: o País está deitado em berço esplêndido, uma crosta formada há 180 milhões de anos, que dificilmente tremerá com perigo para quem anda sôbre ela.




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