ESSA TAL TAÇA DE PRATA

O Robertão não dá o título de campeão
brasileiro, mas quem ganha é o maior

João Adolfo, goleiro do Náutico: o "Robertão" dá oportunidades que o esquema regionalista difìcilmente dava

O futuro do futebol profissional no Brasil está sendo jogado na Taça de Prata, o maior campeonato do futebol brasileiro em importância, movimentação e interêsse econômico: reúne os dezessete maiores clubes do País, que vão disputar 142 jogos em três meses e meio, com uma arrecadação prevista de mais de 5 milhões de cruzeiros novos.

Cinco times do Rio, cinco de São Paulo, dois de Minas, dois do Rio Grande do Sul, um da Bahia, um de Pernambuco e um do Paraná (incluído pela "proximidade geográfia" dos grandes centros do futebol), estão testando a possibilidade de um campeonato brasileiro de clubes.

O futuro — Uma pesquisa encomendada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) concluiu que o torcedor corintiano prefere ser campeão paulista a qualquer outro título, inclusive o de campeão do mundo de clubes. E isto é verdade para a grande maioria dos torcedores de todos os grandes clubes brasileiros.

O problema é que os campeonatos locais são todos antieconômicos, em função dos times "pequenos", que usufruem das rendas sem contribuírem para elas, por falta de torcida.

Encampando o Torneio Roberto Gomes Pedrosa a CBD pretende resolver vários problemas do futebol brasileiro, se a experiência der certo:

1. Diminuir a impôrtancia dos campeonatos locais, que passariam a ser disputados apenas pelos "pequenos", num sistema de acesso;

2. criar um calendário nacional, entrosado com o calendário internacional, de tal modo que os clubes não excursionassem mais nas folgas da tabela, mas sòmente o fizessem na época oportuna;

3. resolver o problema econômico-financeiro dos clubes e , portanto, do futebol brasileiro;

4. acabar com os jogos entre seleções estaduais (que sempre desgostaram os clubes, obrigados a ceder seus melhores jogadores, com prejuízo econômico), jogos que antes eram necessários para observação do futebol de elementos novos.

5. dar mais experiência aos jogadores novos, que agora poderão chegar à seleção em melhores condições técnicas, psicológicas e de amadurecimento.

O dinheiro — Para não arriscar o futuro do futebol brasileiro, a CBD fêz uma tabela dirigida para a Taça de Prata. Dos 136 jogos da fase de classificação, 35 serão em São Paulo, 34 no Rio, dezoito em Belo Horizonte, dezoito em Pôrto Alegre, doze em Curitiba, dez no Recife e nove em Salvador (sete capitais que têm população total de mais de 16 milhões de habitantes, com estádios que podem receber até 580 mil torcedores simultâneamente). Os clubes são os de maior torcida e a sua movimentação também foi cuidadosamente programada. Por exemplo: o Atlético Paranaense, de menor torcida e prestígio, só joga fora de casa três vêzes. O Flamengo (do Rio) e o Santos (SP), os clubes de maior torcida nacional, jogam em todos os Estados. E todos os clubes jogam no Mineirão, onde as rendas são sempre boas. Se os jogos renderem, em média, 40 mil cruzeiros novos, todos os clubes ganharão dinheiro (uma experiência inédita no futebol brasileiro) e a CBD também, interessadíssima em prestigiar ao máximo o campeão da Taça de Prata.

A Taça e a Copa — A diferença fundamental entre a Taça Brasil e a Taça de Prata é que uma é disputada pelos campeões do ano anterior num sistema de eleminatórias que facilita as coisas para os times dos grandes centros, e a outra é um campeonato como a torcida gosta: todos contra todos.

Os dezessete da Taça de Prata foram divididos em dois grupos. O primeiro reúne o Flamengo, o Botafogo e o Bangu, do Rio; o Corinthians e o Palmeiras, de São Paulo; o Internacional, de Pôrto Alegre; o Cruzeiro, de Belo Horizonte; o Náutico, do Recife; e o Atlético Paranaense, de Curitiba. O segundo inclui o Vasco e o Fluminense, do Rio; o Santos, o São Paulo e a Portuguêsa de Desportos, paulistas; o Atlético, de Belo Horizonte; o Grêmio, de Pôrto Alegre; e o Bahia, de Salvador. Para o turno final estarão classificados os dois primeiros colocados de cada grupo, mas todos os times jogarão entre si, valendo ponto. (O que significa que o terceiro colocado de um grupo, mesmo com menos pontos perdidos que os vencedores do outro, estará desclassificados.) Um detalhe: na CBD ainda não sabem como vai ser a taça pròpriamente dita, quanto custará e quando fica pronta. Só sabem que vai ser de prata mesmo.




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