PARA TÔDA OBRA

Quem procura empregados provisórios
telefona para a Manpower

Quando chegam os dias de balanço e o serviço se acumula no Banco de Londres, em São Paulo, basta um telefonema para que o chefe do pessoal resolva o problema: do outro lado da linha, um funcionário da Manpower Ltda. — emprêsa especializada em alugar mão-de-obra temporária — ouve a lista de auxiliares, contabilistas e datilógrafas necessários, consulta seu arquivo de funcionários disponíveis e todos aparecem no Banco no dia seguinte. Cada um leva um cartão de ponto e trabalha no mínimo três horas, no máximo três meses.

Como o Banco de Londres, quinhentas emprêsas em São Paulo costumam usar os serviços da Manpower e da Mão-de-Obra Temporária, as duas firmas que fornecem empregados provisórios. Nelas estão fichadas mais de 3.500 pessoas, principalmente donas de casa e estudantes, que precisam de dinheiro de vez em quando sem ter de prender-se a um emprêgo permanente.

Um holandês — Jan Wiegerinck, um holandês de 41 anos, foi o primeiro a aplicar no Brasil a idéia de alugar mão-de-obra. Um anúncio em um jornal paulista o fêz escrever à Manpower dos Estados Unidos propondo ser seu representante aqui. Depois de acertados os detalhes em Nova York, Jan demitiu-se do banco onde trabalhava e abriu — em agôsto de 1963 — o primeiro escritório da firma. "O comêço foi péssimo", lembra êle, "todos estranhavam a idéia. Minha sorte foram as emprêsas americanas, já acostumadas a êsse tipo de serviço. Nos Estados Unidos só a Manpower tem quatrocentas agências. "Nesses cinco anos, porém, o escritório cresceu, novas agências foram abertas no Rio, em Campinas (SP) e Santo André (SP). E ainda houve mercado para um concorrente cordial, a Mão-de-Obra Temporária, do irmão mais nôvo de Jan.

O preço do trabalho — Na principal agência da Manpower, em São Paulo, umas duzentas pessoas aparecem tôda semana pedindo emprêgo: fazem um teste, deixam o enderêço e esperam o chamado. "Só uns 10% dos que nos procuram são aceitos", diz Jan, "porque precisamos manter a confiança dos clientes fornecendo pessoal eficiente. "Umas quinhentas pessoas, na maioria auxiliares de escritório, datilógrafas, desenhistas e operários especializados, estão trabalhando indicadas por êle. Há também engenheiros, motoristas, vigias: a Manpower cobre uma área de 45 profissões. O preço da mão-de-obra varia entre NCr$ 1,40 por hora para um office-boy e NCr$ 35,00 para engenheiros, mas a maioria dos empregos fica entre 2,50 e 6 cruzeiros por hora. Descontadas as taxas, encargos trabalhistas e a comissão da Manpower, o funcionário recebe em média 60%. Petrobrás, Union Carbide, Esso Brasileira de Petróleo e Laboratórios Lepetit são alguns de seus clientes importantes. "Êsse sistema permite-nos dispor de gente capaz e evita o mau costume de dar um jeito", diz o gerente de pessoal da Esso. "Empregados temporários são uma rotina aqui na Atlas Copco", diz o relações-públicas dessa emprêsa. A idéia de Jan Wiegerinck se está espalhando por outros Estados. A emprêsa do seu irmão já tem escritórios em Curitiba e Pôrto Alegre, e no Rio existe ainda a Seu Criado Obrigado, especialista em datilógrafas e empregadas domésticas. Ela oferece uma vantagem sôbre as outras: tem anexo um berçário onde as mães podem deixar as crianças.




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