IDÉIA FÉRTIL

A terra brasileira está recebendo
cada vez mais adubos brasileiros

A indústria de fertilizantes está crescendo no Brasil. Até há dois anos, 95% dos nossos agricultores não adubavam a terra, e apenas 8% do solo cultivado — quase todo na região centro-sul — recebia fertilização. Em 1967, êsse consumo aumentou. Foram usadas 40.000 toneladas na região norte (aumento de 44% sôbre 1966), 322.000 na região centro (49% de aumento) e 85.000 toneladas no Sul (128%). E deve crescer ainda mais no segundo semestre de 1969, quando uma indústria apenas — a Ultrafértil — produzirá 1 tonelada de fertilizantes por minuto na área de 2 milhões de metros quadrados que constrói em Piaçaguera (município de Cubatão, em São Paulo). O empreendimento da Ultrafértil compreende sete fábricas, o maior complexo produtor de fertilizantes da América Latina. O ponto mais importante do projeto será a produção de 450 toneladas diárias de amônia anidra, matéria-prima para fabricação de fertilizantes.

Terra cansada — A importância do adubo só começou a ser sentida no Brasil quando já não era tão fácil encontrar chão nôvo para se plantar. Agora, até mesmo no Plano Trienal do Govêrno o adubo ganha um capítulo onde se recomenda urgência na substituição de fertilizantes importados pelos nacionais: de 447.000 toneladas consumidas no ano passado, 328.000 foram importadas. O transporte marítimo encarece muito o adubo; êle é uma carga indesejável, difícil de ser embarcada, suja e que estraga os navios. Para estimular ao mesmo tempo a produção e o consumo de fertilizantes, foi criada a ANDA — Associação Nacional para Difusão do Adubo, da qual participam dezoito emprêsas, entre elas a Ultrafértil. A ANDA coordena institutos de pesquisas agrícolas e até 1969 fará mais de novecentos ensaios em vários tipos de terra para determinar a aplicação de fertilizantes nas culturas do milho, algodão, feijão, soja e trigo: o adubo bem aplicado pode triplicar a produção.

Projetos ambiosos — Tôdas as indústrias de fertilizantes estão profundamente empenhadas em educar o agricultor: êle precisa aprender a adubar mais, usar os produtos certos e aproveitar os financiamentos — a maioria ignora que pode pagar o adubo um mês e meio após as colheitas. A Ultrafértil já criou catorze centros agrícolas (treze em São Paulo e um no Paraná), enquanto a ANDA pretende utilizar o computador eletrônico que vai ser instalado na Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (Piracicaba—SP) para reunir tôdas as pesquisas já feitas sôbre solos e adubos. As emprêsas da ANDA têm 3 mil elementos à disposição dos agricultores para divulgar o uso de adubos e dar assistência técnica. Numa prova de que confia nos fertilizantes como um bom negócios, a Ultrafértil está investindo 210 milhões de cruzeiros novos em seus empreendimentos.




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