RS: ELEIÇÕES

Na terra do Presidente é que a Arena
encontra a maior oposição

  Luis Trimano  
Perachi, Tarso e Mem de Sá: o Governador já pensa no sucessor, o Ministro quer o Govêrno, o Senador pode ficar sem a cadeira de Brasília

O Governador Perachi Barcelos não tem mais fins de semana tranqüilos em Pôrto Alegre. Está fazendo política no Interior, a fim de garantir para a Arena a maioria dos prefeitos e vereadores que serão eleitos em 232 municípios gaúchos no dia 15 de novembro. Perachi Barcelos não é candidato a nada mas quer fazer seu sucessor e calçá-lo com boa base política: o Rio Grande do Sul, Estado natal de algumas das personalidades mais importantes do Govêrno (o Presidente da República, os ministros Tarso Dutra e Mário Andreazza, o presidente da Arena Daniel Krieger) é também o reduto mais forte da oposição. Lá o MDB se apóia ainda na influência do PTB de Goulart e Brizolla e disputa palmo a palmo com a Arena o terreno político: na bancada federal são quinze contra quinze, na Assembléia a oposição ganha apertado de 28 a 27.

A luta igual — Como Perachi Barcelos, também outros políticos gaúchos vão para as eleições municipais de novembro já pensando nas de 1970: daqui a dois anos o Rio Grande vai eleger dois senadores, trinta deputados federais e o nôvo governador. É agora que os candidatos procuram formar sua base eleitoral e todos parecem jogar com as mesmas cartas: as sub-legendas. Nas suas viagens pelo interior, Perachi Barcelos tem recomendado aos líderes da Arena que usem ao máximo o recurso das sublegendas. Suas razões são simples: o partido está dividido em fôrças que difìcilmente poderão se unir em tôrno de um ou dois nomes. Havendo um candidato para cada corrente, o partido somará os votos. As sublegendas resolverão ainda outro problema da Arena gaúcha: ela tem nomes importantes em excesso. As duas vagas do Senado, por exemplo, atualmente ocupadas por Daniel Krieger e Mem de Sá, estão sendo muito disputadas. Além de Krieger, candidato certo, menciona-se como candidato o ex-Governador Ildo Meneghetti e Nestor Jost, presidente do Banco do Brasil.

Para uns e outros — "Nós também vamos usar ao máximo a sublegenda embora a consideremos uma imoralidade", diz o presidente do Diretório Regional do MDB, Siegfried Heuser. Êle é candidato a Governador, mas está convencido de que poderá sair vitorioso se o partido apresentar mais de um candidato — o MDB, ainda que mais unido que a Arena, tem também suas divisões. Existem os janguistas, os brizolistas e os indecisos, bloco composto por alguns remanescentes do Partido Libertador (muito forte no Sul) e por setores que no início apoiaram a Revolução de 1964 e depois foram afastando-se dela. Mariano Beck (deputado federal que já foi muito ligado a Brizola) e Rui Cirne Lima (diretor da Faculdade de Direito e jurista de renome) seriam os candidatos de sustentação do MDB. Cirne Lima traria os votos dos indecisos.

A presença de Tarso — Apesar de ter fôrça igual na Assembléia e na Câmara Federal, o MDB não tem grandes nomes para carregar votos em eleições majoritárias. Na luta pelo Govêrno do Estado terá pela frente, além do prestígio do atual Governador, a presença política marcante do Ministro da Educação Tarso Dutra. Êste já tentou duas vêzes ser governador. Nas duas vêzes Perachi Barcelos cortou-lhe o caminho: em 1958 conseguiu ser preferido de uma coligação de partidos (PSD-UDN-PL-PDC) e em 1966 saiu vitorioso na convenção da Arena. Apesar disso Tarso Dutra é mais uma vez candidato a governador. O própio Perachi Barcelos parece reconhecer que talvez tenha chegado a hora do atual ministro, pois não tenta obstruir sua candidatura pela Arena. O que o Governador pede é apenas uma sublegenda para o seu candidato, o chefe da Casa Civil, João Dentice: êle é bom articulador de campanhas políticas, mas um nome desconhecido pelo eleitorado. Apesar de Tarso Dutra e de não ter ainda um nome forte para o Senado (os líderes do trabalhismo foram cassados e os novos ainda não firmaram prestígio) o MDB pretende aumentar aos poucos a sua fôrça no Sul elegendo prefeitos e vereadores. Nos 22 municípios gaúchos considerados área de segurança nacional (os prefeitos são nomeados) o MDB espera conseguir ampla maioria nas câmaras municipais. Em Pôrto Alegre, onde o prefeito será indicado pelo Governador e referendado pela Assembléia Legislativa, a oposição prepara a armadilha para o Governador: Perachi Barcelos terá de indicar um nome apolítico, se não quiser sofrer um veto. O MDB não esquece que tem um deputado a mais que a Arena.




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