UNIVERSIDADE

O projeto de reforma universitária
já começa a sofrer reformas

As conclusões do Grupo de Trabalho da reforma universitária deveriam seguir, se obedecessem ao caminho traçado inicialmente, para o exame dos Ministros da Fazenda e do Planejamento. Mas o Ministro Tarso Dutra, da Educação, conseguiu convencer o Presidente Costa e Silva a mudar êsse trajeto: elas foram antes parar na mesa de reuniões do Conselho Federal de Educação. Tarso Dutra sabia que alguns conselheiros vinham criticando o Govêrno, descontentes com a nomeação de um Grupo de Trabalho para fazer a reforma. Mas não se esperava que fôsse tão longe a reação dos 24 conselheiros, todos êles nomeados pelo Presidente da República: o Professor Deolindo Couto, 66 anos, renunciou à presidência do Conselho, que ocupava há seis anos, alegando falta de tempo e prejuízos em sua clínica particular de neurologia. E os conselheiros emendaram o projeto em 120 pontos. Nos entendimentos para a escolha do nôvo presidente, outro motivo de divergência: o Govêrno queria para o lugar o economista João Paulo dos Reis Veloso, 35 anos, secretário-geral do Ministério do Planejamento e coordenador do Grupo de Trabalho da reforma. Os conselheiros apoiavam a candidatura do Reitor Moniz de Aragão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. No impasse, a eleição foi adiada.

Alguns conselheiros afirmam, no entanto, que o Conselho não se sentiu desprestigiado: o Professor Deolindo Couto, segundo êles, demitiu-se por ter sido nomeado para o Conselho Federal de Cultura. Alegam também que as emendas não modificam partes importantes do projeto, "todo êle muito bom", mas apenas questões de gramática e redação.




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