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Hosaná: o silêncio escrito em latim |
| Foto: Clodomir Bezerra |
O Padre Hosaná celebrou missa em sua cela de 4 por 3 metros, no quartel do Corpo de Bombeiros, no Recife, como fazia diàriamente. Três horas depois, o sobretudo cinzento cobrindo a velha batina branca, o chapéu prêto que os sacerdotes usavam antigamente e um radinho de pilha nas mãos, deixou o prédio do Conselho Penitenciário do Estado, onde fôra assinar os têrmos de sua liberdade condicional "por bom comportamento". Distribuiu papèizinhos com a frase latina "Etiam nunc tacendum est mihi", que êle, com um sorriso discreto traduzia: "Mesmo agora tenho de calar-me". Quinta-feira, após onze anos, dois meses e dois dias de prisão fôra condenado a dezenove o Padre Hosaná de Siqueira e Silva era um homem livre. Na noite de 1º de julho de 1957, no salão do palácio episcopal de Garanhuns (cidade a 246 quilômetros do Recife), êle matou o bispo Dom Expedito Lopes com dois tiros no tórax e um no braço.
Um sacristão com mêdo O crime comoveu o povo de Pernambuco. Dom Expedito era bispo de Garanhuns desde 1955 e vivia repreendendo o compartamento de Hosaná, vigário de Quipapá, cidadezinha próxima. O bispo recebia recados de que Hosaná vivia na casa paroquial com uma moça que dizia ser sua sobrinha e "fazia programas estranhos" quando saia de carro pelo interior. Não tolerando mais o que chamava de perseguição de Dom Expedito, o Padre Hosaná matou-o. Êle e seus amigos dizem que tudo foi provocado pelas intrigas do sacristão Luís Gonzaga de Oliveira, que hoje, com 72 anos e quase surdo, passa o dia todo trancado em sua casa de Quipapá, com mêdo comentam na cidade de uma vingança. Mas o Padre Hosaná anda com outras preocupações: anular seu processo de excomunhão, no Vaticano, criar gado na fazenda Nossa Senhora Aparecida e publicar o seu diário do cárcere.
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S.A. |