LACERDA

Uma velha entrevista nos EUA
obriga CL a falar outra vez

Uma entrevista feita com Carlos Lacerda em outubro do ano passado num dos mais importantes programas políticos americanos — o "Linha de Fogo" do Canal 9, em Nova York — foi para o ar no domingo retrasado, dia 1º dêste mês. E, logo na têrça-feira, os jornais disseram que Lacerda era favorável à invasão de Cuba, informados por um telegrama da UPI que citava a entrevista da televisão. "Isso não tem nada a ver com a situação atual", respondeu Lacerda. E escreveu à direção da UPI pedindo que divulgassem a data em que a entrevista foi dada. A propósito dessa notícia mal colocada surgiram comentários dizendo que Lacerda havia rompido o silêncio que mantém há algum tempo. "Quando tiver que falar, falarei", diz êle. "Isso não autoriza ninguém a falar por mim; nem 'fontes bem informadas', nem 'porta-voz autorizado', nem os tais 'círculos lacerdistas'. Nesse ponto sou quadrado." Na entrevista, há quase um ano, Lacerda disse a seu entrevistador, William Buckley, que "Johnson fêz bem em apoiar a queda de Goulart, mas fêz mal em apoiar o que veio depois, um govêrno militar, submisso a Washington e impopular no Brasil", que "quando os EUA convocaram tropas brasileiras para ajudá-los a impedir que os comunistas tomassem o poder em São Domingos, deviam pedir também que apoiássemos uma ação militar para derrubar Papa Doc, o Presidente do Haiti. E a coisa seria mauito fácil, porque os dois países ficam na mesma ilha". O entrevistador aproveitou: Seria justo então invadir Cuba? "Logo que Fidel tomou o poder, sim. Havia possibilidades. Agora não há". Um estudante perguntou do auditório: "O senhor acredita que o Pentágono e a CIA ajudaram a derrubar Goulart?" "Falou-se muito nisso, mas não tenho provas", respondeu Lacerda, Buckley perguntou: "O senhor quer ser Presidente do Brasil?" E Lacerda foi rápido: "Dizem que quero e não nego".




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