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Gugu: na corda bamba das tardes de domingo

09/07/2009 16:29


Depois de 35 anos no SBT, o apresentador Gugu Liberato caminha para uma nova fase profissional, como contrato na Rede Record - como divulgou VEJA no início de julho. Ele foi tema de diversas reportagens da revista, além de entrevistas que ajudaram a traçar seu perfil. Confira a seguir alguns desses textos - para ler as matérias na íntegra, cliques nos links do Acervo Digital VEJA.

Graças a Gugu, em 1997, pela primeira vez, o SBT se igualou à rival Globol, como relatou VEJA. Na época, o programa do apresentador mudou de horário e passou a concorrer diretamente com Fausto Silva, ameaçando oito anos de liderança do Domingão do Faustão. Graças a esse sucesso, em 2000, Gugu já faturava mais de 3,5 milhões por mês, sendo então a figura mais bem remunerada da televisão brasileira. Nem mesmo a decisão do Ministério da Justiça de retirar o quadro Banheira do Gugu do horário em que era exibido atrapalhou o seu bom humor.

Em 2001, o apresentador conheceu seu auge. Batia o concorrente Faustão quase toda semana, chegando a contabilizar até 22 pontos de audiência. Gugu chegou a ganhar 4 milhões de reais por mês, entre salário (1,5 milhão) e merchandising (até 2,5 milhões). Ele gozava de privilégios raros, como o direito de dispor de todo o espaço publicitário dentro de seu programa e embolsar a receita. Dono de uma fortuna de 100 milhões de reais, ele almejava uma emissora de televisão para chamar de sua. A boa fase lhe rendeu um longo perfil em VEJA (imagem ao lado).

O ano de 2002 já não foi tão proveitoso. Virou rotina, por exemplo, o Domingo Legal perder para a concorrência. O maior desastre ocorreu quando a atração do "loiro do SBT" registrou 8 pontos de ibope, enquanto a Rede Globo alcançava 20 ao reprisar o filme Missão Impossível. Gugu também vinha apanhando do Domingão do Faustão. Como documentou VEJA na época, quadros que antes faziam sucesso, como Telegrama Legal e Loucuras de Amor, caíram na mesmice. Em 2004, além da Rede Globo, o apresentador passou a perder audiência para programas de outras emissoras.

Em setembro de 2003, a reputação de Gugu foi para o ralo com a exibição de uma reportagem fajuta sobre a facção criminosa PCC. O escândalo foi devastador e baixou o ibope do Domingo Legal para 15 pontos. Pouco depois, surgiram provas do que se suspeitava desde o começo: o programa não passara de uma mentira paga, e Gugu teve de se desculpar e assumir o erro. Apenas em 2005, os promotores de Justiça de São Paulo decidiram por fim ao processo de indenização por danos ao consumidor. Em troca, o apresentador teve de pagar 750.000 reais, em doze parcelas, a instituições de caridade indicadas pelo Ministério Público.

Antes disso, Gugu já tinha protagonizado armações (ainda que nenhuma com teor tão explosivo), como foi o caso do Táxi do Gugu. O quadro empregava atores que se passavam por gente pega de surpresa e foi desmascarado por VEJA em 1996. Foi comprovado que, na maioria das viagens do táxi, o "desavisado" era um ator profissional que já havia ensaiado a cena várias vezes, inclusive com um diretor tarimbado.

Superado o escândalo, Gugu continuou sua labuta no SBT. Em 2006, aceitou a redução de ganhos e renovou com a emissora. Na época, VEJA explicou por que o apresentador não trocou o SBT pela Record, mesmo tendo que aceitar um corte no salário - que caiu para 500.000 reais -, além de ter de dividir os lucros do merchandising com a emissora de Silvio Santos. Segundo matéria de VEJA, a saída do SBT poderia ser uma manobra arriscada. Na Record, uma ala dos bispos era a favor de sua contratação, mas outros achavam que ela traria uma "breguificação" à imagem da rede. Além disso, a emissora tinha dificuldade em encaixar Gugu em sua programação dominical e chegou a propor-lhe uma atração diária ou aos sábados, o que contrariou o apresentador.

Em 2007, foram apenas três as ocasiões em que o Domingo Legal ficou por alguns minutos em primeiro no ibope. Em vez de lutar pela liderança, Gugu tentava mesmo era se segurar ante os ataques da Record. No início de 2008, conforme conta a matéria de VEJA, a situação ficou mais grave: o homem que fora considerado o sucessor de Silvio Santos sentia o gosto ruim do terceiro lugar na audiência. E pior: Domingo Legal perdeu para uma versão pré-gravada do programa de Faustão e uma reprise do Show do Tom Cavalcanti.

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