06/11/2009 12:38
O terrorista italiano Cesare Battisti, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição, assinou na quinta-feira o contrato para a edição do segundo livro de sua trilogia autobiográfica. A oficialização do documento ocorreu dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em BrasÃlia.
Até o fim do ano, deve chegar às livrarias Ser Bambu, pela Martins Fontes, um relato do ex-ativista clandestino pelas ruas do Rio de Janeiro. Battisti escreveu o livro de forma atribulada, contou Evandro Martins Fontes, que foi pessoalmente até a penitenciária levar o contrato.
Boa parte do texto, gravado em um notebook, só foi liberado no inÃcio do ano pela PolÃcia Federal. O restante, entregue à editora em disquete por uma fonte anônima. Foi preciso juntar o quebra-cabeças para iniciar a edição. "Ele não ficava mais de uma semana com um aparelho celular. Ele se desfez de computadores e laptops que teve nesse perÃodo, por medo de ser monitorado", disse Martins Fontes.
O livro é uma continuação de Minha Fuga Sem Fim, editado também pela Martins Fontes em 2007, logo após a prisão de Battisti. O texto relata a época em que o terrorista era membro do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema esquerda que operou na Itália nos anos 1970, seu desentendimento com seu ex-companheiro e delator Pietro Mutti e a fuga para a França.
Ser Bambu, de acordo com Martins Fontes, é uma metáfora para a situação de Battisti. "No começo do livro ele diz: 'se houver a reencarnação, gostaria de voltar como bambu, que não se quebra e se reergue para ver lá de cima os escombros de outras árvores que partiram.'"
Prisão - O ex-ativista está terminando de escrever ainda seu terceiro relato, Ao Pé do Muro, sobre o perÃodo em que passa na prisão. O julgamento de Battisti será retomado no STF no dia 12 de novembro. A análise da ação tinha quatro votos a favor e três contrários, quando foi interrompida por pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello.
Condenado à prisão perpétua em 1993 acusado de quatro assassinatos, Battisti passou 28 anos exilado na França e no México antes de se refugiar no Brasil. Foi preso em 2007.
(Com Agência Estado)
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