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Produção doméstica caminha para a profissionalização
17/03/2009 17:21
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Apesar das dificuldades vividas por quem faz cinema no Brasil, uma sensação positiva anima representantes do setor: a produção nacional caminha para a profissionalização. "O cinema brasileiro vem tentando encontrar o seu caminho como indústria, acredito que estamos evoluindo", diz Maurício Ramos, produtor da VídeoFilmes. "Hoje, temos uma quantidade imensa de cursos de cinema. Acho que o mercado está apontado para uma profissionalização, uma maior qualificação de profissionais e para uma maior demanda de conteúdo devido ao fracionamento de mídias. Isso é positivo."
O fracionamento de mídias é atestado pela pauta da TV Zero, produtora que prepara a adaptação para a tela grande de O Doce Veneno do Escorpião – O Diário de uma Garota de Programa, livro da ex-prostituta Bruna Surfistinha, e também um filme sobre a médica Nise da Silveira, considerada uma figura revolucionária da psiquiatria brasileira. "Simultaneamente, estamos investindo em produções de séries para a TV e em novas mídias como a internet", conta Roberto Berliner, diretor da TV Zero. Tanto ele como Ramos têm fé nos novos mercados, que incluem o de celular.
Para o professor João Guilherme Barone, coordenador do Departamento de Produção Audiovisual da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o cinema brasileiro não está mais na fase da retomada: ele já vive a "pós-retomada". E a produção deve ir bem neste ano. "Temos cerca de 300 títulos em diferentes fases do processo de produção e algo em torno de 70 lançamentos." Os problemas ainda são, acredita ele, a situação do filme brasileiro no mercado de salas e a resposta do público, "irregular e imprevisível".
Coproduções – Um outro caminho que vem sendo trilhado pelo cinema brasileiro é o das coproduções. Além de ajudar na viabilização e na divulgação de projetos, o esquema pode enriquecer os profissionais nacionais pelo intercâmbio com colegas de outros países. "Acho que as coproduções tendem a aumentar, é fundamental fazê-las", diz Berliner, da TV Zero. "Temos alguns parceiros nacionais e internacionais. A experiência nem sempre é boa, mas costuma viabilizar o projeto e nos proporciona uma visibilidade enorme." Neste segmento, aponta o produtor, o Brasil leva vantagem: reúne tecnologia, mão-de-obra e preço competitivo, elementos atraentes para produtores internacionais em busca de parceria com outros países.
E a participação brasileira em coproduções tem de fato crescido. De acordo com o professor Barone, da PUC-RS, há uma política de produção e distribuição em andamento, com acordos de coprodução com Alemanha, França, México, Portugal e Argentina. Com o país vizinho, a VídeoFilmes produziu, entre outros, Leonera e Café dos Maestros.
Apoio estatal - Por ora, a produção brasileira ainda se nutre de recursos disponibilizados pelo estado e da Cota Mínima, política que reserva ao cinema nacional 28 dias por ano em todas as salas de exibição do país. Da cota mínima, é provável que a produção local se emancipe quando atingir e consolidar um alto patamar de participação na bilheteria total. Para o diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, sem esse mecanismo haveria uma dificuldade maior de se atingir o atual nível de ocupação do mercado, em torno de 11%.
Já o financiamento público constitui uma questão mais complicada. Pode diminuir, mas desaparecer é quase impossível. De acordo com Ramos, da VideoFilmes, 90% dos filmes nacionais são feitos com recursos incentivados. "A parcela de produções realizadas com recursos de mercado tende a crescer, mas nunca vai chegar a 100%."
(Maria Carolina Maia)
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