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Guga: 'Serei capitão da Copa Davis naturalmente'

22/05/2009 06:57

Guga
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Por André Pontes

Aos 32 anos, Gustavo Kuerten tem tudo para levar a vida que muitos sonham: é rico, internacionalmente conhecido e está aposentado. Poderia, assim, entregar-se ao mais completo ócio. Entretanto, o ex-tenista, tricampeão de Roland Garros, resolveu seguir outro caminho. Cerca de um ano após sua última partida como profissional, ele está cursando faculdade, fazendo propaganda como nunca e ainda gerencia um instituto que leva seu nome - que promove a integração de crianças, adolescentes e adultos deficientes por meio do esporte. Outra ocupação é a Semana Guga Kuerten, torneio infanto-juvenil a ser realizado em Florianópolis (SC), em junho, e que garante às promessas do esporte pontos no ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Na entrevista a seguir, o maior tenista brasileiro de todos os tempos fala sobre o futuro da modalidade no país e da possibilidade de se tornar técnico ("capitão", no mundo do tênis) da equipe verde-amarela da Copa Davis. 

Após um ano fora do circuito da ATP (Associação de Tenistas Profissionais), do que você sente mais falta?
Sinto falta de estar mais presente nos principais torneios, da sensação de jogar.

Como é a vida de um "aposentado" aos 32 anos?
Eu desconheço isso, porque, apesar de ter finalizado uma fase na minha vida, estou trabalhando bastante em outras funções, com as empresas que licenciam produtos Guga Kuerten, além de estar envolvido com a Semana Guga Kuerten e com projetos que visam o desenvolvimento do tênis no Brasil. Atualmente, tenho outras aspirações profissionais. Por exemplo, mês passado estive em Recife lançando o meu chinelo. Antes, eu não tinha tempo para isso. Agora, tenho.

Você está fazendo faculdade?
Sim, estou cursando artes cênicas, uma faculdade que pode me ajudar a desenvolver os projetos que pretendo elaborar para o crescimento do tênis no Brasil e na área social, no trabalho do Instituto Guga Kuerten.

Como você é tratado na faculdade? Como um aluno normal ou uma celebridade?
Como uma pessoal normal, dentro da imagem que criei. Todo mundo me conhece, mas nem por isso existe outro tipo de tratamento.

Você pretende ser técnico algum dia?
Atualmente eu não penso nisso. Mas quando estou na quadra procuro transmitir minha experiência aos tenistas mais novos.

Aceitaria ser capitão do Brasil na Copa Davis?
Acredito que isso naturalmente vai acontecer. Hoje, eu estou envolvido em outras funções. Prefiro esperar o momento mais adequado, quando eu estiver apto para exercer esse compromisso.

O que falta para o Brasil ter outros jogadores entre os 10 melhores do ranking mundial?
O objetivo ideal seria ter constantemente jogadores entre os 20, 30 melhores do mundo. Isso requer mais estrutura, capacitação, desenvolvimento, conhecimento do esporte, tentar fazer com que o tênis seja vinculado à cultura do nosso povo. Para isso, é preciso planejamento. São objetivos para atingir a longo prazo.

Na sua opinião, qual foi o motivo para o Brasil não ter aproveitado o "fenômeno Guga", no auge de sua carreira?
Faltou se preocupar com esses mesmos fatores naquela época, quando o tênis passou a ter uma influência maior sobre a população.

Qual a dica que você dá para os jovens que estão começando no tênis?
Acho que é preciso criar uma identidade com o tênis, tentar encontrar um simbolismo dentro do esporte, como aprendizado, amizade, confraternização coletiva, para que esse vínculo não fique apenas subordinado a resultados. Dessa forma, o tênis pode abranger mais pessoas.

Como está a contusão no quadril, que precipitou a sua aposentadoria?
Exatamente como antes. Posso fazer qualquer atividade física, mas com certa restrição.

O que você acha do tênis mundial atual?
Eu acho que ficou mais interessante. Nesse ano o (espanhol) Rafael Nadal conseguiu superar o (suíço) Roger Federer. Também citaria o desempenho do (britânico) Andy Murray, do (sérvio) Novak Djokovic e do (argentino) Juan Martin Del Potro. A competitividade é interessante para tornar o esporte mais atraente.

A que se deve a fase ruim que Federer, atual número 2 do mundo, atravessa?
Acho que a principal razão é o fato de ele ter sido tão excepcional durante tanto tempo. Talvez, para outros jogadores, essa performance já seria considerada fantástica.

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