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10 de setembro de 2003
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Leia trechos da peça Sábado, Domingo e Segunda

Cena do primeiro ato, que se passa no sábado. Na cozinha, Rosa (Nicette Bruno) prepara o almoço do dia seguinte. Com ela está o marido Peppino (Paulo Goulart) e o casal de vizinhos Luigi (Emílio Di Biasi) e Elena Ianiello (Suia Legaspe). Eles trazem polvos para serem servidos como entrada na refeição dominical.

(...)

ROSA - Mas vocês não vêm almoçar?

LUIGI - Como não vêm almoçar? Faz três dias que eu não almoço só me guardando para o ragú da dona Rosa Priore.

ROSA - Mesmo? Parabéns pelo gosto.

LUIGI - Como a minha mulher queria retribuir as gentilezas que sempre recebe dos senhores, ela disse: "gostaria de comprar uma malha para a Dona Rosa". E eu me lembrei que uma noite, conversando, a senhora disse que gostava muito da cor turquesa.

PEPPINO - Não se pode falar nada que o senhor registra como um disco.

ROSA - Porque é uma pessoa delicada e atenciosa com os amigos.

LUIGI - Mas não com todo mundo. Eu, pela senhora, Dona Rosa, me atiraria de um precipício (...) Se tem uma pessoa que eu invejo é o senhor, Dom Peppino. Não fica zangada, Eleninha. Você tem muitas qualidades, muitas mesmo. Mas, como a senhora, dona Rosa... a senhora é uma mulher completa.

PEPPINO - Com licença.

LUIGI - Já vai?

PEPPINO - Não suporto fedor de polvo.

LUIGI - Fedor?

PEPPINO - E além do mais, estou cansado e sem paciência.

LUIGI - Não se anima para jogar uma socppa mano a mano como na semana passada? Lhe dou quatro pontos de vantagem...

PEPPINO - Senhor Ianiello, o senhor é um homem inteligente e sensível. O senhor não desconifa quando uma pessoa está disposta para brincadeiras e quando não? Às vezes é o caso de insistir, outras vezes, não. Deve-se respeitar o sentimento dos outros.

ELENA - Mas o Luigi não pensou que estivesse aborrecendo o senhor.

PEPPINO - Desculpe, minha senhora, mas estou de ovo virado.

ELENA - Bom, se o senhor não está bem, nos vemos amanhã. Espero que até lá o senhor tenha melhorado.

ROSA - Desculpem...

ELENA - Imagina, pelo amor de Deus. O meu marido às vezes se excede um pouco.

LUIGI - É, desculpe, tem razão. Acho que exagerei. Pena que Don Peppino não esteja com o bom humor de sempre.

ROSA - É a loja, os problemas. Vocês devem perdoá-lo.

LUIGI - É... bom, vamos indo. Eu vou com você, Elena. O povo já está temperado, basta cozinhar até secar toda a água. Boa noite a todos.

ROSA - Eu acompanho.

ELENA - Não, não precisa.

ROSA - Virgínia, acompanhe o senhor e a senhora Ianiello. Nos vemos amanhã.

LUIGI - Até amanhã, então.

(...)

 

 

         
     
 
 
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