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Leia
trechos da peça Sábado, Domingo e Segunda
Cena
do primeiro ato, que se passa no sábado. Na cozinha, Rosa
(Nicette Bruno) prepara o almoço do dia seguinte. Com ela
está o marido Peppino (Paulo Goulart) e o casal de vizinhos
Luigi (Emílio Di Biasi) e Elena Ianiello (Suia Legaspe).
Eles trazem polvos para serem servidos como entrada na refeição
dominical.
(...)
ROSA - Mas vocês não vêm almoçar?
LUIGI - Como não vêm almoçar? Faz três
dias que eu não almoço só me guardando para
o ragú da dona Rosa Priore.
ROSA - Mesmo? Parabéns pelo gosto.
LUIGI - Como a minha mulher queria retribuir as gentilezas
que sempre recebe dos senhores, ela disse: "gostaria de comprar
uma malha para a Dona Rosa". E eu me lembrei que uma noite,
conversando, a senhora disse que gostava muito da cor turquesa.
PEPPINO - Não se pode falar nada que o senhor registra
como um disco.
ROSA - Porque é uma pessoa delicada e atenciosa com
os amigos.
LUIGI - Mas não com todo mundo. Eu, pela senhora,
Dona Rosa, me atiraria de um precipício (...) Se tem uma
pessoa que eu invejo é o senhor, Dom Peppino. Não
fica zangada, Eleninha. Você tem muitas qualidades, muitas
mesmo. Mas, como a senhora, dona Rosa... a senhora é uma
mulher completa.
PEPPINO - Com licença.
LUIGI - Já vai?
PEPPINO - Não suporto fedor de polvo.
LUIGI - Fedor?
PEPPINO - E além do mais, estou cansado e sem paciência.
LUIGI - Não se anima para jogar uma socppa mano a
mano como na semana passada? Lhe dou quatro pontos de vantagem...
PEPPINO - Senhor Ianiello, o senhor é um homem inteligente
e sensível. O senhor não desconifa quando uma pessoa
está disposta para brincadeiras e quando não? Às
vezes é o caso de insistir, outras vezes, não. Deve-se
respeitar o sentimento dos outros.
ELENA - Mas o Luigi não pensou que estivesse aborrecendo
o senhor.
PEPPINO - Desculpe, minha senhora, mas estou de ovo virado.
ELENA - Bom, se o senhor não está bem, nos
vemos amanhã. Espero que até lá o senhor tenha
melhorado.
ROSA - Desculpem...
ELENA - Imagina, pelo amor de Deus. O meu marido às
vezes se excede um pouco.
LUIGI - É, desculpe, tem razão. Acho que exagerei.
Pena que Don Peppino não esteja com o bom humor de sempre.
ROSA - É a loja, os problemas. Vocês devem perdoá-lo.
LUIGI - É... bom, vamos indo. Eu vou com você,
Elena. O povo já está temperado, basta cozinhar até
secar toda a água. Boa noite a todos.
ROSA - Eu acompanho.
ELENA - Não, não precisa.
ROSA - Virgínia, acompanhe o senhor e a senhora Ianiello.
Nos vemos amanhã.
LUIGI - Até amanhã, então.
(...)
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