Publicidade
 

 
 
 


10 de setembro de 2003
CIDADE
CRIME
CURSOS
CONSUMO
NOITE
MISTÉRIOS DA CIDADE
TERRAÇO PAULISTANO
AS BOAS COMPRAS
A OPINIÃO DO LEITOR
CRÔNICA
VEJA SP RECOMENDA
ABC
BARES


destaque da semana
CINEMAS
CONCERTOS
CURSOS
DANÇA
ESPECIAL
EXPOSIÇÕES
FILMES
FILMES NA TV
LIQUIDAÇÕES
PARA AS CRIANÇAS
PARA DANÇAR
RÁDIO
RESTAURANTES


destaque da semana
SHOWS
TEATRO
TV POR ASSINATURA
VÍDEO/DVD
   

Leia trechos da peça Num Lugar de La Mancha

ABERTURA:

existiu faz muito tempo,
Num lugar do passado,
Um herói.
O mais louco e lindo herói,
Por todos aclamado,
Por todos amado.
Um herói chamado Quixote!
Dom Quixote de La Mancha.
O mais apaixonado louco,
Pela sua amada
Dulcinea de La Mancha
Dulcinea de Dom Quixote.
Essa é a história que vamos contar
Do homem que acredita nos sonhos
Que acredita na vida e na justiça
E pensa que o mundo pode mudar
Vamos contar para você
que pode mudar o mundo
E fazer realidade o amor
Verdadeiros os sonhos,
Essa é uma história muito antiga
Que aconteceu num lugar de La Mancha
Num lugar do Mundo
(...)

DOM QUIXOTE EM BUSCA DE AVENTURAS

DOM QUIXOTE.- Embora seja loucura é bom que alguém tente melhorar a situação de quem estiver pior. E se todos nos dedicarmos a isso, não existirá torto, manco ou cego esperando para atravessar a rua, pois sempre haverá um herói disposto a ajudar. Assim é que, andem logo! Que o mundo é grande e embora La Mancha seja lugar pequeno e cercada de ignorantes por toda parte, eu sairei pelos caminhos para fazê-la famosa como nenhuma outra região da terra. E desencantarei seus encantados e acabarei com os fantasmas e monstros que lá vivem.

(...)

DOM QUIXOTE E OS MOINHOS DE VENTO

DOM QUIXOTE.- Você diz bem. Vê esses gigantes à nossa frente, com braços e mãos girando no ar. São monstros do inferno. (Gritando) Hei! Vocês ai! Seus gigantes endiabrados! Tenham coragem de enfrentar este que é o mais nobre dos Cavaleiros andantes que já existiu na face da terra.

SANCHO.- Meu amo, fique quieto que são moinhos de vento. Se alguém o vir, vai dizer que está doido varrido!

DOM QUIXOTE.- Vamos ver quem está com a razão (Aos moinhos) Hei! Seus Covardes! Venham contra mim estou esperando, seus tratantes enganadores! Heis aqui eu com a minha lança pronto para lhes dar uma monumental surra!

SANCHO.- Desculpe que eu insista, meu senhor, mas são moinhos, os mais verdadeiros moinhos que eu vi em toda minha vida.

DOM QUIXOTE.- (Sem dar a mínima para SANCHO) Lá vou eu, seus mentirosos, que vivem a confundir as pessoas de bem com as suas aparências pacatas e inofensivas, como simples enfeites no meio do caminho. Saiam de minha rota, seus espantalhos! Vocês querem impedir o progresso e o bem estar e estão a fim de ocultar a minha formosa Dulcineia!

(...)

(MARACATU – MÚSICA JARBAS MARIZ)
Você precisa soltar a imaginação
Você tem que deixar aberta a janela
soltar as rédeas do coração,
pois só assim, terá aquela donzela,
que um dia sonhou amar
Vejo na paisagem a minha amada
mas não consigo a ela chegar
pois em volta dela, a armada
dos meus pensamentos, me impedem de passar!
São como gigantes moinhos de vento
Gigantes do meu tormento
que não me deixam entrar
que não me deixam amar,
nesta luta sem igual,
nesta luta para lhe libertar
minha amada!
Apenas um sonho,
Moinhos de vento são,
não são gigantes, não.
E por isso eu vou
até minha amada!
Moinhos de vento,
palavras ao vento...
pela janela aberta,
pela paisagem certa
que vai a você.
Gigantes,
pequenos diante do meu amor,
pequenos frente a minha imaginação.

 

ORAÇÃO DE DOM QUIXOTE (NA PEÇA DITA EM ESPANHOL)

DOM QUIXOTE.- Senhor Deus eterno e infinito, dai-nos mais este descanso nesta noite escura em que lutarão nossas fantasias contra a realidade monótona do cotidiano. Permita que eu possa ver no meu sonho a sem par Dulcineia, a musa mais perfeita e bela que já tenham cantado e possam cantar futuros poetas.

(Angélica ri e cutuca a outra.)

DULCINEIA.- Psiu! (Faz sinal de silêncio).

SANCHO.- Amém, amém, amém e todos os améns possíveis, pois eu não agüento mais de sono e já vou dormir.

(Dito e feito, tira as botas que calça e se cobre, o braço esquerdo como travesseiro e dorme, roncando de imediato e obsessivamente.)

DOM QUIXOTE.- (Ainda implorante aos céus e olhando a SANCHO.) Protege o sono dos justos e abençoados, aos que deste o privilégio de um pensar ligeiro e um dormir profundo. E daí-nos a paz desta hora de repouso em que todos dormem... Os atores do teatro do mundo e os espectadores que também merecem uma cochilada no meio ao desconcertante espetáculo da vida.

CRIADO.- (A DULCINEIA) É totalmente biruta.

(...)

 

FINAL

DOM QUIXOTE.- A minha história quer somente contestar todas as outras histórias de mentiras de cavaleiros andantes e de heróis falsos! Que é melhor se entreter com a verdade do que com a ficção. Sobre tudo quando ela nos propõe virtudes enganosas!

SANCHO.- Mas como poder saber, meu senhor, onde está a verdade e onde a mentira?

DOM QUIXOTE.- Nós temos dois caminhos para chegar a ela: a razão e o coração. E ainda diria que o coração é o mais firme. Mas você tem o dom de escolher o caminho em liberdade!

(...)

DOM QUIXOTE.- É da brincadeira que aflora a verdade, a nossa verdade! Eu tirei o máximo de mim mesmo e essa é a maior vitória que um homem pode desejar (MORRE)

(Instituto Religare)

         
     
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo | VEJA Noite São Paulo
copyright © 2002 . Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados