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1° de outubro de 2003
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Entrevista: Paul Meyer
Dupla jornada

Thaissa Lamha


Francês da Alsácia, o clarinetista Paul Meyer apresentou-se em público pela primeira vez aos 13 anos. Hoje, com 38, diz que ainda se sente no começo da carreira. Ambicioso, Meyer mantém paralelamente uma carreira de maestro - mas é como clarinetista solo que ele vem à cidade nesta semana, para duas apresentações ao lado da Orquestra Filarmônica da Rádio de Hannover - NDR.

Veja São Paulo - Quando começou o gosto pela regência?
Paul Meyer -
Aos treze ou quartorze anos, decidi que seria músico. E já nesta época tinha dois fortes interesses: a clarineta e a regência. Gostaria de ter mantido as duas ocupações, mas a partir do momento em que comecei a tocar na orquestra da Ópera de Paris e minha carreira como clarinetista deslanchou, não tinha tempo para reger. Voltei a fazê-lo há pouco, e foi tão natural quanto tocar a clarineta.

Veja São Paulo - Você teve uma educação musical clássica. Hoje, seu repertório é bastante variado. Como ocorreu esta mudança?
Paul Meyer -
Comecei a estudar em minha cidade natal, Mulhouse, depois fui para o Conservatório de Paris, onde aprendi as obras clássicas. Adoro tocar o repertório antigo, consagrado. Mas também tenho um grande prazer em apresentar uma nova criação, principalmente se ela é boa e sei que será muito tocada no futuro. Aprendi, com a música moderna, como me comportar frente à música clássica. Uma coisa sem a outra não funciona.

Veja São Paulo - Você também tocou ao lado de grandes compositores. Eles são mais rígidos ao reger as próprias peças?
Paul Meyer -
Quando o compositor começa a reger ele não é mais um compositor. Seu trabalho como criador terminou. Às vezes um compositor é um maestro magnífico, como Pierre Boulez. Outros não são tão bons. Luciano Berio, por exemplo, não acumulou tanta experiência como regente quanto como compositor, então muitas vezes não foi fácil trabalhar com ele.

Veja São Paulo - Quais são seus planos para o futuro?
Paul Meyer -
Ainda quero estudar, tocar e reger muitas obras. Quando penso no que já fiz, não sinto que sou a mesma pessoa. Não que eu tenha esquecido o passado, mas estou olhando na outra direção. Minha carreira até agora parece um começo para mim - um bom começo, mas há muitas coisas que quero conseguir no futuro. Entre elas, tocar como solista com Pierre Boulez.

         
     
 
 
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