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Entrevista:
Paul Meyer
Dupla
jornada
Thaissa
Lamha
Francês
da Alsácia, o clarinetista Paul Meyer apresentou-se em público
pela primeira vez aos 13 anos. Hoje, com 38, diz que ainda se sente
no começo da carreira. Ambicioso, Meyer mantém paralelamente uma
carreira de maestro - mas é como clarinetista solo que ele vem à
cidade nesta semana, para duas apresentações ao lado da Orquestra
Filarmônica da Rádio de Hannover - NDR.
Veja
São Paulo - Quando começou o gosto pela regência?
Paul Meyer - Aos treze ou quartorze anos, decidi que seria músico.
E já nesta época tinha dois fortes interesses: a clarineta e a regência.
Gostaria de ter mantido as duas ocupações, mas a partir do momento
em que comecei a tocar na orquestra da Ópera de Paris e minha carreira
como clarinetista deslanchou, não tinha tempo para reger. Voltei
a fazê-lo há pouco, e foi tão natural quanto tocar a clarineta.
Veja
São Paulo - Você teve uma educação musical clássica. Hoje,
seu repertório é bastante variado. Como ocorreu esta mudança?
Paul Meyer - Comecei a estudar em minha cidade natal, Mulhouse,
depois fui para o Conservatório de Paris, onde aprendi as obras
clássicas. Adoro tocar o repertório antigo, consagrado. Mas também
tenho um grande prazer em apresentar uma nova criação, principalmente
se ela é boa e sei que será muito tocada no futuro. Aprendi, com
a música moderna, como me comportar frente à música clássica. Uma
coisa sem a outra não funciona.
Veja
São Paulo - Você também tocou ao lado de grandes compositores.
Eles são mais rígidos ao reger as próprias peças?
Paul Meyer - Quando o compositor começa a reger ele não é mais
um compositor. Seu trabalho como criador terminou. Às vezes um compositor
é um maestro magnífico, como Pierre Boulez. Outros não são tão bons.
Luciano Berio, por exemplo, não acumulou tanta experiência como
regente quanto como compositor, então muitas vezes não foi fácil
trabalhar com ele.
Veja
São Paulo - Quais são seus planos para o futuro?
Paul Meyer - Ainda quero estudar, tocar e reger muitas obras.
Quando penso no que já fiz, não sinto que sou a mesma pessoa. Não
que eu tenha esquecido o passado, mas estou olhando na outra direção.
Minha carreira até agora parece um começo para mim - um bom começo,
mas há muitas coisas que quero conseguir no futuro. Entre elas,
tocar como solista com Pierre Boulez.
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