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1° de outubro de 2003
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Entrevista: Eiji Oue
Energia de sobra

Thaissa Lamha

Regente titular da Orquestra Filarmônica da Rádio de Hannover – NDR desde 1998, o japonês Eiji Oue tem conseguido, através de seu trabalho, levar a música clássica para os mais distintos públicos. Dinâmico e inventivo, ele vem à cidade nesta semana para duas apresentações, ao lado da NDR, na Sala São Paulo e no Parque do Ibirapuera.

Veja São Paulo - Há cinco anos, você visitou o país com a NDR, e há dois, apresentou-se em São Paulo ao lado da Osesp. Qual sua opinião sobre o público brasileiro?
Eiji Oue –
O brasileiro é fantástico, pode sentir algo especial. Não é como o americano ou europeu, que assiste a muitos concertos. Quando estive no país, senti que a platéia estava ávida por novidades. Ao tocar peças que eles nunca tinham ouvido, me senti quase como em uma estréia mundial. E o público é extremamente sofisticado.

Veja São Paulo - Desta vez, você vai reger também ao ar livre, para um público diferente. Como foi a escolha deste programa?
Eiji Oue - Já regi muitos concertos ao ar livre, e sei que não adianta tocar peças muito longas ou sérias. Somos uma orquestra alemã, então vamos tocar um repertório alemão. Mas também escolhi algumas músicas contemporâneas, que sei que serão reconhecidas, como o tema do filme Star Wars. Acho que um concerto ao ar livre tem que ser divertido.

Veja São Paulo - Em 2002, a NDR passou um dia inteiro tocando em diversas partes da cidade de Hannover. Como esta idéia foi recebida pelo público?
Eiji Oue -
Eles adoraram. Além de estarem acostumados com as temporadas tradicionais, os habitantes de Hannover escutam a NDR há muitos anos, tanto ao vivo como no rádio. Acho que é importante experimentar novas idéias e tentar aproveitar a música com o público. Achei que seria demais para eles, mas não houve uma só reclamação.

Veja São Paulo - Paralelamente, a NDR tem uma série para jovens. Qual a importância de levar a música clássica para outros públicos?
Eiji Oue -
Quero atrair os jovens para as salas de concerto não só porque é importante para sua formação, mas também porque eles são nossa próxima geração de ouvintes, então temos que educá-los agora para que voltem em 5, 10 ou até 20 anos. É um desafio e um investimento a longo prazo, mas vale a pena. Temos que explorar a juventude para que o destino da música não seja o esquecimento.

Veja São Paulo – Quais são seus compositores favoritos?
Eiji Oue –
Os que eu escolhi para os concertos no Brasil. Adoro Shostakovich, Beethoven, Berlioz. Escolhi estas músicas porque não seria justo com o público, com a orquestra ou mesmo comigo atravessar um oceano para tocar algo de que eu não gosto. Acho que os músicos, e especialmente os maestros, têm que trabalhar com o coração. Ao contrário de CDs e DVDs, os concertos ao vivo têm um espírito especial. Neles, temos que quebrar a barreira que existe entre o palco e a platéia, dividindo nossa paixão pela música com o público.

 

         
     
 
 
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