Regente
titular da Orquestra Filarmônica da Rádio de Hannover
NDR desde 1998, o japonês Eiji Oue tem conseguido,
através de seu trabalho, levar a música clássica
para os mais distintos públicos. Dinâmico e inventivo,
ele vem à cidade nesta semana para duas apresentações,
ao lado da NDR, na Sala São Paulo e no Parque do Ibirapuera.
Veja São Paulo - Há cinco anos, você visitou
o país com a NDR, e há dois, apresentou-se em São
Paulo ao lado da Osesp. Qual sua opinião sobre o público
brasileiro?
Eiji Oue O
brasileiro é fantástico, pode sentir algo especial.
Não é como o americano ou europeu, que assiste a muitos
concertos. Quando estive no país, senti que a platéia
estava ávida por novidades. Ao tocar peças que eles
nunca tinham ouvido, me senti quase como em uma estréia mundial.
E o público é extremamente sofisticado.
Veja São Paulo - Desta vez, você vai reger
também ao ar livre, para um público diferente. Como
foi a escolha deste programa?
Eiji Oue - Já regi muitos concertos ao ar livre,
e sei que não adianta tocar peças muito longas ou
sérias. Somos uma orquestra alemã, então vamos
tocar um repertório alemão. Mas também escolhi
algumas músicas contemporâneas, que sei que serão
reconhecidas, como o tema do filme Star Wars. Acho que um
concerto ao ar livre tem que ser divertido.
Veja São Paulo - Em 2002, a NDR passou um dia inteiro
tocando em diversas partes da cidade de Hannover. Como esta idéia
foi recebida pelo público?
Eiji Oue - Eles adoraram. Além de estarem acostumados
com as temporadas tradicionais, os habitantes de Hannover escutam
a NDR há muitos anos, tanto ao vivo como no rádio.
Acho que é importante experimentar novas idéias e
tentar aproveitar a música com o público. Achei que
seria demais para eles, mas não houve uma só reclamação.
Veja São Paulo - Paralelamente, a NDR tem uma série
para jovens. Qual a importância de levar a música clássica
para outros públicos?
Eiji Oue - Quero atrair os jovens para as salas de concerto
não só porque é importante para sua formação,
mas também porque eles são nossa próxima geração
de ouvintes, então temos que educá-los agora para
que voltem em 5, 10 ou até 20 anos. É um desafio e
um investimento a longo prazo, mas vale a pena. Temos que explorar
a juventude para que o destino da música não seja
o esquecimento.
Veja São Paulo Quais são seus compositores
favoritos?
Eiji Oue Os que eu escolhi para os concertos no Brasil.
Adoro Shostakovich, Beethoven, Berlioz. Escolhi estas músicas
porque não seria justo com o público, com a orquestra
ou mesmo comigo atravessar um oceano para tocar algo de que eu não
gosto. Acho que os músicos, e especialmente os maestros,
têm que trabalhar com o coração. Ao contrário
de CDs e DVDs, os concertos ao vivo têm um espírito
especial. Neles, temos que quebrar a barreira que existe entre o
palco e a platéia, dividindo nossa paixão pela música
com o público.