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que ele tem e os outros não? Existem tocadores de música
digital com tanta memória quanto o iPod. Outros são tão portáteis quanto ele.
Nenhum, porém, reúne tantos recursos – nem tanto estilo  Bia
Baldim
Otávio Dias de Oliveira
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O iPod Nano, o MP3-player da Apple que está
causando furor desde que foi lançado nos Estados Unidos, não é
melhor que outros produtos do gênero, se analisadas uma por uma suas características.
Pesa só 42 gramas e é fino como um lápis, mas há concorrentes
ainda menores. Oferece até 4 gigabytes de memória, mas a própria
Apple tem modelos capazes de armazenar dez vezes mais músicas. Não
é nem mesmo o primeiro a ter tela colorida. Como se explica, então,
o imenso sucesso do Nano entre o público especializado e sobretudo entre
os consumidores? A primeira explicação
é que nada do que tinha sido lançado até o aparecimento do
Nano reunia todas essas características em um único produto. O aparelho
pode ser tão pequeno e fino em razão do uso de uma memória
flash, igual à das câmeras digitais. O iPod tradicional precisava
de um disco rígido, como o dos computadores. Essa memória flash
consome bem menos bateria que o disco, o que representa mais tempo de uso entre
duas recargas. Mas também nesse aspecto a Apple teve primazia relativa.
Existiam inúmeros modelos de MP3-players com a memória flash
só que sem chegar perto dos 4 gigabytes de memória, suficientes
para carregar 1 000 arquivos de música. Essa revolução foi
possível graças à queda de preço das memórias
flash, na ordem de 50% ao ano. Concorrentes, como a Samsung, já estudam
protótipos com mais de 4 gigabytes de memória, mas a Apple chegou
na frente ao mercado, oferecendo o produto a 250 dólares nos Estados Unidos
(200 dólares na versão de 2 gigabytes).
Além
das funções convencionais de um iPod, como armazenamento de músicas
por nome de artista, o Nano pode mostrar as letras das canções enquanto
elas estão tocando. Tem tela colorida e capacidade para guardar 25 000
fotos, o que não ocorre nos outros tocadores de MP3 com memória
flash. Ele troca arquivos tanto com PCs quanto com Macs. A bateria agüenta
até catorze horas. No conjunto de atributos, o Nano só perde mesmo
para os irmãos maiores, como o recém-lançado iPod com vídeo,
que armazena até 15 000 músicas, 25 000 fotos ou 150 horas de vídeo,
o equivalente a setenta filmes de longa-metragem. E o preço dos dois equipamentos
é parecido. O iPod de 30 gigabytes custa, na loja da Apple nos EUA, 299
dólares, pouco mais que o Nano. Outro motivo
do sucesso do Nano, talvez o mais importante, é o marketing bem-feito em
torno de seu estilo. Possuir um iPod de último tipo tornou-se um símbolo
de status. A imagem inovadora por trás da marca Apple garante que a empresa
saia na frente dos concorrentes a cada lançamento. "O fator que fez com
que eu trocasse meu antigo iPod pelo Nano é irracional", diz o publicitário
Marcelo Tripoli, que já teve dois aparelhos da Apple e comprou o Nano no
dia em que ele foi lançado, enquanto viajava pelos EUA. "Eles estavam vendendo
o Nano como pão quente", conta Tripoli.
Nos três primeiros anos do iPod, a Apple vendeu 5,5 milhões de unidades.
A Sony, quando lançou o walkman, em 1979, vendeu no mesmo período
3 milhões de aparelhos. Com o lançamento do iPod que reproduz vídeo,
o mercado tende a crescer. Já estão disponíveis na loja da
Apple mais de 2 000 clipes e seriados de sucesso da televisão, como Lost,
a 1,99 dólar o episódio. Há até uma bolsa de apostas
sobre qual será o próximo lançamento da empresa. | |