Índice
Carta ao leitor
Cenários: As parcerias entre grandes empresas na disputa pelo mercado global
Entrevista: John Battelle, autor de um livro que disseca o Google
Celulares: Os modelos que fazem sucesso no mundo inteiro
Foto digital: Um guia para armazenar, compartilhar e imprimir suas imagens
Informática: Vem aí a próxima geração de processadores, de 64 bits
TV digital: O Brasil adota um padrão de alta definição semelhante ao japonês
Medicina: Os novos equipamentos que mostram detalhes milimétricos do corpo humano
Inteligência: Ela já chegou às roupas, aos carros e aos eletrodomésticos
Sem fio: Como funciona o WiMax, que permitirá acesso à internet de banda larga em cidades inteiras
Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
Games: Os novos jogos e máquinas que transformaram o entretenimento em arte
Tradução: O primeiro software que ouve uma frase em um idioma e a pronuncia em outro
Rádio: A transmissão digital chega ao Brasil e renova um velho meio de comunicação
MP3: Por que o iPod faz tanto sucesso com suas diferentes versões
Entrevista: Ted Nelson, o pai do hipertexto, critica a internet atual
Guia de produtos: Os lançamentos no mercado de eletrônicos deste fim de ano
Celulares
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Computadores
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TV e home theater
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O que ele tem e os outros não?

Existem tocadores de música digital com tanta memória quanto o iPod. Outros são tão portáteis quanto ele. Nenhum, porém, reúne tantos recursos – nem tanto estilo


Bia Baldim

Otávio Dias de Oliveira

O iPod Nano, o MP3-player da Apple que está causando furor desde que foi lançado nos Estados Unidos, não é melhor que outros produtos do gênero, se analisadas uma por uma suas características. Pesa só 42 gramas e é fino como um lápis, mas há concorrentes ainda menores. Oferece até 4 gigabytes de memória, mas a própria Apple tem modelos capazes de armazenar dez vezes mais músicas. Não é nem mesmo o primeiro a ter tela colorida. Como se explica, então, o imenso sucesso do Nano entre o público especializado e sobretudo entre os consumidores?

A primeira explicação é que nada do que tinha sido lançado até o aparecimento do Nano reunia todas essas características em um único produto. O aparelho pode ser tão pequeno e fino em razão do uso de uma memória flash, igual à das câmeras digitais. O iPod tradicional precisava de um disco rígido, como o dos computadores. Essa memória flash consome bem menos bateria que o disco, o que representa mais tempo de uso entre duas recargas. Mas também nesse aspecto a Apple teve primazia relativa. Existiam inúmeros modelos de MP3-players com a memória flash – só que sem chegar perto dos 4 gigabytes de memória, suficientes para carregar 1 000 arquivos de música. Essa revolução foi possível graças à queda de preço das memórias flash, na ordem de 50% ao ano. Concorrentes, como a Samsung, já estudam protótipos com mais de 4 gigabytes de memória, mas a Apple chegou na frente ao mercado, oferecendo o produto a 250 dólares nos Estados Unidos (200 dólares na versão de 2 gigabytes).

Além das funções convencionais de um iPod, como armazenamento de músicas por nome de artista, o Nano pode mostrar as letras das canções enquanto elas estão tocando. Tem tela colorida e capacidade para guardar 25 000 fotos, o que não ocorre nos outros tocadores de MP3 com memória flash. Ele troca arquivos tanto com PCs quanto com Macs. A bateria agüenta até catorze horas. No conjunto de atributos, o Nano só perde mesmo para os irmãos maiores, como o recém-lançado iPod com vídeo, que armazena até 15 000 músicas, 25 000 fotos ou 150 horas de vídeo, o equivalente a setenta filmes de longa-metragem. E o preço dos dois equipamentos é parecido. O iPod de 30 gigabytes custa, na loja da Apple nos EUA, 299 dólares, pouco mais que o Nano.

Outro motivo do sucesso do Nano, talvez o mais importante, é o marketing bem-feito em torno de seu estilo. Possuir um iPod de último tipo tornou-se um símbolo de status. A imagem inovadora por trás da marca Apple garante que a empresa saia na frente dos concorrentes a cada lançamento. "O fator que fez com que eu trocasse meu antigo iPod pelo Nano é irracional", diz o publicitário Marcelo Tripoli, que já teve dois aparelhos da Apple e comprou o Nano no dia em que ele foi lançado, enquanto viajava pelos EUA. "Eles estavam vendendo o Nano como pão quente", conta Tripoli.

Nos três primeiros anos do iPod, a Apple vendeu 5,5 milhões de unidades. A Sony, quando lançou o walkman, em 1979, vendeu no mesmo período 3 milhões de aparelhos. Com o lançamento do iPod que reproduz vídeo, o mercado tende a crescer. Já estão disponíveis na loja da Apple mais de 2 000 clipes e seriados de sucesso da televisão, como Lost, a 1,99 dólar o episódio. Há até uma bolsa de apostas sobre qual será o próximo lançamento da empresa.