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nova era do rádio Um velho meio ganha vida com a tecnologia:
o sistema digital, em testes no Brasil, garante som perfeito e pode ampliar as
escolhas do ouvinte  Bia
Baldim
O rádio, convenhamos, é mesmo um
meio de comunicação do século passado, com seus chiados,
falhas na transmissão, sintonia impossível em alguns locais e localização
de estações por um processo que exige memorizar freqüências
parecidas com fórmulas matemáticas. Ou melhor, era. Não porque
esteja morrendo, mas sim porque está ressuscitando graças a uma
nova tecnologia, a da transmissão digital. Sucesso no exterior, o novo
sistema está em fase de testes no Brasil. Em agosto, o ministro das Comunicações,
Hélio Costa, deu sinal verde para que algumas redes Sistema Globo
de Rádio, Bandeirantes, Jovem Pan, RBS e Eldorado iniciassem transmissões
experimentais, que durarão pelo menos seis meses. "A idéia, neste
primeiro momento, é analisar a qualidade da transmissão", diz José
Inácio Pizani, presidente da Associação Brasileira de Emissoras
de Rádio e Televisão (Abert). "Depois, vamos para a implantação
de verdade." Qualquer emissora de rádio
pode pedir autorização à Agência Nacional de Telecomunicações
e iniciar a transmissão digital. Até março de 2006, a previsão
é que dez emissoras brasileiras estejam habilitadas. É muito pouco,
num país que tem cerca de 4 000 emissoras e é considerado o segundo
maior mercado de radiodifusão do mundo, em número de aparelhos.
Mas é um começo. E fazer a mudança custa caro. A Associação
das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo
(Aesp) estima que o custo de migração de cada emissora ficará
entre 50 000 e 150 000 dólares, dependendo do grau de digitalização
existente na produção. "Como 70% das emissoras são de pequeno
ou médio porte, a mudança será bastante gradual", diz Nelia
Del Bianco, professora da Universidade de Brasília e especialista em rádio
digital. O sistema adotado aqui, até agora,
é o americano in-band on-channel (Iboc), que permite que as transmissões
analógica e digital caminhem na mesma freqüência, sem necessidade
de utilizar novos canais. Isso permite que o ouvinte continue a usar seu aparelho
analógico atual, com chiado e interrupções. Mas quem comprar
um rádio digital ouvirá AM com a qualidade de FM e FM com som de
CD. O motivo é que as ondas analógicas convencionais sofrem a influência
de fatores externos, como a presença de prédios ou nuvens carregadas.
O sinal digital passa intacto por qualquer obstáculo.
A grande mudança, porém, não é simplesmente a qualidade
superior do som. Segundo John Sykes, diretor do projeto de rádio digital
da BBC, os ouvintes ingleses só passaram a comprar rádios digitais
quando as emissoras lançaram novos programas. "Conteúdo novo é
o estímulo mais potente para aumentar a demanda", diz ele. Um equipamento
simples para captar sinais digitais custa em torno de 250 dólares. Para
que se justifique um investimento de mais de 500 reais por parte do consumidor,
as emissoras terão de produzir algo especial. A rádio digital permite
exatamente isso. Como os aparelhos têm tela de cristal líquido, as
emissoras podem emitir informações por escrito, como nome da música
e do cantor, previsão do tempo, dados sobre trânsito e propaganda.
No futuro, poderão transmitir também imagens. Não como a
televisão, antes que alguém pergunte. Basicamente, o canal digital
servirá para mostrar gráficos e pequenos clipes. Haverá certamente
maior segmentação, pois cada canal de rádio poderá
transmitir até três programas simultaneamente. Com a superespecialização,
surge inclusive a possibilidade de canais pagos, como acontece com a televisão.
Espera-se que as novas possibilidades do rádio
digital sejam aproveitadas por um mercado cada vez mais segmentado. No passado,
nem sempre isso aconteceu. A freqüência modulada, ou FM, foi lançada
nos Estados Unidos na década de 1940. Embora transmitisse um som de qualidade
superior à do rádio AM, tinha alcance mais limitado. Por isso, só
foi despertar o interesse das emissoras brasileiras na década de 1970.
De lá para cá, o mercado mudou muito, e há rádios
para todos os gostos, das evangélicas às eruditas. Embora a digitalização
dos serviços radiofônicos seja considerada uma tendência mundial,
ainda são poucos os países que operam o novo sistema nas
Américas, Estados Unidos, México e Canadá. "O Brasil foi
um dos primeiros no mundo a usar o rádio como meio de comunicação.
Agora, confirmamos nossa tendência ao pioneirismo", gaba-se o diretor da
Aesp, Antonio Rosa Neto. A questão, para o consumidor, é se essa
primazia dará alternativas novas para o ouvinte.
O QUE MUDA PARA O OUVINTE O som do rádio digital
é superior? A rádio AM passa
a ter qualidade de FM; a rádio FM terá som de CD. O
sinal digital será transmitido em todo o território nacional?
Teoricamente, isso é possível, mas
vai depender de cada emissora. Será
preciso jogar fora o aparelho atual? Não.
As emissoras brasileiras vão transmitir os dois sinais, o analógico
e o digital. Vai melhorar
o som do aparelho convencional? Não,
porque o rádio analógico continuará recebendo o mesmo tipo
de sinal. O aparelho digital
capta o sinal analógico? Depende
do aparelho. A maioria aceita os dois sistemas, sem que um interfira no outro.
Que outras vantagens tem
o aparelho digital? Os melhores modelos
têm recursos como a gravação de músicas com registro
de informações como autor e intérprete e a possibilidade
de "voltar" para o começo de um programa que se pegou no meio. Já
existem aparelhos de rádio digital à venda no Brasil? Não.
Algumas emissoras estão fazendo transmissões experimentais. Prevê-se
a chegada de aparelhos (semelhantes aos das fotos acima, vendidos na Europa) ao
mercado em 2006. | | |