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Entrevista: Jean Paul Jacob, o futurólogo brasileiro da IBM
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Ele vai falar a sua língua

Intérprete automático da IBM – inglês-chinês –
é o primeiro a conseguir resultados aceitáveis


Igor Ribeiro

Marcelo Zocchio
Montagem sobre fotos Divulgação

O PRESENTE
Os atuais tradutores automáticos, como esta caneta que lê a palavra impressa e sugere uma tradução, ainda não têm reconhecimento de voz

O FUTURO
Esta imagem simula o funcionamento do Mastor, o tradutor automático da IBM: no caso, a frase "Eu vou lhe dar um remédio para dor", pronunciada em inglês, é vertida para o chinês. Para verificação, o programa a retraduz para o inglês

Pela primeira vez se conseguiu produzir um tradutor automático que entende a voz do usuário e a verte para outro idioma com resultados aceitáveis. A IBM desenvolveu um protótipo batizado de Mastor (de "multilingual automatic speech-to-speech translator", algo como "tradutor automático multilingual oral"), que é o que há de mais próximo da realização de um sonho dos pesquisadores, um sistema de tradução eletrônica em tempo real. Por enquanto o programa funciona com os idiomas inglês e chinês. Uma frase pronunciada em um idioma é vertida para o outro. Para garantir que a tradução tenha sido correta, o programa também faz a tradução reversa, de volta para o idioma original, permitindo ao usuário conferir o resultado.

As dificuldades para produzir um equipamento assim são evidentes, mesmo na era dos supercomputadores. A tecnologia de reconhecimento de voz avança lentamente. Entender diferentes vozes, que pronunciam as mesmas palavras com sotaques variados e cometem mais erros do que na linguagem escrita, ainda não é tarefa fácil para o computador. Traduzir um texto corretamente também não. Todos os tradutores automáticos do mercado tropeçam quando uma palavra tem mais de um sentido ou é empregada fora do contexto habitual, por exemplo. Juntar tudo isso num programa só é ainda mais complicado.

Os técnicos da IBM afirmam que conseguiram equacionar a maior parte desses problemas. O Mastor procura "entender" o contexto da frase dita pelo usuário, baseado em modelos estatísticos, e traduzi-la no mesmo contexto na outra língua, adapta-se rapidamente a diferentes vozes e ambientes com acústicas variadas e tem um vocabulário de 30 000 palavras em cada idioma. Não por acaso, o protótipo traduz frases do inglês para o chinês e vice-versa, os dois idiomas que prometem dominar o comércio no século XXI. As aplicações para um intérprete eletrônico que entenda vozes são imensas. Em aeroportos e pontos turísticos, por exemplo, podem dar informações a estrangeiros. Em conferências internacionais, substituirão o trabalho de dezenas de intérpretes. E o mercado inglês-chinês deve crescer rapidamente nos próximos anos.

Mesmo os sites e softwares de tradução mais populares, como o Babylon, ainda estão longe de ameaçar o emprego dos intérpretes de carne e osso, mas isso não os torna menos úteis em algumas circunstâncias. Permitem, por exemplo, entender o sentido geral de um texto na internet sem recorrer a um tradutor profissional. Outros produtos têm ainda mais utilidade. Embora ainda deva levar alguns anos até a tecnologia do Mastor estar disponível nas lojas, aos poucos os avanços nos recursos de tradução vão sendo incorporados aos produtos no mercado. Uma empresa americana, a VoxTec, desenvolveu com o Exército americano o Phraselator. Embora o nome lembre a linha de produtos das fictícias Organizações Tabajara, do humorístico Casseta & Planeta, trata-se de um aparelho eficaz, que reconhece frases de situações de emergência, como "onde está doendo?" e "leve-me até o hospital", e as pronuncia em outro idioma. O problema da maquininha, que lembra um palmtop, é que não traduz a resposta. O Phraselator tem sido usado no socorro às vítimas do tsunami na Ásia e na ocupação americana no Iraque (também traduz frases como "mãos na parede!" e "vou precisar revistá-lo!"). O aparelho funciona com cartões de memória que carregam até 30 000 frases em MP3 em diversos idiomas. Como as orações são pré-gravadas, nunca ocorreram erros de sintaxe ou gramaticais, como é normal nos tradutores comuns.