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vai falar a sua língua Intérprete automático da IBM – inglês-chinês
– é o primeiro a conseguir resultados aceitáveis  Igor
Ribeiro
Marcelo Zocchio
 | Montagem
sobre fotos Divulgação
 | O
PRESENTE Os atuais tradutores automáticos, como esta caneta
que lê a palavra impressa e sugere uma tradução, ainda não
têm reconhecimento de voz | O
FUTURO Esta imagem simula o funcionamento do Mastor, o tradutor automático
da IBM: no caso, a frase "Eu vou lhe dar um remédio para dor", pronunciada
em inglês, é vertida para o chinês. Para verificação,
o programa a retraduz para o inglês | Pela
primeira vez se conseguiu produzir um tradutor automático que entende a
voz do usuário e a verte para outro idioma com resultados aceitáveis.
A IBM desenvolveu um protótipo batizado de Mastor (de "multilingual automatic
speech-to-speech translator", algo como "tradutor automático multilingual
oral"), que é o que há de mais próximo da realização
de um sonho dos pesquisadores, um sistema de tradução eletrônica
em tempo real. Por enquanto o programa funciona com os idiomas inglês e
chinês. Uma frase pronunciada em um idioma é vertida para o outro.
Para garantir que a tradução tenha sido correta, o programa também
faz a tradução reversa, de volta para o idioma original, permitindo
ao usuário conferir o resultado.
As dificuldades para produzir um equipamento assim são evidentes, mesmo
na era dos supercomputadores. A tecnologia de reconhecimento de voz avança
lentamente. Entender diferentes vozes, que pronunciam as mesmas palavras com sotaques
variados e cometem mais erros do que na linguagem escrita, ainda não é
tarefa fácil para o computador. Traduzir um texto corretamente também
não. Todos os tradutores automáticos do mercado tropeçam
quando uma palavra tem mais de um sentido ou é empregada fora do contexto
habitual, por exemplo. Juntar tudo isso num programa só é ainda
mais complicado. Os técnicos
da IBM afirmam que conseguiram equacionar a maior parte desses problemas. O Mastor
procura "entender" o contexto da frase dita pelo usuário, baseado em modelos
estatísticos, e traduzi-la no mesmo contexto na outra língua, adapta-se
rapidamente a diferentes vozes e ambientes com acústicas variadas e tem
um vocabulário de 30 000 palavras em cada idioma. Não por acaso,
o protótipo traduz frases do inglês para o chinês e vice-versa,
os dois idiomas que prometem dominar o comércio no século XXI. As
aplicações para um intérprete eletrônico que entenda
vozes são imensas. Em aeroportos e pontos turísticos, por exemplo,
podem dar informações a estrangeiros. Em conferências internacionais,
substituirão o trabalho de dezenas de intérpretes. E o mercado inglês-chinês
deve crescer rapidamente nos próximos anos.
Mesmo os sites e softwares de tradução mais populares, como o Babylon,
ainda estão longe de ameaçar o emprego dos intérpretes de
carne e osso, mas isso não os torna menos úteis em algumas circunstâncias.
Permitem, por exemplo, entender o sentido geral de um texto na internet sem recorrer
a um tradutor profissional. Outros produtos têm ainda mais utilidade. Embora
ainda deva levar alguns anos até a tecnologia do Mastor estar disponível
nas lojas, aos poucos os avanços nos recursos de tradução
vão sendo incorporados aos produtos no mercado. Uma empresa americana,
a VoxTec, desenvolveu com o Exército americano o Phraselator. Embora o
nome lembre a linha de produtos das fictícias Organizações
Tabajara, do humorístico Casseta & Planeta, trata-se de um aparelho
eficaz, que reconhece frases de situações de emergência, como
"onde está doendo?" e "leve-me até o hospital", e as pronuncia em
outro idioma. O problema da maquininha, que lembra um palmtop, é que não
traduz a resposta. O Phraselator tem sido usado no socorro às vítimas
do tsunami na Ásia e na ocupação americana no Iraque (também
traduz frases como "mãos na parede!" e "vou precisar revistá-lo!").
O aparelho funciona com cartões de memória que carregam até
30 000 frases em MP3 em diversos idiomas. Como as orações são
pré-gravadas, nunca ocorreram erros de sintaxe ou gramaticais, como é
normal nos tradutores comuns. | |